Claudia Sheinbaum justifica o envio de petróleo mexicano a Cuba como “ajuda humanitária”

A presidenta mexicana, Claudia Sheinbaum, reconheceu que seu governo envia diesel para Cuba e defendeu a medida como “ajuda humanitária”, apesar das críticas de congressistas americanos.

Petroleiro (Imagem de referência)Foto © X / MarineTraffic

A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, reconheceu nesta quinta-feira que seu governo envia combustível a Cuba e defendeu a medida, qualificando-a como parte da "ajuda humanitária" que o país oferece a outras nações.

Durante uma coletiva de imprensa divulgada pela Rede Nacional da Esquerda em X, Sheinbaum foi questionada por um jornalista sobre as denúncias de congressistas americanos que alertaram sobre envios de petróleo mexicano para a ilha, os quais poderiam afetar as relações comerciais entre o México e os Estados Unidos.

“México tem fornecido combustível a Cuba? Quanto e em troca de quê?”, perguntou o repórter.

A mandatária respondeu: “Sim, é compra de combustível, como fazem outros países. Agora há um excedente de diesel, em particular, e está sendo exportado. E assim como... primeiro, a ajuda humanitária, em qualquer caso, o México sempre a dará, sempre, a Cuba e a outros países que precisem. Essa é a nossa essência, o humanismo, sempre.”

Sheinbaum assegurou que os envios de diesel a Cuba fazem parte de acordos comerciais e humanitários que “são realizados com transparência”, e os comparou com o programa de contratação de médicos cubanos que trabalham em comunidades rurais mexicanas.

“Os médicos cubanos que estão no México têm um contrato muito transparente. O pagamento cobre a estadia dos médicos aqui, por necessidade do México. Durante anos, a formação de especialistas foi encerrada e, generosamente, eles vêm para apoiar”, afirmou.

Dessa forma, mais uma vez o governo do México se consolida como um dos principais patrocinadores do regime cubano.

A respeito das críticas do congressista de Miami que alertou que esses envios poderiam afetar o Tratado entre o México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC), a presidenta foi categórica:

“Não, isso não vai afetar nada. Os Estados Unidos sabem que o México é um país independente, livre e soberano, e que as decisões que tomamos são decisões soberanas”, sublinhou.

Sheinbaum disse que a relação bilateral com Washington "está muito bem" e destacou que Juan Ramón de la Fuente, representante do México na ONU, se reuniu recentemente com o secretário de Estado dos Estados Unidos em um encontro "amável e cordial".

Segundo Sheinbaum, os temas pendentes na área comercial “praticamente já estão resolvidos”, e as reuniões sobre segurança entre os dois países continuarão no México nas próximas semanas.

O governo de Claudia Sheinbaum intensificou de forma significativa os envios de petróleo e derivados para Cuba, consolidando uma política energética que tem beneficiado diretamente o regime cubano.

Uma investigação de Mexicanos contra a Corrupção e a Impunidade revelou que apenas em quatro meses foram enviados 58 carregamentos que totalizaram mais de 3.000 milhões de dólares, três vezes mais do que o despachado nos dois últimos anos do governo de López Obrador.

Estes embarques, geridos através da filial Gasolinas Bienestar, contaram até mesmo com o uso do navio cubano Sandino, sancionado pela OFAC americana.

Apesar dos riscos diplomáticos e financeiros, as operações continuam com regularidade, enquanto a empresa estatal se recusa a revelar detalhes sobre pagamentos, montantes e condições, alegando que se trata de um “assunto privado”.

Por outro lado, uma investigação jornalística revelou que o milionário programa médico carece de avaliação oficial. Nem o IMSS, nem a Secretaria de Saúde, nem o IMSS-Bienestar conseguiram comprovar se os profissionais cubanos estão cumprindo com sua função, enquanto o gasto acumulado ultrapassa 105 milhões de dólares.

O dinheiro é transferido diretamente para o regime cubano, e os médicos operam sob condições denunciadas como exploração laboral e falta de garantias mínimas, sem relatórios sobre seu desempenho, número de consultas ou localização.

Perguntas frequentes sobre o envio de petróleo mexicano a Cuba e a política de ajuda humanitária

Por que o México envia petróleo para Cuba?

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, justificou o envio de petróleo a Cuba como parte da “ajuda humanitária” que seu país oferece a nações necessitadas. Esses envios são realizados sob acordos comerciais e humanitários, segundo Sheinbaum, e fazem parte da política humanista do México.

Este envio de petróleo a Cuba afeta as relações entre México e Estados Unidos?

Segundo Claudia Sheinbaum, as remessas não afetam as relações com os Estados Unidos, uma vez que o México é um país independente e soberano em suas decisões. Apesar das críticas de congressistas americanos, Sheinbaum afirma que os assuntos pendentes em matéria comercial com os Estados Unidos estão praticamente resolvidos.

Quais são as críticas em relação ao envio de petróleo mexicano para Cuba?

As críticas principais concentram-se em que estes envios poderiam ser um subsídio encoberto ao regime cubano, afetando as finanças da Pemex, que já enfrenta uma alta dívida. Além disso, o uso de navios sancionados pelos Estados Unidos, como o navio Sandino, pode acarretar riscos diplomáticos para o México.

Como se relacionam os envios de petróleo com a contratação de médicos cubanos no México?

A contratação de médicos cubanos no México se justifica como parte da cooperação bilateral entre ambos os países. O México contratou esses médicos para trabalhar em áreas rurais devido à falta de especialistas. No entanto, há críticas pela falta de transparência na avaliação de seu desempenho e nas condições de trabalho impostas pelo regime cubano.

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