Incrível, mas é verdade! Marrero diz que a Guiteras é um exemplo para toda Cuba

A visita de Marrero à termelétrica Antonio Guiteras, em Matanzas, expõe problemas técnicos e obsolescência na planta. Foram anunciados preparativos para uma próxima manutenção capital, embora sem precisar a data. Os matanceros criticam a encenação da crise energética e a falta de soluções reais.

Matanceros afirmam que, com a visita, a eletricidade reapareceu milagrosamente em alguns bairrosFoto © X/Governo Cuba

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O primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz visitou hoje a Centrale Termoelétrica (CTE) Antonio Guiteras em Matanzas, onde exaltou o sacrifício dos trabalhadores e a considerou “um exemplo de como todos os centros de trabalho devem ser” em Cuba.

No entanto, matanceros denunciaram que a visita coincidiu com o retorno pontual da eletricidade e com a camuflagem de uma crise energética que não dá trégua.

Acompanhado pelo ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, Marrero demonstrou interesse pelos preparativos da próxima manutenção capital - cuja data não foi especificada - da Guiteras, informou através de seu perfil em Facebook o jornal oficial Girón.

Os problemas técnicos da usina, que atualmente gera 220 megawatts, incluem a falha de bombas de alimentação e um elevado consumo de água de reposição, o que obriga a paradas constantes e mantém a central em uma situação crítica.

De acordo com o diretor Rubén Campos Olmo, a planta enfrenta vários problemas técnicos. Entre eles, ele mencionou a pane da bomba de alimentação número dois, na qual estão trabalhando para reintegrá-la na próxima segunda-feira, pois sua ausência limita imediatamente a capacidade de carga à metade se falharem as duas bombas em operação.

Agregou que a bomba de reserva de óleo de comando das válvulas de turbina será substituída por uma nova que deve chegar no dia 4 de setembro, enquanto se conclui a montagem de outra que foi revisada na refinaria de Cienfuegos.

Ainda apontou que o bloco apresenta um alto consumo de água de reposição, de 43 metros cúbicos, o que obrigará, assim que possível, a parar novamente a unidade para intervir no superaquecedor de alta temperatura, embora tenha esclarecido que a fuga permanece estável e não aumentou.

O executivo também anunciou que se planeja a instalação de uma planta de água desmineralizada, uma vez que, como prática internacional, esse tipo de indústria não deveria utilizar água potável, mas sim água do mar.

Durante a troca, Marrero reconheceu que a termoelétrica apresenta um elevado grau de obsolescência, e que sobre ela pesa “uma quantidade de dificuldades acumuladas por não ter contado com os recursos para realizar as reparações necessárias, os manutenções", embora considerasse necessário "continuar a utilizá-la pelo que a Guiteras significa para o país”.

Enquanto isso, nas redes sociais, os comentários foram unânimes em destacar a manipulação por trás dessas visitas oficiais.

Moradores de Matanzas denunciaram que, após dois dias de apagões quase totais, a eletricidade reapareceu exatamente com a chegada do primeiro-ministro. “Colocam cinco horas seguidas de luz como por arte mágica, que coincidência”, ironizou um usuário.

Outros matanceros lembraram que a província sofre cortes de mais de 20 horas enquanto Havana recebe prioridade na distribuição elétrica. “A Guiteras está aqui, mas é de lá, não beneficia em nada a província”, lamentou uma vizinha, que reprova que a planta seja apresentada como um orgulho quando deixa ao seu redor comunidades mergulhadas em apagões intermináveis.

O mal-estar se acentua diante do que muitos qualificam como um ciclo repetido de “remendos caros e promessas não cumpridas”.

Usuários apontaram que, embora sejam anunciadas manutenções gerais, os apagões continuarão e até podem piorar. “No final das contas, com a Guiteras operando temos 20 horas de apagão; quando sair da manutenção, serão 24”, escreveu um leitor.

Em vez de soluções permanentes, a percepção entre a população é que a crise energética apenas se agrava.

“O que eles precisam é construir novas termelétricas, não continuar pintando ruínas com blush”, reclamou outro usuário, como expressão da frustração de um país que sobrevive entre apagões, escassez e um governo que insiste em vender como conquistas o que para o povo são ruínas.

Em Cuba, os apagões não se resolvem com discursos ou visitas planejadas: resolvem-se com soluções reais, e essas nunca chegam.

A CTE Guiteras, com uma capacidade nominal de 220 MW, é o maior bloco unitário de geração elétrica do país. No entanto, sua caldeira principal não recebeu manutenção capital desde sua inauguração em 1989, o que a torna uma estrutura altamente vulnerável.

Logrou reconectar-se ao Sistema Elétrico Nacional (SEN) à meia-noite de sexta-feira, 1º de agosto, após completar um processo de reinício marcado pela cautela e pela incerteza.

Nas ruas e redes sociais, o descontentamento dos cubanos cresce diante da frequência dos apagões, da falta de transparência e da sensação de que todo o sistema energético depende de um fio enferrujado.

Perguntas frequentes sobre a crise energética em Cuba e a Central Termoelétrica Antonio Guiteras

Qual é a situação atual da Central Termoelétrica Antonio Guiteras?

A Central Termoelétrica Antonio Guiteras encontra-se em uma situação crítica devido à sua obsolescência e a várias falhas técnicas, como a quebra de bombas e um elevado consumo de água de reposição. Apesar dos esforços de manutenção, a planta continua enfrentando problemas frequentes que afetam sua capacidade de geração elétrica.

Por que a visita do primeiro-ministro Manuel Marrero à Guiteras gerou mal-estar na população?

A visita do primeiro-ministro Manuel Marrero à Guiteras gerou descontentamento, pois coincidiu com um retorno pontual da eletricidade, o que muitos cubanos interpretaram como uma tentativa de mascarar a crise energética. Os cidadãos denunciaram a manipulação por trás da visita oficial, já que, de modo geral, a eletricidade reapareceu apenas durante a visita, e os apagões continuam afetando a população.

Qual é o impacto dos problemas da Guiteras no fornecimento de energia elétrica em Cuba?

Os problemas da Guiteras agravam a crise energética em Cuba, uma vez que esta usina é o maior bloco unitário de geração elétrica do país. Sua incapacidade de operar em plena capacidade contribui para os prolongados apagões que afetam a população, exacerbando o mal-estar social e a percepção da ineficácia do governo em lidar com a crise.

Que soluções foram propostas para melhorar a situação da Guiteras e o sistema elétrico cubano?

O governo anunciou planos de manutenção capital para a Guiteras e outras centrais, assim como o aumento da geração distribuída. No entanto, essas medidas não conseguiram resolver o problema de fundo devido à obsolescência tecnológica e à falta de recursos. A população exige soluções estruturais, como a construção de novas termoelétricas e uma gestão mais eficaz dos recursos energéticos.

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