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O governo da Ucrânia desmentiu nesta terça-feira as declarações do ministério das Relações Exteriores de Cuba (MINREX), que classificou como “infundadas e falsas” as acusações do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre a participação de cidadãos cubanos na guerra da Rússia contra a Ucrânia.
Através do projeto humanitário 'Quiero Vivir' (Хочу Жить), dependente da Direção Principal de Inteligência do Ministério da Defesa ucraniano, Kiev afirmou que não há nenhuma dúvida sobre a presença de milhares de mercenários cubanos integrados nas forças russas, e acusou o regime de Havana de “não fazer o suficiente para deter o recrutamento sistemático” de seus cidadãos por parte de Moscovo.
O fato de que milhares de cubanos tenham lutado e continuem lutando como parte do exército russo não é nenhum segredo há muito tempo, apontou o comunicado publicado nos canais oficiais do projeto ucraniano.
Segundo 'Quiero Vivir', que divulgou recentemente listas com nomes e contratos de combatentes estrangeiros, mais de 1.000 cubanos assinaram acordos com as Forças Armadas da Federação Russa, e o número real ultrapassaria os 5.000, como também afirma o Departamento de Estado norte-americano em uma carta diplomática enviada a diversas embaixadas pelo mundo.
O projeto, que facilita a rendição voluntária de soldados russos e estrangeiros, publicou em maio passado os dados de mais de mil cubanos contratados e entrevistou vários prisioneiros de guerra de origem cubana, entre eles Frank Darío Jarrosay Manfuga, capturado na frente oriental em 2024.
Desde então, outros compatriotas se renderam às forças ucranianas, entre eles Ernesto-Michel Pérez Albelaes, natural de Sancti Spíritus, que assinou seu contrato com o exército russo em 28 de agosto de 2025.
As fontes ucranianas afirmam que a presença de cubanos em centros de treinamento militar russos é constante, e que recebem relatórios regulares de novos grupos que chegam de Cuba, assim como de dezenas de baixas registradas entre as fileiras estrangeiras.
O projeto paralelo 'Quero Encontrar', dedicado a localizar soldados desaparecidos, também recebeu solicitações de familiares cubanos que buscam notícias de seus parentes recrutados pela Rússia.
“Não há nenhuma dúvida sobre a participação de mercenários cubanos na guerra da Rússia contra a Ucrânia. A questão é saber se o governo cubano está fazendo o suficiente para impedi-lo”, afirmou a declaração.
O comunicado reconheceu que os tribunais cubanos realizaram nove julgamentos por crimes de mercenarismo, com quarenta acusados, mas considerou que esses processos são "insuficientes" frente à magnitude do fenômeno.
A quantidade de fundos e esforços investidos pela Rússia na criação de redes de recrutamento requer uma resposta mais ativa se Cuba realmente se opõe a essas práticas ilegais”, apontou o texto.
A Ucrânia instou Havana a seguir o exemplo da Índia, cujo governo exigiu ao Kremlin que interrompesse o recrutamento e repatriasse os cidadãos indianos alistados no exército russo.
“É possível resolver o problema se houver vontade política”, afirmou 'Quero Viver', alertando que, por enquanto, os esforços diplomáticos de Cuba parecem se dirigir contra aqueles que denunciam o problema e não contra aqueles que enviam seus cidadãos ao massacre.
A mensagem de Kiev também questionou o desinteresse do regime pelos cubanos capturados na linha de frente.
“Esperamos que as autoridades cubanas demonstram interesse pelo destino de seus cidadãos que lutaram contra a Ucrânia e foram capturados. Essas pessoas se tornaram desnecessárias, na Rússia e em seu país natal”, concluiu o comunicado.
O pronunciamento ucraniano chega apenas dias depois que o ministério das relações exteriores cubano rejeitou as acusações de Washington e assegurou que “Cuba não faz parte do conflito armado na Ucrânia nem participa com pessoal militar em nenhum país”.
No entanto, os dados divulgados por meios internacionais, junto com os testemunhos de combatentes e familiares, demonstram uma participação maciça de cidadãos cubanos recrutados pela Rússia desde 2023, em muitos casos sob engano ou falsas promessas de trabalho.
Enquanto Havana insiste em uma política de "tolerância zero" em relação ao mercenarismo, a Ucrânia afirma que a inação do regime transforma esse lema em uma farsa.
Entre os despachos diplomáticos, os voos Moscovo–Varadero e os contratos assinados em bases de treinamento de Riazán, teceu-se uma realidade que o governo cubano já não pode negar: milhares de seus cidadãos lutam e morrem em uma guerra alheia, sob uma bandeira que não é a sua.
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