
Vídeos relacionados:
O Governode Antigua e Barbuda desmentiu neste fim de semana os rumores de que os Estados Unidos planejam retirar vistos ou impor restrições de viagem contra cidadãos da ilha devido à sua relação com Cuba e à contratação de médicos da ilha.
Maurice Merchant, diretor-geral de Comunicações do Escritório do Primeiro-Ministro, qualificou essas versões como “notícias falsas” e assegurou que não existe nenhuma ameaça de negação de vistos nem de visitas oficiais a Washington.
“No há nenhuma ameaça de retirada de visitas por parte de funcionários dos Estados Unidos ou de Antigua e Barbuda devido à impossibilidade de obter vistos”, afirmou Merchant em declarações citadas por Antigua Observer.
O funcionário reconheceu que o Departamento de Estado expressou preocupação com os programas de cooperação médica com Cuba, que Washington considera uma forma de “tráfico de pessoas”. No entanto, insistiu que seu país mantém uma visão diferente e que os médicos cubanos são um pilar para a atenção à saúde local.
“Os Estados Unidos consideram que as missões médicas de Cuba constituem tráfico de pessoas. Nós temos uma opinião diferente”, destacou Merchant, segundo informou Antigua News.
A clarificação chega em um momento de tensões crescentes no Caribe. No final de agosto, o ministro das Finanças de Granada, Dennis Cornwall, transformou-se no primeiro alto funcionário da região a perder todos os seus vistos americanos por apoiar abertamente a presença de brigadas médicas cubanas em seu país.
A medida o deixou sem acesso a reuniões-chave em organismos como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, e evidenciou até onde Washington está disposta a ir em sua ofensiva contra o que classifica como “trabalho forçado”.
Casos semelhantes impactaram governos centro-americanos e as Bahamas, que sob pressão dos Estados Unidos decidiu pagar diretamente aos médicos cubanos para evitar sanções.
O secretário de Estado, Marco Rubio, qualificou essas missões de “prática atroz”, embora tenha admitido que avaliará os contratos caribenhos caso a caso.
Diplomacia em equilíbrio
Para Antigua e Barbuda, a cooperação com Havana é “fundamental” na prestação de serviços médicos, mas ao mesmo tempo o governo insiste que valoriza a relação estratégica com os Estados Unidos.
Merchant antecipou que estão sendo feitos ajustes para atender às preocupações de Washington sem sacrificar os benefícios que o país recebe da cooperação cubana.
“A República de Cuba continua sendo um parceiro importante na prestação e desenvolvimento da atenção médica em Antigua e Barbuda”, sublinhou, “mas ao mesmo tempo, valorizamos nossa relação com os Estados Unidos e estamos fazendo ajustes para garantir que mantenhamos uma boa relação com ambos os países”.
Com sua mensagem, o governo busca acalmar o mal-estar gerado pelos rumores e mostrar que, ao contrário de Granada, o pequeno Estado insular prefere apostar em uma diplomacia equilibrada que lhe permita sustentar seu sistema de saúde com apoio cubano, sem fechar as portas de entrada a Washington.
Arquivado em: