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A escalada militar dos Estados Unidos no Caribe continua acompanhada de uma batalha diplomática que se desenrola nas redes sociais.
Após as acusações do chanceler cubano Bruno Rodríguez contra os Estados Unidos e políticos da Flórida, o congressista Carlos A. Giménez respondeu com uma mensagem direta no X, alertando os altos funcionários do regime cubano e seus aliados na Venezuela.
"Bruno, cuidado que o barco pode zarpar e levar todos vocês, os esbirros narcoterroristas da ditadura assassina em Cuba. O povo não os vai defender, mas sim, o contrário. Pátria e Vida", escreveu o legislador cubano-americano.
Seu comentário surgiu após o próprio Bruno Rodríguez ter denunciado publicamente o que qualificou como uma "agressão militar contra a Venezuela", após a entrada no Caribe do porta-aviões USS Gerald R. Ford, acompanhado por oito navios de guerra, um submarino nuclear e aviões F-35, como parte da operação Lança do Sul.
Rodríguez acusou o Departamento de Estado de tentar "normalizar e legitimar" um ataque contra uma nação soberana, ao mesmo tempo que responsabilizou políticos da Flórida por incitar ações militares contra o governo de Nicolás Maduro.
O chanceler cubano afirmou que Washington utiliza um "artifício desonesto" ao vincular o mandatário venezuelano ao narcotráfico e ao terrorismo.
Em sua declaração, afirmou que esses flagelos têm sido "promovidos nesta região pelo Governo dos EUA, suas agências de inteligência e drogas, e por personagens associados" aos mesmos dirigentes da Flórida a quem acusa de impulsionar uma intervenção.
A resposta nos Estados Unidos não demorou a chegar.
Antes das palavras de Giménez, o secretário de Estado Marco Rubio havia reagido com um gesto completamente distinto: publicou no X um GIF de um palhaço com peruca vermelha. Sem uma única palavra, sua zombaria foi a réplica política mais precisa e viral do dia.
O clima não é menor. O desdobramento americano ocorre enquanto a Casa Branca assegura que a operação busca "cortar as rotas do narcotráfico" associadas ao Cartel dos Soles, que o Departamento de Estado classificará oficialmente como organização terrorista a partir de 24 de novembro.
No entanto, Caracas vê uma ameaça de intervenção, e de Havana repete-se o roteiro de que Washington cria pretextos para justificar uma guerra.
A essa tensão somou-se um elemento inesperado quando o presidente Donald Trump insinuou que poderia haver "conversas" com Maduro, uma mensagem ambígua que pareceu contradizer a linguagem militar predominante e que deixou em aberto a possibilidade de uma virada diplomática.
Neste contexto ainda incerto, a disputa verbal entre Rodríguez e figuras como Rubio e Giménez reflete mais do que um embate político: revela a profundidade da confrontação geopolítica, os temores do chavismo e a posição da diáspora cubano-americana, que não acredita em ameaças de guerra fabricadas, mas sim em um regime incapaz de resistir a uma pressão real.
A pergunta agora é se a tensão continuará escalando ou se, em meio a desdobramentos militares e mensagens incendiárias, a diplomacia ainda terá espaço.
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