Mais da metade dos cubanos em idade ativa não trabalha nem busca emprego

Cinquenta vírgula um por cento dos cubanos com 15 anos ou mais não participa do mercado de trabalho, enquanto o emprego informal representa vinte vírgula um por cento do total de ocupações.

População cubana (Imagem de referência)Foto © CiberCuba

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A mais recente Pesquisa Nacional de Ocupação (ENO) revela que 50,1% da população cubana de 15 anos ou mais está fora da força de trabalho, ou seja, não trabalha nem busca emprego ativamente.

Os dados foram compartilhados nesta segunda-feira em um tópico na rede social X pela Oficina Nacional de Estatística e Informação (ONEI), que detalhou que apenas 49,9% dessa população faz parte da força de trabalho, incluindo ocupados e desocupados.

Dos mais de 8,4 milhões de cubanos em idade de trabalhar, 4,13 milhões estão ocupados e apenas 69.333 são considerados desempregados —pessoas que estão em busca de emprego e disponíveis para iniciar.

Isto indica um baixo dinamismo no mercado de trabalho formal, um problema muito sério na sociedade cubana atual.

A ONEI também alerta sobre o envelhecimento da força de trabalho: 52,1 % dos ocupados têm 45 anos ou mais.

Além disso, observa-se um alto nível de escolaridade, com 76,5% da população possuindo nível técnico médio, pré-universitário ou superior.

Cinco províncias concentram 51,1% do emprego: Havana (18,4%), Santiago de Cuba (9,8%), Holguín (8,2%), Granma (7,4%) e Villa Clara (7,3%).

Por outro lado, o emprego informal representa 20,1% do total de ocupados, com predominância masculina (77,2%).

Em números absolutos, há 831.063 trabalhadores informais, dos quais 749.094 pertencem ao setor não estatal e 81.969 ao estatal.

Dentro do setor não estatal, 58,5% dos trabalhadores informais são autônomos, proporção que sobe para 70,1% ao incluir aqueles contratados por outros privados ou por famílias.

O relatório também destaca que as mulheres representam 63,5% das pessoas fora da força de trabalho, com maior presença em áreas urbanas.

Segundo relatórios da agência EFE, Cuba apresenta uma das taxas de ocupação mais baixas da América Latina e do Caribe, com 49,1%, em comparação a uma média regional de 58,9%, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A isso se soma um marcado envelhecimento da força de trabalho e a crescente migração de jovens, o que tem gerado uma escassez de mão de obra ativa.

Além disso, entre 2021 e 2024, o salário médio real ajustado à inflação reduziu-se em 33,5 %, segundo cálculos do economista Pedro Monreal, o que agrava ainda mais a falta de incentivos para se inserir no emprego formal na ilha.

Perguntas Frequentes sobre o Emprego e a Situação Demográfica em Cuba

Por que mais da metade dos cubanos em idade ativa não trabalha nem procura emprego?

50,1% da população cubana com 15 anos ou mais está fora da força de trabalho. Isso se deve a vários fatores, como o baixo dinamismo do mercado de trabalho formal, o envelhecimento da população e as condições econômicas adversas que desincentivam a busca por emprego formal. Além disso, o contexto econômico e social do país, marcado pela inflação e pela escassez de oportunidades, contribui para essa situação.

Que papel desempenham as mulheres na força de trabalho em Cuba?

As mulheres representam 63,5% daquelas que estão fora da força de trabalho. Esta situação deve-se em parte à carga desproporcional do trabalho doméstico não remunerado que recai sobre elas, um problema persistente na sociedade cubana. Apesar dos avanços na igualdade formal, os papéis tradicionais de gênero ainda limitam as oportunidades de desenvolvimento profissional para as mulheres em Cuba.

Quais são os desafios demográficos que Cuba enfrenta atualmente?

Cuba enfrenta um envelhecimento acelerado de sua população, com mais de um quarto de seus habitantes acima de 60 anos. Este fenômeno, combinado com a baixa natalidade e a migração em massa de jovens, gera uma pressão significativa sobre o sistema de pensões e de saúde, e apresenta sérios desafios econômicos e sociais para o futuro do país. A relação de dependência de pessoas idosas também aumentou, refletindo a crescente carga sobre a população ativa.

Como a situação econômica afeta o mercado de trabalho cubano?

O salário médio em Cuba mal equivale a 17 dólares mensais na taxa de câmbio informal. Essa realidade econômica, caracterizada pela alta inflação e pelo baixo poder aquisitivo, desincentiva a participação no mercado de trabalho formal. Além disso, o emprego informal constitui 20,1% do total de ocupados, refletindo a precariedade do trabalho formal na ilha.

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