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O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) investiu mais de 1,4 bilhões de dólares em contratos com empresas de tecnologia para fortalecer sua capacidade de vigilância, incluindo sistemas de reconhecimento facial, monitoramento de redes sociais e software para invadir telefones móveis.
De acordo com relatórios oficiais e fontes consultadas pela NBC News e Telemundo, a agência tem utilizado ferramentas capazes de rastrear indivíduos através de dispositivos móveis e tablets, além de analisar grandes volumes de dados online para identificar possíveis alvos de detenção ou investigação.
Entre as empresas contratadas se destaca BI2 Technology, especializada em escaneamento biométrico. O ICE pagou 4,6 milhões de dólares por uma tecnologia capaz de escanear o íris das pessoas à distância e cruzar essas informações com bancos de dados nacionais e internacionais.
Otras empresas envolvidas incluem fornecedores de software de análise de redes sociais e ferramentas de interceptação de comunicações como Palantir que, segundo fontes internas, “ampliam a capacidade do ICE para localizar e deter pessoas suspeitas em tempo real”.
A agência justificou esses investimentos como parte de sua estratégia para “proteger a segurança nacional e combater redes criminosas transnacionais”. No entanto, os críticos alertam sobre o risco de abuso político e violações à privacidade.
O advogado constitucionalista Joseph Malouf, analista da Telemundo, alertou que essa expansão tecnológica pode levar a perseguições políticas sem controle judicial.
“É muito perigoso ter tecnologia nas mãos de um governo que não controla sua autoridade nem seus limites. O risco é que possam investigar e perseguir inimigos políticos sem justificativa legal”, afirmou Malouf.
De acordo com documentos vazados à imprensa, funcionários do ICE admitiram que algumas ferramentas poderiam ser usadas também para investigar "pessoas e grupos contrários às políticas do Governo", mesmo que sejam cidadãos americanos.
A preocupação cresce entre organizações civis, que temem que o ICE esteja excedendo seu mandato migratório e utilizando sua infraestrutura de vigilância para monitorar ativistas, jornalistas e opositores políticos.
"Assumir que pessoas antifa ou críticas do governo são terroristas é uma violação direta da Constituição", alertou Malouf.
Nos últimos anos, a ICE tem sido criticada por sua crescente dependência de tecnologias de rastreamento em massa, incluindo câmeras inteligentes, bases de dados biométricas compartilhadas com o FBI e sistemas de monitoramento de redes sociais desenvolvidos por empresas privadas.
A entidade já utiliza drones para monitorar protestos.
Grupos como a American Civil Liberties Union (ACLU) e Human Rights Watch pediram uma moratória sobre o uso de reconhecimento facial por parte de agências federais, argumentando que a falta de transparência e supervisão pode resultar em violações sistemáticas dos direitos civis.
“Estamos diante de uma forma de vigilância sem precedentes. Se o Governo pode identificar, rastrear e escanear pessoas sem ordem judicial, o conceito de privacidade desaparece”, afirmou um porta-voz da ACLU.
Por enquanto, o ICE não comentou publicamente os detalhes de seus novos contratos tecnológicos nem esclareceu se os sistemas se aplicarão apenas a estrangeiros sem status migratório ou também a cidadãos americanos.
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