Corte de apelações anula decisão de desacato contra a administração Trump por deportações para El Salvador

Uma corte de apelações anulou o desacato imposto a Trump por deportações para El Salvador, destacando a limitação judicial na política externa.

Vista aérea do CECOTFoto © Flickr / Casa Presidencial, El Salvador

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Uma corte federal de apelações anulou nesta sexta-feira a decisão por desacato que um juiz havia imposto à administração do presidente Donald Trump em um caso relacionado às deportações de migrantes venezuelanos para uma prisão de segurança máxima em El Salvador.

O painel de três juízes, com dois votos a favor e um contra, concluiu que o juiz de distrito James E. Boasberg excedeu sua autoridade e interferiu nas competências do Poder Executivo em matéria de política externa.

Os magistrados Gregory Katsas e Neomi Rao —ambos nomeados por Trump— apoiaram a opinião majoritária que qualificou a ordem de Boasberg como uma tentativa de “controlar a condução dos assuntos externos” por parte do Executivo, um âmbito onde o poder judiciário tem “seu ponto mais baixo de influência”.

Em desacordo, a juíza Cornelia Pillard, nomeada por Barack Obama, acusou a maioria de “prejudicar gravemente um juiz exemplar” e de minar os esforços para defender a autoridade judicial.

Boasberg havia encontrado causas prováveis para declarar em desacato a administração Trump, depois que aviões com migrantes decolaram em direção a El Salvador, apesar de que, segundo disse na audiência, deveriam retornar aos EUA.

O juiz acusou os funcionários de utilizar a Lei dos Inimigos Estrangeiros para acelerar deportações antes que os afetados pudessem contestá-las nos tribunais, e de ignorar sua instrução verbal.

O governo defendeu sua atuação alegando que a ordem de Boasberg nunca se concretizou em um documento escrito e, portanto, não estavam obrigados a cumprir um mandado oral.

Os 250 migrantes foram enviados ao Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), onde permaneceram por meses até serem liberados em uma troca de prisioneiros com os EUA.

O caso gerou tensões fortes entre os poderes judicial e executivo, e resultou até mesmo em uma denúncia incomum por má conduta judicial contra Boasberg apresentada pelo Departamento de Justiça.

Após a divulgação da decisão do recurso, a procuradora-geral Pam Bondi comemorou o que classificou como uma “grande vitória” em defesa do uso da Lei de Inimigos Estrangeiros por parte de Trump, prometendo continuar “ganhando nos tribunais”.

Por sua parte, o advogado da ACLU, Lee Gelernt, que representa os migrantes, afirmou que a ordem do juiz era “inequívoca” e adiantou que estão avaliando “todas as opções” para responder à decisão.

Especialistas alertam que essa decisão pode ter implicações de longo alcance sobre os limites do poder judiciário para impedir ações do Executivo em questões migratórias e de política externa.

Perguntas frequentes sobre a anulação da decisão de desacato contra a administração Trump por deportações para El Salvador

Por que o tribunal de apelações anulou a decisão de desobediência contra a administração Trump?

O tribunal de apelações anulou a decisão de desobediência porque considerou que o juiz James E. Boasberg excedeu sua autoridade e interferiu nas atribuições do Poder Executivo em matéria de política exterior. Os juízes Gregory Katsas e Neomi Rao apoiaram essa opinião, argumentando que o poder judiciário tem uma influência limitada em assuntos de política exterior.

Qual foi a origem do desrespeito que foi imputado à administração Trump?

O desacato teve origem quando a administração Trump deportou migrantes para El Salvador apesar de uma ordem do juiz Boasberg que proibia essas ações. O juiz acusou a administração de usar a Lei de Inimigos Estrangeiros para acelerar as deportações sem permitir que os afetados contestassem a decisão nos tribunais.

O que é a Lei de Inimigos Estrangeiros e por que foi utilizada neste caso?

A Lei dos Inimigos Estrangeiros é uma legislação do século XVIII que permite a detenção e expulsão de cidadãos de países inimigos durante conflitos armados. A administração Trump a invocou para deportar rapidamente migrantes venezuelanos acusados de pertencer a gangues criminosas, o que gerou controvérsia por sua aplicação em tempos de paz.

Que repercussões este julgamento de apelação pode ter para o poder judiciário e o executivo nos Estados Unidos?

Esta decisão pode limitar a capacidade do poder judiciário de conter ações do Executivo em questões migratórias e de política externa. Ao anular a decisão de desobediência, fortalece-se a autoridade do Executivo diante de decisões judiciais, o que pode estabelecer um precedente sobre os limites de cada ramo do governo.

Como as partes envolvidas reagiram à decisão do tribunal de apelações?

A procuradora geral Pam Bondi comemorou a decisão como uma "grande vitória" para a administração Trump, enquanto o advogado da ACLU, Lee Gelernt, que representa os migrantes, criticou a decisão e antecipou que estão avaliando "todas as opções" para responder à decisão da apelação.

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