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O governo cubano voltou a deixar clara sua arrogância política, mesmo em meio à devastação causada pelo furacão Melissa.
Enquanto milhares de famílias no leste de Cuba permanecem sem eletricidade, sem água potável e com casas destruídas, um alto funcionário do regime qualificou a oferta de ajuda humanitária dos Estados Unidos como "esmolas".
O comentário foi feito por Juan Antonio Fernández Palacios, embaixador cubano na Bélgica e perante a União Europeia, em uma mensagem do vice-ministro das Relações Exteriores Carlos Fernández de Cossío, que confirmou que Havana está "em contato" com o Departamento de Estado para conhecer os detalhes da oferta de assistência.
"Nada de limosnas nem condicionamentos. A comunidade internacional, de maneira avassaladora, disse o que eles têm que fazer. Nada mais a dizer", escreveu Fernández Palacios no X, mostrando o tradicional desprezo do regime por qualquer gesto de cooperação estadunidense.
O comentário gerou indignação entre cubanos dentro e fora do país, que questionaram a indiferença do governo diante da tragédia e criticaram que, em vez de aceitar ajuda, a retórica política seja priorizada em detrimento do bem-estar da população.
"Se realmente vocês se preocupam com o bem-estar do povo, aceitem se manter à parte e não lucrar ou usar as doações como arma política, como sempre fazem", expressou um usuário.
"O problema sempre foram vocês, que querem administrar a ajuda para vendê-la a um povo faminto. Ladrões! Assassinos!", disse uma usuária.
"Espero que não recuam diante da ridícula abusiva de não aceitar ajuda dos EUA. Pensem nos milhares de cubanos que perderam tudo!", apontou outro internauta.
A polêmica surgiu após o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciar a disposição de Washington para oferecer ajuda humanitária imediata ao povo cubano, sem intermediários do regime.
Em um comunicado, o Departamento de Estado afirmou que existem isenções legais para doações privadas de alimentos, medicamentos e suprimentos de emergência, e instou aqueles que desejam colaborar a entrar em contato diretamente com o escritório de ajuda humanitária a Cuba.
A Habana, no entanto, responde com a mesma retórica de sempre: rejeição e desconfiança, mesmo diante de uma oferta que poderia aliviar o sofrimento de milhares de vítimas.
Em vez de facilitar a entrada de medicamentos, água e alimentos, o governo se enreda em discursos de soberania enquanto responsabiliza o "bloqueio" pela falta de recursos para enfrentar os desastres.
A situação humanitária no leste cubano continua sendo dramática.
Em províncias como Santiago de Cuba, Holguín e Granma, comunidades inteiras continuam isoladas, sem energia nem comunicações. Os hospitais carecem de suprimentos básicos, e as chuvas agravaram os surtos de doenças e a escassez de alimentos.
Apesar disso, o chanceler Bruno Rodríguez Parrilla não se pronunciou oficialmente sobre a oferta dos Estados Unidos.
Seu silêncio contrasta com o discurso do embaixador Fernández Palacios, que parece falar em nome de um governo mais preocupado em manter sua narrativa ideológica do que em salvar vidas.
Não é o único. Julio Cesar Crespo Diéguez, diplomata cubano no Equador, expressou que Cuba está disposta a receber ajuda solidária, "sem condicionamentos políticos".
A história se repete: diante de cada desastre natural, Havana prefere o orgulho político ao bem-estar dos cidadãos.
O que para outros países seria uma oportunidade de cooperação e alívio, para o regime se transforma em mais um campo de batalha ideológica.
Enquanto isso, o povo - mais uma vez - paga as consequências do isolamento e da obstinação do poder.
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