Plataformas independentes confirmam outros dois feminicídios em Cuba

Ambas vítimas foram assassinadas por seus parceiros. Três menores de idade foram afetados: uma foi esfaqueada e outros dois viram suas mães morrer.

Veículos de Criminalística e pessoal do MININT (Imagem de referência)Foto © Captura de vídeo do YouTube do Canal Caribe

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As plataformas independentes Yo Sí Te Creo em Cuba e o Observatório de Gênero Alas Tensas (OGAT) confirmaram neste 25 de julho dois novos feminicídios em Cuba, assim como uma tentativa de feminicídio que deixou uma menor gravemente ferida.

Com esses assassinatos, sobe para 21 o número de casos registrados até agora em 2025, de acordo com o subregistro realizado por ambos os observatórios.

As vítimas foram Yailín Requejo Miranda, de 41 anos, assassinada em Holguín, e Yailín Carrasco Pérez, de 29 anos, em Cienfuegos.

Em ambos os casos, os agressores eram seus parceiros, e pelo menos três menores de idade foram afetados: uma ficou gravemente ferida e outros dois presenciaram os crimes.

Captura de Facebook / Alas Tensas

Dos crimes brutais diante de menores

Yailín Requejo Miranda foi assassinada pelo marido em plena via pública, no bairro Cruce del Coco.

O homem a esfaqueou e, em meio ao caos, atacou a filha adolescente da mulher, que sofreu ferimentos graves e permanece hospitalizada. Seu outro filho, menor de idade, também presenciou o ocorrido.

O agressor fugiu, mas foi capturado dias depois por uma operação policial conjunta.

Em um fato sem precedentes, o meio oficialista Cubadebate classificou o crime como um "feminicídio", sendo a primeira vez que a imprensa estatal utiliza o termo para se referir a um assassinato machista ocorrido na Ilha.

O segundo feminicídio ocorreu no dia 22 de julho, quando Yailín Carrasco Pérez foi degolada pelo companheiro no bairro Pastorita da cidade de Cienfuegos.

O assassinato ocorreu por volta das 6h30, quando a jovem estava com uma de suas filhas.

Os gritos da menina alertaram os vizinhos: "Matou minha mãe!", teria gritado a criança de seis anos após testemunhar o ataque, segundo testemunhos citados pelo perfil oficialista Las Cosas de Fernanda.

O homicida foi preso. Mas o caso gerou uma indignação especial devido a uma grave denúncia: segundo o ativista Saúl Manuel, o agressor era um preso foragido.

Se este dado for confirmado, não se trataria apenas de um crime de gênero, mas também de uma negligência institucional alarmante que permitiu que um criminoso perigoso estivesse livre e cometesse um assassinato.

Reconhecer o termo "feminicídio" não é suficiente

A despeito desse reconhecimento pontual, ativistas consideram que não se trata de uma mudança de rumo por parte do Estado cubano, mas sim de uma estratégia de lavagem de imagem diante da crescente pressão internacional e da sociedade civil.

Até agora, o regime se negou sistematicamente a reconhecer a existência de feminicídios no país.

Em março passado, Miguel Díaz-Canel declarou durante o Congresso da Federação de Mulheres Cubanas (FMC): "Podemos assegurar aqui categoricamente que essa é uma construção midiática alheia por completo à realidade cubana".

Estas palavras contrastam com a realidade documentada por coletivos feministas, que confirmaram mais de 50 assassinatos por razões de gênero nos últimos anos.

A negação oficial não apenas perpetua o silêncio, mas também obstrui a criação de políticas públicas efetivas para enfrentar essa violência.

O uso de eufemismos como "crime passional" ou "violência doméstica" por parte de meios oficialistas evidencia uma vontade política de minimizar e despolitizar a violência machista, diluindo seu caráter estrutural e desresponsabilizando o Estado.

Menores feridos, órfãos e sem proteção

Um dos aspectos mais perturbadores desses casos é a situação dos menores de idade envolvidos. Filhos e filhas que testemunharam os assassinatos de suas mães ou ficaram gravemente feridos, como a adolescente agredida em Holguín.

Segundo Alas Tensas, as infâncias são vítimas indiretas dos feminicídios e carecem de programas específicos de atenção e reparação por parte do governo.

Até o momento, não há informações sobre qualquer apoio governamental às famílias das vítimas ou aos menores sobreviventes. Também não foram ativados mecanismos de acompanhamento psicológico ou legal, o que evidencia uma ausência total de políticas públicas sensíveis ao gênero.

Feminismo independente: o único apoio real

A verificação e denúncia desses crimes só foi possível graças ao trabalho articulado entre OGAT e Yo Sí Te Creo em Cuba, plataformas feministas independentes que assumiram a tarefa de documentar, verificar e visibilizar os feminicídios diante do silêncio cúmplice do Estado.

Ambas organizações alertaram que estão investigando novos possíveis casos em Santiago de Cuba, Havana e Camagüey, o que indica que o número de assassinatos pode continuar aumentando nas próximas semanas.

Enquanto isso, o regime cubano prefere negar do que agir.

Em vez de implementar medidas estruturais, proteger as vítimas ou aplicar protocolos de prevenção e atendimento, criminaliza o ativismo feminista e censura os esforços cidadãos que exigem justiça.

A dor pela morte de Yailín Carrasco e Yailín Requejo não pode nem deve ser sepultada pelo silêncio institucional.

O Estado cubano tem uma responsabilidade inadiável: reconhecer o feminicídio como um crime específico, adotar uma legislação clara e garantir recursos para preveni-lo, sancioná-lo e erradicá-lo.

Caso contrário, continuará sendo parte do problema.

Perguntas Frequentes sobre Feminicídios em Cuba

O que são os feminicídios em Cuba?

Os feminicídios em Cuba são assassinatos de mulheres por razões de gênero, geralmente perpetrados por seus parceiros ou ex-parceiros. Embora o governo cubano não reconheça oficialmente o termo, organizações independentes como Yo Sí Te Creo em Cuba e o Observatório de Gênero Alas Tensas têm documentado numerosos casos nos últimos anos, destacando a falta de reconhecimento e ação por parte do Estado cubano.

Como a situação afeta os menores de idade envolvidos em feminicídios em Cuba?

Os menores de idade que presenciam feminicídios ou ficam órfãos devido a esses crimes carecem de programas específicos de atenção e reparação por parte do governo cubano. Nos casos recentes, ficou evidente a falta de apoio estatal às famílias das vítimas e a ausência de mecanismos de acompanhamento psicológico e legal para os menores sobreviventes.

Por que se critica o governo cubano em relação aos feminicídios?

A crítica ao governo cubano reside na sua negação sistemática de reconhecer a existência de feminicídios e na falta de implementação de políticas públicas eficazes para combater a violência de gênero. Além disso, o uso de termos como "crime passional" minimiza a gravidade desses atos e dilui seu caráter estrutural, desresponsabilizando o Estado de sua obrigação de proteger as mulheres.

Qual é o papel das plataformas feministas independentes em Cuba?

As plataformas feministas independentes em Cuba, como Yo Sí Te Creo em Cuba e Alas Tensas, desempenham um papel crucial na verificação, documentação e visibilização dos feminicídios no país. Essas organizações trabalham para alertar sobre novos casos, pressionar por políticas públicas e exigir que o governo cubano reconheça e atue diante da violência de gênero.

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