A Segurança do Estado interroga a ex-juíza deportada Melody González

Melody González foi deportada após 484 dias detida. Sua chegada em 2024 causou rejeição devido ao seu histórico de repressão, ligado a sentenças polêmicas em Cuba.

Melody GonzálezFoto © Collage de represorescubanos.com/Facebook

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A ex-jueza cubana Melody González Pedraza, deportada recentemente dos Estados Unidos, foi interrogada pela Segurança do Estado após sua chegada à ilha, conforme confirmaram várias fontes ao Diário de Cuba.

González Pedraza, que presidia o Tribunal Municipal de Encrucijada (Villa Clara) antes de emigrar, foi expulsa do território americano no dia 25 de setembro passado, quatro meses depois que um juiz de imigração rejeitou seu pedido de asilo político.

Segundo testemunhos, ao aterrissar na Ilha, foi separada do resto dos deportados e conduzida a um escritório onde foi interrogada por agentes do Ministério do Interior. Sobre o tema, o regime de Havana não tornou pública sua repatriação nem ofereceu informações sobre sua situação atual.

"Uma entrevista para ajudá-la"

De acordo com uma fonte próxima à ex-funcionária, os oficiais da ditadura justificaram o encontro como uma tentativa de “ajudá-la” e conhecer seu estado de saúde, seus planos imediatos e a origem das declarações que ela havia feito justamente a Diario de Cuba durante sua detenção nos EUA.

A conversa terminou abruptamente quando González, hipertensa e diabética, começou a se sentir indisposta. No entanto, antes de concluir, os agentes a advertiram de que não voltaria a ocupar nenhum cargo no sistema judiciário cubano.

Rumores sobre um processo contra ele

Em Villa Clara, fontes do setor jurídico asseguram que circulam rumores sobre um possível processo penal contra a ex-juíza, devido às suas declarações públicas sobre a falta de independência judicial em Cuba. Durante uma reunião interna de procuradores na Audiência de Santa Clara, alguns funcionários insinuaram essa possibilidade, embora outros se opusessem a qualquer medida de represália.

Uma jovem promotora chegou a advertir que renunciaria ao seu cargo se González Pedraza fosse processado, segundo um dos assistentes. A maioria dos presentes, acrescenta a fonte, considerou que a ex-juíza deveria poder refazer sua vida “em liberdade e tranquilidade”, expôs o mencionado meio, que tem acompanhado de perto essa história.

No limbo e sob vigilância

Atualmente, González Pedraza e seu esposo, William Hernández Carrazana —também deportado meses atrás—, vivem em um apartamento emprestado em condições precárias. Ambos teriam optado por manter um perfil discreto e evitar o contato com pessoas fora de seu círculo familiar.

Antes de emigrar, a ex-magistrada residia em uma habitação estatal (“meio básico”) atribuída pelo seu cargo. Atualmente, permanece sob vigilância discreta e sem emprego, segundo fontes locais.

Do tribunal ao asilo fracassado

A ex-juíza viajou para os Estados Unidos em 30 de maio de 2024 através do programa de parole humanitário promovido pela Administração Biden. Em entrevistas posteriores, reconheceu que agiu sob coação da Segurança do Estado ao condenar quatro jovens por atentado sem provas suficientes, caso pelo qual expressou arrependimento.

No entanto, as autoridades americanas negaram-lhe o asilo político ao comprovar que ela havia sido membro ativa do Partido Comunista de Cuba até pouco antes de sair do país, o que a deixou sem base legal para permanecer no território norte-americano.

Um irmão detido e uma família dividida

O irmão da ex-juíza, Ruber González Pedraza, continua detido pelo Serviço de Controle de Imigração e Alfândega (ICE) nos Estados Unidos, após ser preso em 16 de setembro. De acordo com familiares, ele assinou sua auto-deportação voluntária, o que lhe permitiria tentar emigrar novamente dentro de dez anos.

Em contrapartida, sua irmã e seu cunhado, ao terem sido deportados oficialmente, poderão enfrentar uma proibição de entrada que varia entre dez e vinte anos, ou até mesmo de forma permanente.

O caso de Melody González Pedraza ilustra as contradições e riscos enfrentados por antigos funcionários cubanos que rompem com o sistema e buscam refúgio no exterior: um retorno marcado pelo isolamento, medo e a possibilidade de novas represálias.

Perguntas Frequentes sobre o Caso da Ex-Juíza Cubana Melody González

Por que Melody González foi deportada dos Estados Unidos?

Melody González foi deportada dos Estados Unidos devido à negação de seu pedido de asilo político. As autoridades americanas rejeitaram seu asilo considerando que ela foi uma funcionária ativa do Partido Comunista de Cuba até pouco antes de sua saída e por sua implicação em processos judiciais questionados pela falta de garantias processuais.

O que Melody González enfrentou ao retornar a Cuba?

Ao retornar a Cuba, Melody González foi interrogada pela Segurança do Estado. Ela vive em condições precárias ao lado do marido, sob vigilância e sem emprego. Além disso, há rumores sobre um possível processo penal contra ela devido às suas críticas ao sistema judicial cubano.

Quais foram as repercussões da deportação de Melody González na comunidade cubana no exílio?

A deportação de Melody González foi recebida com alívio e satisfação pelas vítimas da repressão em Cuba. Muitos na comunidade cubana no exílio consideraram que se fez justiça, já que seu histórico como juíza esteve associado à repressão política sob o regime cubano.

Quais possíveis consequências legais Melody González enfrenta em Cuba?

Melody González poderia enfrentar acusações por crimes como "propaganda inimiga" e "desacato" em Cuba. Ela também pode ser acusada de violar normas éticas e revelar segredos oficiais, o que complicaria ainda mais sua situação na ilha.

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