O expresso político cubano Ángel Moya Acosta denunciou publicamente neste domingo a presença de dois agentes da Segurança do Estado que vigiam a sede do movimento opositor Damas de Blanco no bairro de Lawton, Havana.
Moya, que junto a sua esposa Berta Soler Fernández —líder do movimento— permaneceu no domingo trancado em sua casa, identificou os agentes como integrantes de um grupo repressivo conhecido popularmente como os "Metetrancas", encarregados de executar prisões violentas contra opositores pacíficos.

Um dos homens indicados por Moya seria um repressão conhecido como "Cara Prieta", a quem se vincula a antigos atos de repressão contra os ativistas.
“Há cerca de cinco ou seis anos, esse indivíduo me prendeu violentamente durante uma marcha dominical das Damas de Branco. Para silenciar minha protesto, tapou minha boca e mordeu minha orelha direita”, denunciou.
Moya também afirmou ter reconhecido recentemente em fotografias tiradas durante uma operação de vigilância contra uma loja maçônica na Avenida Carlos III, em Havana, durante a expulsão de um líder maçom, fato que ele atribui ao controle do regime sobre essas instituições.
Em sua mensagem, Moya destacou que nem ele nem Berta Soler saíram neste domingo da sede do movimento para exercer seu direito à protesto ou participar de atividades religiosas, como costumam fazer toda semana.
“Hoje não saímos, mas continuamos denunciando a repressão e exigindo a liberdade de todos os presos políticos cubanos”, declarou.
Prisão domiciliar após contato com diplomatas
Em abril, Moya e Soler foram colocados sob prisão domiciliar por 48 dias após participarem de uma missa ao lado do encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Havana, Mike Hammer.
“Nos pararam no meio da rua, disseram que estávamos sob investigação por atentarmos contra a ordem constitucional estabelecida”, assinalou então Moya. Ambos foram levados para delegacias, onde permaneceram detidos por mais de 24 horas antes de serem liberados sob medidas cautelares.
Durante esse período, seus telefones ficaram ocupados e a sede da organização permaneceu sem acesso à Internet, totalmente sitiada por agentes do regime.
Perguntas frequentes sobre a repressão contra as Damas de Branco em Cuba
Quem são os "Metetrancas" mencionados por Ángel Moya?
Os "Metetrancas" são um grupo repressivo de agentes da Segurança do Estado cubano, conhecidos por realizar prisões violentas contra opositores pacíficos na ilha. Este grupo foi apontado por realizar detenções arbitrárias e atos de repressão contra figuras dissidentes, como as Damas de Branco.
Por que Ángel Moya e Berta Soler foram colocados sob prisão domiciliar?
Ángel Moya e Berta Soler foram colocados sob prisão domiciliar depois de participar de uma missa ao lado do encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Havana, Mike Hammer. As autoridades cubanas os investigam por supostamente atentarem contra a ordem constitucional ao se reunir com funcionários estrangeiros.
Qual é o papel das Damas de Branco na oposição cubana?
As Damas de Branco são um movimento opositor em Cuba que surgiu em 2003 após a onda repressiva da Primavera Negra. Este coletivo é conhecido por realizar marchas pacíficas pedindo a liberação de prisioneiros políticos após assistirem à missa vestidas de branco. Ao longo dos anos, têm sido alvo de repressão constante por parte do regime cubano.
Como a comunidade internacional responde à repressão em Cuba?
A comunidade internacional, especialmente organizações de direitos humanos e a Embaixada dos Estados Unidos em Cuba, manifestaram preocupação com a repressão contra opositores como as Damas de Branco. O apoio diplomático se reflete em gestos simbólicos, como a participação de diplomatas em atividades religiosas junto a dissidentes para mostrar apoio ao seu ativismo pacífico.
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