Régimen publica cifra oficial de feminicídios em Cuba em 2024: 76 mulheres vítimas de violência de gênero

Do total de 76 feminicídios registrados oficialmente em Cuba no ano anterior, 55 foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas, enquanto 21 mulheres foram assassinadas por outras pessoas, de acordo com cifras do governo cubano.

Mulheres em uma rua de HavanaFoto © CiberCuba

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Durante 2024, 76 mulheres foram vítimas de feminicídio em Cuba, nas mãos de seus parceiros, ex-parceiros ou outras pessoas, segundo informou o regime da ilha em um recente relatório oficial sobre a violência de gênero extrema contra o sexo feminino.

O Observatório de Cuba sobre Igualdade de Gênero (OCIG), entidade vinculada ao governo cubano, tornou pública a cifra referindo-se à quantidade de mulheres de 15 anos ou mais que foram "vítimas de homicídio intencional (assassinato)" por razões de gênero, sem mencionar em nenhum momento o termo feminicídio.

Captura de Observatório de Cuba sobre Igualdade de Gênero (OCIG)

El OCIG indicou que esse total equivale a uma taxa de 1,79 para cada 100.000 mulheres e corresponde apenas aos casos julgados em processos judiciais durante o ano de 2024.

A cifra é muito maior do que o sub-registro que as plataformas feministas independentes Observatório de Gênero de Alas Tensas e Yo Sí Te Creo en Cuba vêm apresentando, que documentaram 56 feminicídios no ano passado, segundo o relatório anual publicado pela OGAT.

De acordo com o OCIG, os assassinatos de mulheres por seus parceiros ou ex-parceiros foram 55 em 2024, número superior aos 50 de 2023. Enquanto isso, os feminicídios cometidos por pessoas diferentes dos parceiros ou ex-parceiros das vítimas dobraram em relação ao ano anterior: 21 frente a 10.

O relatório da entidade governamental reconhece que, como consequência desses crimes violentos, 70 menores ficaram sem o amparo materno. Além disso, 73,7% dos incidentes ocorreram nos próprios lares das vítimas.

Captura de Observatório de Cuba sobre Igualdade de Gênero (OCIG)

Por provincias, a maior quantidade de feminicídios foi registrada em La Habana, com 12 casos e uma taxa de 1.49; Santiago de Cuba, onde foram reportados nove casos para uma taxa de 2.20; e Matanzas, com oito e uma elevada taxa de 2.96.

A seguir, situam-se Cienfuegos e Camagüey, onde ocorreram sete feminicídios, respectivamente; no entanto, a província central registrou a taxa mais alta do país: 4,7 por 100.000 mulheres.

O maior número de vítimas (44) foram mulheres com idades entre 20 e 44 anos, seguidas por 17 no segmento de 45 a 59 anos.

Captura de Observatório de Cuba sobre Igualdade de Gênero (OCIG)

Segundo as estatísticas, foram registrados mais casos em áreas urbanas (44) do que nas rurais (32), mas a taxa do setor rural (3,27) é mais elevada do que a urbana (1,35).

Os dados oficiais indicam um aumento no número de feminicídios entre mulheres brancas; no entanto, os casos envolvendo mulheres negras e mestiças (mulatas, segundo o relatório) aumentaram em 5 e 10 casos, respectivamente, em comparação com 2023.

Duas das vítimas apresentavam algum tipo de deficiência e 69,7% não tinham vínculo empregatício.

Por outro lado, o OCIG também revelou que, durante 2024, foram julgados nos tribunais cubanos 230 casos de delitos sexuais, o que equivale a uma taxa de 5,42 para cada 100.000 mulheres. Deste total, 120 casos corresponderam a agressão sexual e 110 a outros tipos de violência sexual.

Em Cuba, o feminicídio não está tipificado como crime no Código Penal em vigor desde maio de 2022. O regime cubano se recusa a reconhecer o termo, mas admitiu o aumento da violência machista.

A oficialista Federação de Mulheres Cubanas (FMC) confirmou em agosto do ano passado que mais de 16.000 mulheres e meninas, de 9.579 famílias, vivem em situação de violência no país.

As plataformas independentes Yo Sí Te Creo em Cuba e Alas Tensas apresentam um subregistro da violência de gênero, enquanto defendem uma legislação adequada e a criação de políticas públicas que protejam as mulheres e previnam a violência.

Según seus cálculos, entre 2019 e 2024, 267 mulheres, meninas e meninos foram assassinados no país por razões de gênero.

“Por detrás de cada caso, há uma vida truncada, uma família afetada e uma sociedade marcada pela impunidade”, advertiu a OGAT recentemente. “Verificar e tornar visíveis os feminicídios não apenas honra a memória de quem já não está. Também é uma ferramenta vital para exigir justiça, políticas públicas efetivas e proteção real para as mulheres e meninas em Cuba.”

Perguntas frequentes sobre feminicídios e violência de gênero em Cuba

Quantos feminicídios foram registrados oficialmente em Cuba durante o ano de 2024?

Em 2024, foram oficialmente registrados 76 feminicídios em Cuba, segundo o relatório do Observatório de Cuba sobre Igualdade de Gênero (OCIG), embora os números de plataformas independentes indiquem uma subnotificação.

Por que o termo "feminicídio" não é reconhecido no Código Penal cubano?

Em Cuba, o termo "feminicídio" não está tipificado como delito no Código Penal vigente desde maio de 2022. O governo cubano se recusa a reconhecer esse termo, apesar do aumento da violência machista no país.

Quais são as províncias com mais feminicídios em Cuba segundo o relatório de 2024?

A Havana, Santiago de Cuba e Matanzas registraram os maiores números de feminicídios em 2024, com Havana reportando 12 casos, Santiago de Cuba nove, e Matanzas oito.

Que medidas o governo cubano tomou para combater a violência de gênero?

O governo cubano anunciou a implementação de uma linha telefônica em 40 municípios para atender às vítimas de violência de gênero e gerar estatísticas, embora ainda não reconheça oficialmente o termo feminicídio.

Que papel desempenham as plataformas independentes na visibilização dos feminicídios em Cuba?

As plataformas independentes como Yo Sí Te Creo en Cuba e Alas Tensas desempenham um papel crucial na documentação e visibilização de feminicídios, fornecendo informações que o governo não torna públicas e pressionando por políticas eficazes.

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Equipe Editorial da CiberCuba

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