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O governo de Donald Trump revogou os vistos da esposa e da filha de 10 anos do ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, em retaliação pelo seu papel na criação do programa Mais Médicos, que contou com a participação de milhares de médicos cubanos.
Padilha não foi sancionado diretamente porque seu visto americano havia expirado em 2024, mas fica impedido de solicitar um novo visto. A medida, confirmada pela BBC Mundo, gerou a indignação do ministro, que a qualificou como um castigo “covarde” contra sua família.
Estou absolutamente indignado. É um ato covarde que afeta uma menina de dez anos, que afeta minha esposa, declarou Padilha ao canal Globo News. “As pessoas que fazem isso, o clã Bolsonaro, têm que explicar ao mundo qual é o risco que uma criança pode representar para o governo dos Estados Unidos”, acrescentou.
Padilha rejeitou as acusações e defendeu a política de saúde como "o maior programa de provisão médica do mundo", com 28 mil profissionais atualmente em serviço, a maioria brasileiros.
Recordou que no passado Cuba tinha médicos destacados em mais de 60 países e que outros governos ainda mantêm acordos com a ilha sem serem sancionados. “Qual é a explicação para que não haja sanções contra esses países e sim contra os funcionários brasileiros e a família do ministro da Saúde?”, questionou.
A decisão está inserida na política de restrições migratórias contra funcionários brasileiros e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPS) devido à sua participação no Mais Médicos, um programa lançado em 2013 pelo governo de Dilma Rousseff para suprir a falta de profissionais em áreas remotas e periféricas.
O secretário de Estado, Marco Rubio, acusou Padilha e outros responsáveis de terem facilitado o que descreveu como um “esquema de exportação de trabalho forçado” do regime cubano. Washington afirma que Havana explorou seus profissionais, retendo grande parte de seus salários e restringindo sua mobilidade.
“A cumplicidade com o regime cubano enriqueceu um governo corrupto e privou os próprios cubanos de atendimento médico”, disse Rubio ao anunciar a medida.
Além disso, houve sanções, anunciadas em 13 de agosto, contra Mozart Sales, atual secretário de Atenção Especializada do Brasil, e Alberto Kleiman, ex-funcionário vinculado ao programa. Ambos foram apontados por facilitar a intermediação da OPS com o governo cubano.
Um dia depois, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA reafirmou que continuará agindo contra “todos os responsáveis pelo esquema coercitivo de exportação de mão de obra médica” e qualificou Mais Médicos como “uma fraude diplomática”.
Por sua parte, o regime cubano defende suas brigadas como “solidárias” e “salvadoras de vidas”, mas enfrenta uma hemorragia de profissionais. Somente em 2023, mais de 13 mil médicos abandonaram o sistema de saúde da ilha, segundo números oficiais.
A perda de pessoal agrava a crise sanitária interna, com hospitais sobrecarregados e milhares de cubanos denunciando a falta de especialistas. Enquanto isso, o programa brasileiro mantém ativos 2.659 profissionais cubanos, apesar das críticas e sanções internacionais.
Perguntas frequentes sobre as sanções dos EUA ao programa Mais Médicos do Brasil
Por que os Estados Unidos revogaram os vistos do Ministro da Saúde do Brasil e de sua família?
Os Estados Unidos revogaram os vistos como retaliação pelo papel de Alexandre Padilha na criação do programa Mais Médicos, que incluía a participação de médicos cubanos em condições que Washington considera trabalho forçado. As sanções estão inseridas em uma política mais ampla contra funcionários que colaboram com o regime cubano na exportação de serviços médicos.
O que é o programa Mais Médicos do Brasil e por que foi sancionado?
O programa Mais Médicos foi criado para suprir a falta de profissionais de saúde em áreas remotas do Brasil. Os Estados Unidos consideram que o programa funcionou sob um esquema de trabalho forçado, uma vez que os médicos cubanos estavam sujeitos a condições restritivas e seus salários eram retidos em parte pelo governo cubano. Essa situação levou Washington a impor sanções aos envolvidos em sua implementação.
Qual é a postura do Brasil e de Cuba em relação às sanções dos EUA?
O Brasil, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, defende o programa Mais Médicos como uma cooperação legítima e rejeita as sanções impostas pelos Estados Unidos. Por sua vez, Cuba afirma que suas brigadas médicas são "missões solidárias" e não uma forma de exploração laboral, apesar das acusações e sanções internacionais.
Como a perda de médicos devido ao programa Mais Médicos afeta Cuba?
A perda de médicos agrava a crise sanitária interna em Cuba, onde a falta de especialistas é um problema crescente. Em 2023, mais de 13.000 médicos abandonaram o sistema de saúde cubano, o que deixou os hospitais sobrecarregados e aumentou as reclamações dos cidadãos pela escassez de atendimento médico.
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