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Em uma reviravolta inesperada no meio da crise humanitária provocada pela passagem do furacão Melissa, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou nesta quinta-feira a disposição do governo dos Estados Unidos de oferecer ajuda humanitária "imediata" aos cubanos afetados pelo fenômeno meteorológico.
O pronunciamento foi feito através da sua conta na rede social X, onde o funcionário republicano evitou entrar em detalhes, mas deixou claro que a ilha se junta ao grupo de países que poderão receber assistência de Washington.
“Estamos preparados para oferecer ajuda humanitária imediata ao povo cubano afetado pelo furacão”, afirmou Rubio de forma sucinta.
A mensagem -reproduzida depois pela Embaixada dos EUA em Havana- ocorre apenas um dia depois de que o próprio Rubio tornasse pública a coordenação ativa com os governos da Jamaica, Haiti, República Dominicana e Bahamas para responder à emergência.
Nesse momento, no entanto, não se incluiu Cuba entre os países com os quais os Estados Unidos mantinham contato para articular ações conjuntas diante do desastre natural.
Uma fonte da Embaixada disse a CiberCuba que "muitas mais coisas estão por vir", e que estão aguardando o que lhes dirão após o anúncio de Rubio.
Rubio acrescentou em seguida uma segunda publicação na qual afirmou que o governo de Trump "se solidariza com o valente povo cubano".
"Após a devastação causada pelo furacão Melissa no leste de Cuba, o governo Trump se solidariza com o valente povo cubano, que continua lutando para satisfazer suas necessidades básicas", escreveu.
O secretário de Estado acrescentou que "os Estados Unidos estão preparados para oferecer assistência humanitária imediata, tanto diretamente quanto por meio de parceiros locais que possam distribuí-la de forma mais eficaz àqueles que dela necessitam".
A declaração do Secretário de Estado dos Estados Unidos ocorre em um contexto político marcado pelas sanções contra o regime de Havana e pela rejeição sistemática a qualquer tentativa de aproximação por parte da administração de Donald Trump.
A política oficial em relação a Cuba, sustentada por Rubio como uma figura chave na linha dura do Partido Republicano, tem enfatizado a pressão e o isolamento, descartando concessões ou diálogos bilaterais significativos.
Precedentes de ajuda e tensões históricas
A história recente mostrou que as ofertas de ajuda humanitária entre os Estados Unidos e Cuba em momentos de desastres naturais têm sido excepcionais e politicamente delicadas.
Em 2022, após o devastador furacão Ian, o governo de Havana solicitou assistência de emergência à administração de Joe Biden.
Aquele pedido gerou uma resposta limitada, mas mostrou uma abertura incomum em meio ao confronto diplomático.
Uns meses antes, após o incêndio da Base de Supertanqueros de Matanzas, Cuba havia solicitado assistência técnica a Washington.
No obstante, em outras ocasiões anteriores, quando foram oferecidas ajudas humanitárias por parte dos EUA, estas foram rejeitadas pelo Governo cubano, com o argumento de que não são prestadas em condições de respeito à soberania nacional.
Nesse contexto, a disposição agora anunciada por Rubio se insere em uma tradição de ajuda ocasional e limitada.
Até o momento, o Governo cubano não emitiu nenhuma reação oficial à mensagem de Rubio. Nos meios estatais e canais institucionais, não foram relatadas declarações sobre a oferta americana.
O que está claro é que a emergência no leste cubano exige recursos significativos.
As chuvas torrenciais, as inundações e os danos às infraestruturas críticas em províncias como Santiago de Cuba, Holguín e Granma deixaram comunidades isoladas e áreas inteiras sem acesso à eletricidade ou água potável.
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