Luis Enrique Ferrer García, irmão do líder opositor José Daniel Ferrer García, que saiu de Cuba esta segunda-feira rumo aos Estados Unidos, em um exílio forçado pelo regime de Havana, pediu aos cubanos em Miami que o recebam.
Minutos depois que Ferrer embarcou em Santiago de Cuba no avião que o levou a Miami junto com sua família, seu irmão convidou os cubanos em Miami a recebê-lo no terminal D do aeroporto internacional da cidade (MIA), onde deverá estar chegando por volta da uma da tarde.
Em declarações ao Martí Notícias a partir do MIA, o irmão do fundador e líder da União Patriótica de Cuba (UNPACU) comentou as circunstâncias em que ocorreu a saída do opositor, evidenciando as claras intenções do regime de evitar que se soubesse antecipadamente o momento em que chegaria aos EUA.
"Colocam-no no avião, praticamente o levam para o aeroporto 15 minutos antes, ou 20 minutos, no máximo, antes de decolar o voo. E tudo isso fazem porque sempre estiveram enganando desde a semana passada, dizendo que vinha, que não vinha, tentando que não pudéssemos anunciar com bastante antecedência e que houvesse muita gente, muitos patriotas esperando-no no aeroporto", sustentou.
"Neste momento, eles já estão no avião, ou seja, já estão a caminho para cá, José Daniel, toda a sua família, acompanhados por dois funcionários do Departamento de Estado, que, muito corajosamente, foram enviados pelo Departamento de Estado, chefiado pelo nosso Marco Rubio, e por Mike Hammer, que está à frente da embaixada em Cuba, e que tem realizado um trabalho incrível em favor do povo cubano", ressaltou.
Luis Enrique afirmou que os funcionários estadounidenses viajaram para Santiago de Cuba e "disseram que não voltariam aos Estados Unidos até que voltassem no mesmo voo que José Daniel e sua família".
Desterro forçado
Ferrer voou nesta segunda-feira de Santiago de Cuba para Miami, após um longo processo de negociações que culminou com sua saída forçada ao exílio. O opositor aceitou o desterro imposto pelo regime da ilha como condição para ser libertado da prisão. Pouco antes do meio-dia deste 13 de outubro, viajou para a Flórida acompanhado de sua esposa, a doutora Nelva Ismarays Ortega Tamayo, e outros membros de sua família.
Uma equipe consular da Embaixada dos Estados Unidos em Cuba acompanhou Ferrer e seus familiares, em meio a um enorme despliegue de agentes da Segurança do Estado.
"De [la] prisão Mar Verde para o aeroporto de Santiago de Cuba. Desterrado meu valente irmão. Nosso Senhor os acompanhe no voo rumo à LIBERDADE com o propósito de continuar a luta até alcançar a merecida LIBERDADE de todos os nossos PRESOS POLÍTICOS e nossa amada terra", escreveu nas redes Ana Belkis Ferrer García, irmã do opositor.
A chegada do líder da UNPACU aos EUA marca o fechamento de um dos capítulos mais prolongados de perseguição política na ilha e ocorre após mais de quatro anos de hostilização e detenção por parte do regime cubano.
A saída de Ferrer foi anunciada semanas depois que ele confirmou - em uma carta datada de 10 de setembro de 2025 - sua decisão de aceitar o exílio como uma medida para proteger sua família, em meio a pressões persistentes da polícia política.
Na missiva, divulgada da prisão, denunciou as tentativas do governo de "desacreditar a luta pela liberdade" e de manipular seu caso como parte de possíveis negociações entre Cuba, Estados Unidos e a Igreja Católica.
"Estou pronto para morrer, mas não para viver sem honra, sem dignidade", afirmou então, descrevendo um panorama de isolamento, tortura psicológica e chantagens políticas.
A comunidade internacional acompanhou com preocupação sua situação e apontou as autoridades cubanas por violações sistemáticas dos direitos humanos.
