O regime cubano romantiza o serviço militar: “Há recreação e lazer”

O regime cubano apresenta o serviço militar obrigatório como uma oportunidade de formação e lazer, mas enfrenta críticas devido às duras condições, maus-tratos e riscos denunciados por ex-soldados e familiares.


O canal oficialista Perlavisión, da província de Cienfuegos, divulgou uma reportagem na qual apresenta uma visão distorcida do serviço militar obrigatório em Cuba, destacando supostas oportunidades de recreação e lazer para os recrutas.

Segundo o material televisivo, o serviço militar vai "além das habilidades militares", garantindo que os soldados dispõem de áreas para recreação e lazer em seu tempo livre.

Também se menciona que a permanência nas Forças Armadas Revolucionárias (FAR) tem uma duração de dois anos, ou de 14 meses sob a condição de diferido, permitindo que os jovens "saíam para a vida civil capazes de enfrentar diversas situações".

O reportagens incluiu depoimentos de recrutas que insistiram que o serviço militar é um "ensino para a vida cotidiana", onde se inculcam valores e se recebe formação para o futuro.

En palavras de um dos soldados entrevistados: "Temos uma boa alimentação, um dormitório e cumprimos várias funções, mas também temos nossos direitos invioláveis".

O conteúdo também destaca a suposta autossuficiência alimentar dentro das unidades militares, afirmando que os soldados cultivam seus próprios alimentos e participam de atividades de autoconsumo.

No obstante, as versões oficiais contrastam com as denúncias de ex-soldados e familiares que expuseram as duras condições nos quartéis, incluindo maus-tratos, trabalhos forçados e a falta de opções para aqueles que se recusam a cumprir com o serviço obrigatório.

Nos últimos anos surgiu em Cuba uma crescente oposição ao serviço militar obrigatório, liderada por pais, ativistas e organizações da sociedade civil. A campanha ganhou força, especialmente após incidentes trágicos que evidenciaram os riscos e as condições adversas enfrentadas pelos jovens recrutas.

Um dos detonadores mais significativos foi o incêndio na Base de Supertanqueros de Matanzas em agosto de 2022, onde vários recrutas perderam a vida enquanto participavam nas operações de extinção do fogo.

Este evento provocou uma onda de indignação nas redes sociais, onde internautas cubanos usaram a hashtag #NoAlServicioMilitarObligatorio para exigir a revogação da lei que obriga os adolescentes do sexo masculino a se inscreverem no registro militar ao completarem 16 anos.

Em janeiro de 2025, outra tragédia em um depósito de munições em Holguín, que resultou na desaparecimento de nove jovens soldados e quatro militares, revitalizou a campanha. Ativistas e organizações como Impacto Juvenil Republicano lideraram protestos em diversas províncias, denunciando o SMO como um sistema opressivo e perigoso para a juventude cubana.

Além disso, recentemente surgiram casos alarmantes que contradizem a narrativa oficial, como é o caso de um jovem que sofreu um deterioro físico extremo após ser punido em uma unidade militar.

Segundo o ordenamento jurídico cubano, o serviço militar é obrigatório para homens maiores de 17 anos, com um período de até dois anos nas FAR. Para as mulheres, a incorporação é voluntária, embora nos últimos anos tenham se intensificado as campanhas para incentivar seu alistamento.

Asimismo, em outubro de 2024, foi aprovado o Decreto 103/2024, que impõe multas de até 7.000 pesos cubanos àqueles que não se inscreverem no registro militar ou não comparecerem quando são convocados pelo Comitê Militar. Além disso, os pais ou tutores de menores de idade são considerados responsáveis pelas infrações cometidas por estes.

Perguntas frequentes sobre o Serviço Militar Obrigatório em Cuba

Como o regime cubano apresenta o serviço militar obrigatório?

O regime cubano apresenta o serviço militar obrigatório como uma oportunidade de formação e recreação, destacando supostas oportunidades de lazer e entretenimento para os recrutas. No entanto, essa visão é criticada por contrastar com as denúncias de condições duras e perigosas relatadas por ex-soldados e familiares.

Quais são as sanções por não cumprir o serviço militar em Cuba?

O Decreto 103/2024 impõe multas de até 7.000 pesos cubanos àqueles que não se inscreverem no registro militar ou não se apresentarem quando convocados. Além disso, os pais ou tutores são considerados responsáveis pelas infrações cometidas por menores. Essas sanções visam reforçar o controle sobre o alistamento e a participação em atividades de defesa.

Qual é a duração do serviço militar obrigatório em Cuba?

O serviço militar obrigatório em Cuba tem uma duração de dois anos, ou de 14 meses sob a condição de diferido. Este é um requisito imposto aos homens a partir dos 17 anos, enquanto que para as mulheres a incorporação é voluntária, embora seja ativamente promovida.

Quais incidentes motivaram a rejeição ao serviço militar obrigatório em Cuba?

O rejeição ao serviço militar obrigatório tem sido impulsionada por incidentes trágicos como o incêndio na Base de Supertanqueros de Matanzas em 2022, onde vários recrutas perderam a vida, e a explosão em um armazém de munições em Holguín em 2025, que resultou na desaparecimento de nove jovens soldados. Esses eventos intensificaram os protestos e a campanha "Não ao Serviço Militar Obrigatório".

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