Desde pão com lechón até restaurantes: cubanos empreendem e se estabelecem na Nicarágua

Cuban migrants na Nicarágua estão impulsionando negócios, como a venda do tradicional pão com lechão, aproveitando o visto livre e a falta de oportunidades em Cuba. Especialistas sugerem que uma regularização migratória poderia potencializar seu impacto econômico.

Nicarágua se enche de negócios cubanos, enquanto a ilha perde seu povoFoto © Captura de vídeo no Youtube/VOS TV

Desde 2019, a comunidade cubana na Nicarágua tem crescido de forma constante e, segundo testemunhos de migrantes, o fluxo pode aumentar nos próximos anos, impulsionado pelo visto livre que está em vigor desde 2021 e pela falta de oportunidades na ilha.

Imilsi Ramírez e Yovana Hernández fazem parte desta onda migratória. Chegaram há poucos meses com suas famílias e hoje vendem pão com lechón (também conhecido como porco) no setor de Altamira da capital nicaraguense.

Conseguiram isso após investir suas economias e, em alguns casos, vender todos os seus pertences em Cuba para custear passagens de até 1.500 dólares.

Assim foi refletido em um reportagens da emissora VOS TV, que mostrou como cubanos escaparam da ilha em busca de uma vida melhor e, na terra de lagos e vulcões da América Central, buscam formas de se reerguer por meio de diferentes empreendimentos.

As redes sociais criadas por Ramírez no Facebook e WhatsApp se tornaram espaços de consulta para cubanos interessados em emigrar. Eles perguntam sobre emprego, legalização e custos de vida, com a esperança de trazer suas famílias e se estabelecer de forma definitiva.

Em Managua, as oportunidades para empreender superam as de outras cidades, embora os custos de aluguel e manutenção sejam mais altos.

Segundo a fonte, alguns bairros têm concentrado dezenas de cubanos, e seus negócios buscam manter o sabor original da cozinha da ilha graças a ingredientes mais acessíveis do que em Cuba.

O restaurante “Q Rico Asere”, de Aldo Góngora Milanés, é um exemplo do sucesso possível. Inaugurado há dois anos no Bairro Cuba, começou com um investimento mínimo e se reinventou várias vezes para se manter rentável, inspirando outros migrantes.

Especialistas como a consultora migratória Lorena Vargas alertam que esse potencial econômico poderia ser fortalecido se o governo nicaraguense implementasse um plano de regularização extraordinário para os cubanos, concedendo-lhes residência temporária ou permanente e facilitando sua contribuição fiscal e comercial ao país.

Enquanto isso, a permanência de muitos dependerá de que Nicaragua mantenha o livre visto, um benefício que para centenas de famílias se tornou a porta de saída diante de uma Cuba cuja crise multissistêmica e regime político autoritário que reprime as críticas à sua gestão fracassada continua expulsando seus cidadãos.

É comum que os cubanos se inclinem pelo negócio da venda de comidas para empreender.

Em novembro de 2024, em um vídeo publicado no TikTok, Góngora compartilhou sua emocionante história de superação por meio de um empreendimento familiar que começou vendendo pão com leitoa e doces nas ruas.

Com fé e perseverança, conseguiu progredir pouco a pouco: adquiriu melhores utensílios, reuniu sua família e recebeu o apoio de amigos que contribuíram com doações, como um guarda-sol e camisas com o logotipo de seu negócio, "Q’Rico Asere".

Além de construir um negócio próspero, Góngora demonstrou sua generosidade ao compartilhar comida e bebidas com crianças em um semáforo, refletindo seu compromisso com a comunidade.

Jans Plasencia García é outro jovem cubano que está se destacando em Managua, vendendo o tradicional pão com leitão, o qual teve boa aceitação entre os locais, reportou a rede VOS TV.

Plasencia, cozinheiro por profissão em Cuba, sonha em abrir seu próprio restaurante na Nicarágua dedicado à comida de seu país natal.

Relatou que entre seus clientes estão os próprios conterrâneos que degustam seus produtos movidos, sobretudo, pela nostalgia.

Dos cubanas residentes em Tampa, Florida, com apenas dois anos de vida nos Estados Unidos, aventuraram-se a montar um food truck, uma experiência que compartilharam nas redes sociais para inspirar outros compatriotas.

Uma delas, que também atua como "anfitriã" em cada episódio publicado no TikTok (@lacalientefoodtruck), explicou que esta história é de superação: “Com apenas dois anos nos Estados Unidos, começamos nosso próprio negócio de food truck em Tampa”.

Em Louisville, Kentucky, alguns cubanos atraíram a atenção vendendo tamales caseiros a dois dólares.

Perguntas frequentes sobre a migração de cubanos para a Nicarágua

Por que os cubanos estão emigrando para a Nicarágua?

A emigração de cubanos para a Nicarágua se intensificou devido à falta de oportunidades econômicas e à crise multissistêmica em Cuba. A isenção de visto para a Nicarágua desde 2021 tem facilitado esse fluxo migratório, tornando-se uma saída viável para aqueles que buscam melhores condições de vida.

Que tipo de negócios os cubanos estão abrindo na Nicarágua?

Os cubanos na Nicarágua estão abrindo principalmente negócios de comida, como venda de pão com porco e restaurantes, aproveitando a acessibilidade de ingredientes que não encontram em Cuba. Esses empreendimentos buscam manter o sabor original da culinária cubana.

Como as redes sociais estão ajudando os cubanos na Nicarágua?

As redes sociais têm servido como plataformas de consulta para cubanos interessados em emigrar para a Nicarágua. Através do Facebook e WhatsApp, os migrantes compartilham informações sobre emprego, legalização e custos de vida, facilitando o processo de assentamento para aqueles que desejam se estabelecer no país.

Quais desafios os cubanos enfrentam ao empreender na Nicarágua?

Os cubanos enfrentam altos custos de aluguel e manutenção em Managua, o que representa um desafio adicional ao iniciar seus negócios. No entanto, a cidade oferece mais oportunidades para empreender em comparação com outros locais, o que tem incentivado muitos a tentar.

Qual é o impacto potencial dos cubanos na economia nicaraguense?

O impacto potencial dos cubanos na economia nicaraguense poderia ser significativo se o Governo implementasse um plano de regularização extraordinário. Isso permitiria que os cubanos obtivessem residência temporária ou permanente, facilitando sua contribuição fiscal e comercial ao país.

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