A cubana Yadira, médica de profissão que atualmente vive em Denia, Alicante, publicou nesta quarta-feira um vídeo em que responde a um comentário que a recriminava por "reclamar" apesar de ganhar mais do que em Cuba.
O questionamento, deixado em uma publicação anterior, dizia: “Em Cuba você ganha €200 por mês e na Espanha €12 por hora, do que você se queixa? Já sabe o que fazer se não está satisfeito.”
"Trabalhe honestamente e não dê atenção aos comentários. Se lhe disserem para ir embora, trabalhe mais duro. Pense no seu motor, aquele que o impulsiona a extrair o melhor de você. Não volte atrás, siga em frente, a cada dia a meta se aproxima mais”, escreveu a doutora ao compartilhar sua resposta na qual esclareceu que emigrou “por necessidade, não por vontade própria” e que em Cuba não ganhava 200 euros, mas “cerca de 15 euros por mês, o que equivale a 5.500 pesos cubanos, que era meu salário como médica quando deixei Cuba”.
Adicionou que chegou à Espanha há um mês, que agradece por ter trabalho limpando chalés —“talvez você seja o próximo a vir passar férias aqui em Denia”— e que não se envergonha de seu emprego atual: “Faria o que fosse necessário para levar alimento para casa, e também não vou voltar”.
No mesmo mensagem, pediu a outros emigrantes para não se deixarem vencer pelas críticas: “Sempre haverá quem te critique, mas nunca vi alguém que tenha conquistado muito na vida criticar aqueles que estão começando. Geralmente, as pessoas que criticam é porque têm tempo sobrando para fazê-lo, e, se você observar bem, essas pessoas nunca serão vitoriosas. Foque na sua meta e lembre-se de qual foi o motor que te impulsionou a tomar essa decisão”.
A publicação, pouco após ser compartilhada, recebeu mensagens de apoio como “Seja muito bem-vinda à Espanha e é uma grande honra o seu trabalho” ou “Seus sonhos se tornarão realidade, você tem a oportunidade de validar seu diploma e alcançar suas metas”, junto a testemunhos de outros migrantes que afirmam que “não é vergonhoso trabalhar” e que a Espanha lhes ofereceu “mais do que seu país de origem”.
O comentário que provocou esta resposta foi deixado em uma publicação anterior, na qual Yadira participava de um desafio viral entre emigrantes cubanos, usando como fundo a canção No ha sido fácil de Pablo Milanés. Sob o título: “O que fui em Cuba vs o que sou na Espanha. De ser médica a limpar casas, mas honrada”, escreveu: “Me uno ao desafio, o que fui no meu país vs o que sou na Espanha. Incrivelmente aqui vivo melhor, tenho paz, tenho comida, tenho liberdade, tenho segurança. E se algum dia Deus permitir, serei doutora novamente”.
O post é composto por uma primeira imagem na qual aparece de bata branca em um consultório, e na qual se lê: “Em Cuba: Doutora. Vendedora de roupas. Fazia doces. Quanto mais negócios aparecessem para ganhar um pouquinho mais”. A segunda imagem a mostra com roupas de rua e produtos de limpeza, acompanhada do texto: “Na Espanha, Limpeza de casas e o que for necessário para avançar”.

O post acumulou centenas de comentários. Uma usuária disse: “Você é um exemplo a ser seguido, em breve voltará a vestir seu jaleco branco.” Outra mensagem afirmava: “O trabalho que você faz, desde que seja digno, é digno de honra.” Vários a aconselharam a iniciar o processo de homologação do seu diploma e a garantiram que na Espanha “sim, o esforço dos médicos é valorizado.”
Um contexto de luta para exercer a medicina
A situação que descreve Yadira não é isolada. Muitos médicos cubanos na Espanha enfrentam longos processos para homologar seus títulos, que em algumas ocasiões se estendem por anos. Alguns, como Lisbet Peña González e Luis Enrique Ferrer Silva, celebraram recentemente a possibilidade de exercer após mais de um ano de espera, enquanto outros, como Sam Sabater, esperaram mais de três.
Além da demora administrativa, alguns profissionais são afetados pela negativa do Ministério da Saúde Pública de Cuba em emitir o certificado de “não inabilitação”, requisito para a inscrição. Segundo denúncias de médicos e associações, essa medida visa punir aqueles que emigraram sem autorização, deixando-os em empregos precários, apesar de sua qualificação.
Nesse contexto, Yadira afirma que não se arrepende de sua decisão e que continuará trabalhando “honestamente” até alcançar seu objetivo de voltar a exercer a medicina na Espanha.
Perguntas frequentes sobre a experiência de emigrantes cubanos na Espanha
Por que Yadira, uma médica cubana, decidiu emigrar para a Espanha?
Yadira emigrou para a Espanha por necessidade, não por gosto próprio. Em seu país, ganhava cerca de 15 euros por mês como médica, o que não lhe permitia viver dignamente. Apesar de trabalhar atualmente limpando casas, valoriza a paz, a comida e a segurança que encontrou na Espanha.
Que desafio enfrentam os médicos cubanos para atuar na Espanha?
Os médicos cubanos na Espanha enfrentam longos processos para homologar seus títulos, que podem se estender por anos. Além disso, alguns enfrentam dificuldades adicionais devido à negativa do Ministério da Saúde Pública de Cuba em emitir o certificado de "não inabilitação", necessário para se registrar e exercer no país. Este processo burocrático é um obstáculo significativo para poder exercer sua profissão no exterior.
Como Yadira responde às críticas sobre sua situação profissional na Espanha?
Yadira responde às críticas com firmeza e dignidade, afirmando que trabalha honestamente e não tem vergonha de seu emprego atual limpando chalés. Destaca que sua decisão de emigrar foi motivada pela necessidade e que seu objetivo é conseguir a equivalência de seu diploma médico para atuar novamente em sua área profissional.
Qual é a mensagem de Yadira para outros emigrantes cubanos que enfrentam críticas?
Yadira anima outros emigrantes a não se deixar vencer pelas críticas e a focar em suas metas. Sugere que aqueles que criticam costumam ser pessoas que não conseguiram muito em suas vidas. Recomenda não retroceder, seguir em frente e lembrar o motivo que impulsionou sua decisão de emigrar.
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