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O chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla lamentou nesta sexta-feira as vítimas do furacão Melissa no Caribe e transmitiu “solidariedade e apoio” aos governos do Haiti e da Jamaica, ao especificar que o ciclone deixou 30 e 19 mortos nesses países, respectivamente.
Seu mensagem —divulgada no X— chega em meio a crescentes críticas ao discurso oficial cubano pelo manejo da emergência no oriente da ilha.
O texto de condolências de Bruno Rodríguez pelas mortes no Haiti e na Jamaica contrastou, além disso, com comentários de usuários que o recriminam por priorizar a retórica externa em detrimento das necessidades internas e que exigem aceitação de ajuda e transparência sobre a situação no leste cubano.
As críticas apontam para a distância entre o discurso triunfalista —que reivindica organização e disciplina— e a realidade de comunidades que continuam submersas ou isoladas.
"É a única coisa que fazem, expor sua retórica. Aceitem a ajuda dos EUA. É o povo quem a necessita, parem de ser um obstáculo às suas necessidades", condenou um cubano no X.
Um dia antes, o governante Miguel Díaz-Canel afirmou em sua conta no X que a sobrevivência da população oriental após a passagem de Melissa "não é um milagre", mas sim o resultado da "preparação, organização, disciplina e solidariedade" do povo.
Durante a reunião do Conselho de Defesa Nacional, o mandatário insistiu que a prioridade continua sendo “preservar a vida” nos territórios afetados; no entanto, não ofereceu detalhes sobre os danos materiais nem sobre a extensão real da catástrofe, que mantém milhares de famílias enfrentando inundações, cortes de energia e dificuldades de acesso.
As intensas chuvas e os fortes ventos associados a Melissa provocaram severos danos em Guantánamo, Santiago de Cuba, Granma e Holguín, com inundações em várias localidades e prejuízos nas redes elétricas e de telecomunicações, estradas e residências.
Enquanto as mensagens oficiais ressaltam a continuidade das ações de proteção, as reações dos cidadãos nas redes questionam a falta de informações precisas e a lentidão da assistência nas áreas mais afetadas.
Em paralelo, o anúncio do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre a disposição de Washington em oferecer ajuda humanitária imediata aos cubanos afetados —desde que as doações não passem por instituições oficiais— reavivou a controvérsia diplomática.
La Habana costuma interpretar esse canal como intervenção, e o debate voltou a se tensionar entre apelos para aceitar apoios externos sem condicionamentos e a postura governamental que exige respeito à sua soberania.
Este viernes, o governo cubano assegurou que os Estados Unidos “não concretizaram nenhuma oferta de ajuda” para os afetados, apesar do anúncio público.
Segundo Johana Tablada, subdiretora geral da Direção dos Estados Unidos do Minrex, a embaixada cubana em Washington se comunicou com o Departamento de Estado “por causa do que publicaram”, mas “até agora” não recebeu resposta às perguntas formuladas.
A discrepância entre declarações públicas e confirmações oficiais acrescenta opacidade a um cenário já complexo para os afetados.
Finalmente, sobre as “duas vitórias” mencionadas por Díaz-Canel após Melissa —o enfrentamento ao furacão e o voto na ONU contra o embargo dos Estados Unidos—, o oficialismo as apresenta como prova da “força da Revolução” e da dignidade do povo cubano.
No entanto, em redes e fóruns críticos, questiona-se o tom triunfalista dessa leitura em meio à crise humanitária e à diminuição do apoio internacional a Havana em organismos multilaterais, o que reforça a percepção de que a propaganda política persiste mesmo quando milhares de famílias aguardam soluções concretas.
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