Pronunciamento do regime de Havana
À mesma hora em que partia o voo de desterro de José Daniel Ferrer García, o regime cubano publicou um comunicado oficial no qual confirmava a saída do líder opositor do país com destino aos Estados Unidos, acompanhado por membros de sua família.
O Ministério das Relações Exteriores alegou que sua saída ocorria "após uma solicitação formal do governo daquele país e a aceitação expressa de Ferrer García, no âmbito das formalidades de aplicação e cumprimento da lei que existem entre ambos os países".
O comunicado tentou apresentar o fato como um ato conforme à lei e resultado de um procedimento legal ordinário, quando na realidade o opositor foi desterrado do país e conquistou a admiração do povo por demonstrar, ao longo dos anos, uma postura indomável diante do regime.
O MINREX afirmou que o procedimento foi avaliado pela Procuradoria cubana, levando em conta "a situação legal" de Ferrer, "o cumprimento do devido processo" e "circunstâncias específicas do caso".
Também mencionou a aplicação de "faculdades legais" por parte das instituições, sem especificar a figura jurídica utilizada para autorizar a saída do país de um cidadão cubano sob medidas cautelares.
Ferrer havia recebido em janeiro de 2025 uma liberdade antecipada, enquanto cumpria uma sentença de quatro anos e seis meses de prisão. Mas em abril, apenas três meses depois, o regime revogou esse "benefício", sob o argumento de que ele havia violado as condições impostas pelo tribunal, conforme disposto na Lei de Execução Penal cubana.
Desde então, permanecia em prisão provisória, indiciado por um suposto novo delito, do qual também não foram oferecidos detalhes no comunicado.
Após anos de violações de seus direitos humanos, repressão sistemática e condições carcerárias extremas, observadores e defensores internacionais de direitos humanos consideram a saída de Ferrer do país um exílio disfarçado.
Seu exílio forçado simboliza tanto a vulnerabilidade dos opositores dentro de Cuba, quanto a persistência de uma luta que agora Ferrer continuará do exterior.
Perguntas frequentes sobre o desterro de José Daniel Ferrer
Por que José Daniel Ferrer foi desterrado de Cuba?
José Daniel Ferrer foi desterrado de Cuba após um longo processo de negociações que culminou com seu exílio forçado por parte do regime cubano. Esta medida foi tomada sob pressões extremas do regime, que o opositor aceitou para proteger sua família, após anos de repressão, encarceramento injusto, torturas e violações de seus direitos humanos.
Qual tem sido a trajetória de José Daniel Ferrer como opositor ao regime cubano?
José Daniel Ferrer tem sido um rosto persistente na dissidência cubana desde os anos noventa. Fundou a União Patriótica de Cuba (UNPACU) em 2011, tornando-se um dos principais líderes da oposição. Seu ativismo o levou a sofrer múltiplas prisões, torturas e assédios por parte do regime cubano, destacando-se por sua defesa de uma transição pacífica em direção à democracia e à liberdade dos prisioneiros políticos.
O que motivou o exílio de José Daniel Ferrer?
O exílio de José Daniel Ferrer foi motivado pela necessidade de proteger sua família da perseguição sistemática do regime cubano. Ferrer aceitou o desterro sob pressões extremas, após anos de encarceramento injusto, torturas e violações dos direitos humanos. Sua saída do país é vista como uma estratégia para continuar sua luta do exterior, sem renunciar a seus princípios de honra e dignidade.
Como reagiu a comunidade internacional ao desterro de José Daniel Ferrer?
A comunidade internacional reagiu com preocupação e condenação ao exílio de José Daniel Ferrer. Organizações de direitos humanos e governos, como o dos Estados Unidos, denunciaram o tratamento recebido por Ferrer e exigiram sua imediata libertação. Seu caso gerou uma onda de solidariedade internacional, destacando a persistente repressão política em Cuba.
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