Corte Suprema dos EUA autoriza Trump a retomar deportações para terceiros países

O Supremo dos EUA autorizou Trump a deportar imigrantes para terceiros países, revogando uma ordem anterior que exigia a avaliação de riscos de tortura ou morte.

Corte Suprema dos Estados Unidos (Imagem de referência)Foto © Wikimedia

A Corte Suprema dos Estados Unidos autorizou nesta segunda-feira o presidente Donald Trump a retomar as deportações de migrantes para países diferentes de seus locais de origem, ao anular uma ordem judicial anterior que exigia do Governo dar aos afetados uma oportunidade significativa para explicar os riscos que enfrentariam nesses destinos.

Segundo BBC, com uma votação de 6-3, a maioria conservadora da Corte reverteu a decisão do juiz Brian Murphy, de Boston, que em abril havia bloqueado essas deportações ao considerar que poderiam implicar tortura ou morte para os migrantes se fossem enviados a terceiros países.

O caso envolvia oito migrantes provenientes de Myanmar, Sudão do Sul, Cuba, México, Laos e Vietnã, que foram deportados no mês passado em um voo com destino ao Sudão do Sul.

A administração Trump os qualificou como “os piores dos piores”, embora os advogados dos migrantes aleguem que vários deles não têm antecedentes criminais.

As juízas liberais Sonia Sotomayor, Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson criticaram severamente a decisão da maioria, acusando o tribunal de premiar a ilegalidade.

Sotomayor apontou que a Corte havia preferido o risco de que milhares sofressem violência em países distantes à possibilidade de que um juiz tivesse extrapolado suas atribuições ao exigir garantias mínimas de processo legal.

O veredicto também representa uma nova vitória para Trump em sua agenda de deportações em massa.

Em decisões recentes, o Supremo já havia permitido encerrar o Estatus de Proteção Temporária (TPS) para venezuelanos e suspender um programa humanitário que beneficiava quase meio milhão de migrantes de Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela.

A decisão poderia ser aplicada imediatamente e abre a porta para deportações sem aviso prévio nem garantias mínimas

A medida poderia ser aplicada imediatamente, conforme adiantou o Departamento de Segurança Nacional, que celebrou a decisão como um triunfo para a “segurança do povo estadunidense”, ressaltou um relatório da agência AP.

Oito migrantes que já haviam sido embarcados em um avião com destino ao Sudão do Sul —entre eles cidadãos de Cuba, Myanmar e Vietnã— foram finalmente transferidos para uma base militar em Jibuti, após a intervenção do juiz Murphy para impedir sua deportação.

Os advogados dos afetados afirmam que alguns não têm antecedentes criminais e que todos foram notificados com menos de 16 horas de antecedência, sem possibilidade real de assessoria jurídica.

A defesa alerta que eles podem enfrentar tortura ou até mesmo a morte se forem enviados para países que não são os seus e onde não têm redes de apoio.

Sotomayor, em seu voto dissidente, acusou o Governo de agir “sem restrições legais” e alertou que a Corte estava permitindo deportações sem o devido processo.

Segundo a magistrada, os migrantes ficaram expostos a “violência em lugares remotos” devido a uma decisão que considerou “incompreensível e inexcusável”.

A decisão reforça a ofensiva migratória do presidente Trump, em um momento em que sua administração fechou acordos com países como Panamá e Costa Rica para abrigar migrantes diante da recusa de outros Estados em aceitar deportações dos EUA.

Perguntas frequentes sobre a decisão da Suprema Corte dos EUA e as deportações para terceiros países

O que decidiu a Corte Suprema dos Estados Unidos sobre as deportações para terceiros países?

A Corte Suprema dos Estados Unidos autorizou o presidente Donald Trump a retomar as deportações de migrantes para países distintos de seus locais de origem, revogando uma ordem judicial anterior que exigia do Governo a concessão a os afetados de uma oportunidade significativa para explicar os riscos que enfrentariam nesses destinos.

Quais são as implicações dessa decisão para os migrantes?

A decisão da Suprema Corte permite que as deportações sejam realizadas sem aviso prévio nem garantias mínimas de defesa legal, o que expõe os migrantes a riscos de violência, tortura ou morte nos países receptores. Isso representa um retrocesso nos direitos dos migrantes e reforça a ofensiva migratória de Trump.

Qual é a opinião das juízas do tribunal sobre essa decisão?

As juízas liberais Sonia Sotomayor, Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson criticaram fortemente a decisão da maioria, acusando o tribunal de premiar a ilegalidade. Sotomayor destacou que a Corte havia preferido o risco de que milhares sofressem violência em países distantes à possibilidade de que um juiz tivesse excedido suas atribuições ao exigir garantias mínimas de devido processo legal.

O que acontece com o parole humanitário após esta decisão?

A administração Trump ordenou a cancelamento imediato do parole humanitário para mais de 530 mil migrantes de Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela, exigindo que abandonem o país sob ameaça de deportação forçada. Esta medida anula a permissão legal de residência e trabalho concedida durante o governo de Joe Biden.

Arquivado em:

Equipe Editorial da CiberCuba

Uma equipe de jornalistas comprometidos em informar sobre a atualidade cubana e temas de interesse global. No CiberCuba, trabalhamos para oferecer notícias verídicas e análises críticas.