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Em meio ao debate sobre a assistência internacional após a passagem do furacão Melissa, o governante Miguel Díaz-Canel agradeceu publicamente a ajuda de Nicolás Maduro e afirmou que Cuba “agradece qualquer ajuda, desde que seja sincera e respeite nossa soberania e leis”.
O mensagem, lido como uma indireta à oferta de auxílio dos Estados Unidos e aos conflitos que isso provocou na diplomacia cubana, foi enviado pelo representante do regime na rede social X.
"Obrigado, irmão Nicolás Maduro, pela ajuda ao nosso povo nestas horas difíceis, e pela sua constante denúncia ao cruel Bloqueio que tanto nos prejudica, agora mais do que nunca. Cuba agradece qualquer ajuda desde que seja sincera e com respeito à nossa soberania e leis", escreveu.
O comunicado ocorreu nesta sexta-feira, enquanto cresciam as críticas nas redes pela resposta oficial à catástrofe no leste do país e após uma troca de declarações dentro do próprio aparato estatal.
O embaixador de Cuba na Bélgica e perante a União Europeia, Juan Antonio Fernández Palacios, havia qualificado anteriormente como “esmolas” qualquer ajuda com condicionamentos e defendeu que a “comunidade internacional” já “disse o que têm que fazer”, em alusão a Washington.
Paralelamente, o vice-ministro Carlos Fernández de Cossío confirmou que Havana estava “em contato” com o Departamento de Estado para conhecer os detalhes da oferta.
A dureza do termo “limosnas” gerou indignação entre cubanos dentro e fora da ilha, com mensagens que reprovaram o governo por priorizar a retórica política em detrimento das necessidades dos afetados.
En essa mesma linha, usuários exigiram aceitar doações de alimentos, medicamentos e água sem obstáculos e criticaram a gestão da emergência em províncias como Santiago de Cuba, Holguín e Granma, onde —segundo os relatos coletados— persistem áreas isoladas, cortes de eletricidade e faltas de insumos básicos.
Este jueves, Washington expressou sua disposição para oferecer assistência humanitária imediata “sem intermediários do regime” e o Departamento de Estado lembrou a existência de isenções legais para doações privadas de itens de primeira necessidade.
Nesse contexto, a mensagem de Díaz-Canel —agradecimento a Maduro e ênfase na “soberania” como condição para aceitar ajuda— funcionou como um posicionamento político e diplomático diante da controvérsia: a aceitação de assistência continua sendo uma possibilidade desde que, segundo o discurso oficial, não implique condições que contradigam as leis cubanas.
As reações dos cidadãos, por outro lado, impõem uma resposta pragmática e transparente, focada em aliviar imediatamente a situação de milhares de famílias afetadas pelas inundações e pelos estragos deixados por Melissa.
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