O MININT identifica o suposto responsável pelo assassinato de uma menina cubana

O trágico acontecimento ocorreu no dia 20 de junho passado.

Patrulha da polícia cubana (Imagem de referência)Foto © Twitter/MSI

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O Ministério do Interior (MININT) de Cuba identificou nesta segunda-feira como Kenier Ávila Ramírez o sujeito que no final do mês passado assassinou uma menina de nove anos no Conselho Popular Grito de Yara, no município de Río Cauto, província de Granma.

Em uma sucinta nota na qual não foi especificado quando ocorreu o assassinato -ocorrido no dia 20 de junho passado- nem a data da captura do assassino (presumivelmente no dia 24 de junho, segundo relatos oficialistas anteriores), o MININT de fato indicou que Ávila Ramírez tem "um longo histórico de antecedentes penais e policiais”.

O Ministério do Interior apontou, além disso, que a captura do responsável pelo "ato repugnante" foi possível graças a "forças conjuntas do Ministério do Interior junto ao povo".

A menor e seu assassino (Fonte: Redes sociais)

"Cuba é signatária da Convenção sobre os Direitos da Criança e seus protocolos facultativos, baseando-se em princípios e valores da sociedade socialista cubana, tais como humanismo, justiça social, dignidade, igualdade e respeito à proteção da criança, em função do qual recaíra sobre este criminoso todo o peso da lei", concluiu a nota oficial, que não transmitiu condolências aos familiares da vítima.

O tardio comunicado do Ministério do Interior não forneceu outros detalhes sobre as circunstâncias do trágico ocorrido.

Feminicídio social

As plataformas feministas Alas Tensas e YosíTeCreo em Cuba identificaram no passado 30 de junho como Orlis Daniela Castillo Mayo a menina, que teria sido degolada em sua própria casa por um vizinho, agora identificado como Kenier Ávila Ramírez.

Se dá a terrível circunstância de que a menor era filha de Yusmila Mayo Ruiz, que foi vítima de feminicídio em fevereiro de 2024 na província de Las Tunas.

Orlis Daniela Castillo Mayo, a menina assassinada, e sua mãe, Yusmila Mayo Ruiz (Fonte: Redes sociais)

“A violência feminicida deixa suas marcas nas famílias e ainda mais em sociedades como a cubana, onde não se previne, não se repara e não se protegem as vítimas indiretas pelo Estado”, escreveram ambas as plataformas, e pediram “justiça e reparação pela menina e pela sua mãe".

“Por las características até agora confirmadas deste crimen irreparável e que tem chocado o país, os observatórios o classificamos como feminicídio social, por ser cometido por uma pessoa conhecida e com extrema crueldade”, indicaram as fontes mencionadas.

Foram Orlis Daniela e seus irmãos mais novos quem encontraram o corpo da mãe após ela ter sido assassinada pelo companheiro no dia 14 de fevereiro do ano passado.

“A história terrível desta pequena não é tragédia nem destino, é a consequência de uma sociedade quebrada e um Estado feminicida, que se nega a proteger as vidas das mulheres e das meninas”, acrescentaram com firmeza YoSíTeCreo em Cuba e Alas Tensas.

“Pedimos proteção real para os demais filhos de Yusmila (quatro hoje com vida) e todas as crianças sobreviventes ao feminicídio de suas mães em Cuba. Pedimos apoio para as famílias que ficam sob sua responsabilidade, enfrentando milhares de dificuldades econômicas e de gestão em um país devastado”, concluíram, antes de desejarem luz e descanso para a menina e justiça e reparação para a família.

Em redes, anteriormente ficou sabido -a partir do testemunho de Kim Barban- que a menor era órfã e vivia com seus avós, que não tinham condições adequadas para seu cuidado.

Segundo esse testemunho, as autoridades de Educação foram alertadas para gerenciar sua transferência para um lar de crianças, mas “nada foi feito”.

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