Otorgan o Prêmio Solidariedade Lech Wałesa 2025 à opositora cubana Berta Soler: Assim foi a cerimônia em Miami

O prêmio foi entregue em uma cerimônia realizada no Hotel Biltmore em Coral Gables, Miami, com a participação do Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Opositora cubana Berta SolerFoto © Facebook/Berta Soler Fernández

A ativista e líder oposicionista cubana Berta Soler, fundadora e atual líder do movimento Damas de Blanco, foi homenageada nesta terça-feira com o Prêmio Solidariedade Lech Wałęsa 2025, um dos reconhecimentos internacionais mais relevantes para defensores dos direitos humanos.

O prêmio foi entregue em uma cerimônia realizada no Hotel Biltmore de Coral Gables, em Miami-Dade, presidida pelo ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radosław Sikorski; e com a participação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

Embora Soler não tenha podido comparecer pessoalmente devido às restrições impostas pelo regime cubano, participou de forma virtual para agradecer o prêmio.

Durante sua conexão online com os assistentes, Soler denunciou que naquela mesma manhã estava sem serviço de internet, uma tática de isolamento frequente do regime.

“Estou incomunicada... Lá estarão nossos irmãos, Damas de Branco e muitas pessoas a quem agradeço muito”, afirmou.

Também reiterou sua rejeição às condições impostas pelas autoridades cubanas para sair do país, que implicam aceitar uma “saída sem retorno”, o que ela classificou como inaceitável.

“Hoje não posso estar por causa da tirania comunista de Cuba, que me impõe a saída sem retorno, condição que não aceito, porque eu fico em Cuba”, disse.

A estatueta foi recolhida em seu nome por Irma Santos de Mas Canosa, viúva do histórico opositor Jorge Mas Canosa.

O Prêmio Solidariedade Lech Wałęsa inclui uma estatueta e uma dotação econômica de 275.000 dólares.

Segundo explicou Soler, além de compartilhá-lo com sua família, parte do prêmio será destinada a fortalecer os fundos de ajuda para os presos políticos cubanos e para as Damas de Branco.

Durante a cerimônia de entrega do prêmio, Marco Rubio destacou a trajetória da ativista, sua persistência diante da repressão sistemática e seu papel crucial como símbolo de resistência.

“Para mim é uma honra entregar hoje o prêmio a Berta Soler, por sua coragem, resiliência e determinação”, disse, por sua vez, o chanceler polonês.

Desde há mais de duas décadas, Soler lidera marchas dominicais ao lado das Damas de Branco, exigindo a libertação dos prisioneiros políticos em Cuba.

Nos últimos anos, foi detida em inúmeras ocasiões ao tentar assistir à missa na igreja de Santa Rita, em Havana, uma das ações mais representativas desse movimento opositor.

O Prêmio Solidariedade Lech Wałęsa

Criado em 2014 por iniciativa de Radosław Sikorski, então ministro das Relações Exteriores da Polônia, o prêmio homenageia aqueles que promovem ativamente a democracia e os direitos civis no mundo.

Seu comitê é presidido pelo ex-presidente polonês Lech Wałęsa, Prêmio Nobel da Paz em 1983, e inclui membros do governo polonês e da Fundação Helsinki de Direitos Humanos.

O prêmio foi entregue pela última vez em 2017 e foi reativado em 2024.

Entre os seus vencedores anteriores estão personalidades como o líder tártaro da Crimeia Mustafa Dzhemilev, a ativista russa Zhanna Nemtsova e o opositor bielorrusso Pavel Latushka.

Em 2014, o cubano Manuel Cuesta Morúa foi nomeado ao prêmio pelo Programa de Solidariedade Democrática Internacional do Centro para a Abertura e o Desenvolvimento da América Latina (CADAL), em reconhecimento ao seu ativismo democrático.

As Damas de Branco, duas décadas de resistência

Fundado em 2003, o movimento Damas de Branco surgiu após as detenções em massa durante a chamada Primavera Negra, quando 75 opositores pacíficos foram encarcerados.

Suas esposas, mães e filhas começaram a marchar pacificamente todos os domingos vestidas de branco, com gladíolos na mão, pela Quinta Avenida de Havana.

Em 2005, o Parlamento Europeu concedeu o Prêmio Sájarov pela Liberdade de Pensamento, embora o regime cubano tenha tentado impedir que algumas de suas representantes viajassem para recebê-lo. Após a morte em 2011 de sua fundadora, Laura Pollán, Berta Soler assumiu a direção do grupo e manteve a liderança até hoje, mesmo sob constante assédio.

Quem é Berta Soler?

Nascida em 31 de julho de 1963 em Matanzas, Berta de los Ángeles Soler Fernández é, há anos, uma das principais figuras da dissidência cubana.

Formou-se como técnico médio em microbiologia e trabalhou durante anos em um hospital gineco-obstétrico de Havana, até que em 2009 renunciou devido ao assédio da Segurança do Estado.

Seu compromisso político se consolidou ao lado de seu esposo, o opositor Ángel Moya Acosta, um dos 75 presos políticos de 2003.

Desde então, tem sido vítima de detenções arbitrárias, atos de repúdio, vigilância e repressão sistemática.

No entanto, nunca abriu mão de seu objetivo: a liberdade dos presos políticos e o respeito aos direitos humanos em Cuba.

“Nós continuaremos lutando pela liberdade de todos os presos políticos”, sentenciou Soler durante suas palavras de agradecimento ao importante prêmio do qual foi agraciada nesta terça-feira.

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