Apesar do retorno ao Sistema Elétrico Nacional (SEN) da Central Termoelétrica Antonio Guiteras, um dos blocos energéticos mais importantes do país, os apagões têm se mantido sem variações significativas em toda Cuba, refletindo uma crise elétrica que não dá trégua em pleno verão.
Segundo a nota informativa publicada neste sábado pela União Elétrica (UNE), o país sofreu interrupções durante as 24 horas do dia anterior, situação que se estendeu ao longo da madrugada de hoje.

O maior déficit de capacidade de geração foi registrado às 19h50 de sexta-feira, com um total de 1.822 megawatts (MW) indisponíveis, embora esse pico não tenha coincidido com o horário de maior demanda. Para este sábado, dia 2 de agosto, a situação não melhora apesar da sincronização ao SEN da termoelétrica matancera.
Enquanto isso, os 24 parques solares fotovoltaicos recentemente instalados geraram um total de 2.742 megawatts-hora (MWh), alcançando uma potência máxima de 545 MW ao meio-dia. No entanto, essa contribuição é insuficiente para reverter o desequilíbrio estrutural do sistema, que continua impactado por múltiplas falhas técnicas, déficit de combustível e limitações logísticas.
Às sete da manhã desta sexta-feira, a disponibilidade energética do SEN era de apenas 1.895 MW, em frente a uma demanda de 3.245 MW, o que representa uma afetacão por déficit de capacidade de 1.325 MW. Para o horário das 12 horas, estima-se que a afetacão gire em torno de 1.280 MW.
As principais causas dessa situação estão concentradas em falhas ativas na unidade 6 da termoelétrica Renté e na unidade 2 de Felton, além da manutenção que mantém fora de operação a unidade 2 de Santa Cruz del Norte, a unidade 4 da Carlos Manuel de Céspedes em Cienfuegos e a unidade 5 de Renté. A isso se somam as limitações térmicas que mantêm 434 MW fora de serviço.
Um fator adicional que agrava a situação é a escassez de combustível, que mantém 75 centrais de geração distribuída inativas, com uma capacidade combinada de 634 MW, além dos 64 MW correspondentes à patana de Regla. No total, 698 MW estão fora do sistema por essa razão.
Para o horário de pico, a UNE alertou que, por razões comerciais, será desconectada a patana de 240 MW localizada em Havana. Embora tenham sido adotadas medidas imediatas para conter o deterioro, o panorama continua desfavorável. Está prevista a entrada em funcionamento parcial da unidade 6 de Renté com 50 MW, assim como a adição de 17 MW provenientes da Energás Varadero e 64 MW de oito motores na patana de Regla.
Apesar desses reforços, espera-se que no horário de pico a disponibilidade atinja apenas 2.022 MW frente a uma demanda máxima estimada de 3.700 MW. Isso deixaria um déficit de 1.674 MW e uma possível afetacão de até 1.744 MW, o que prolongaria os apagões em todo o território nacional.
Um mês de julho marcado por apagões diários e déficit recorde
Durante o mês de julho, o sistema elétrico cubano enfrentou uma de suas piores etapas do ano. As notas publicadas pela UNE e reportadas por CiberCuba documentaram cortes de eletricidade que afetaram todas as províncias durante dias consecutivos.
Em mais de uma ocasião, o déficit superou os 1.800 MW, e no dia 21 de julho foi registrado um recorde de 2.054 MW, um nível sem precedentes nos últimos anos.
A situação não apenas se manteve crítica durante os horários de pico, mas se estendeu pelas 24 horas do dia, com relatos de apagões durante a madrugada, ao amanhecer e em faixas vespertinas. As causas repetidas foram as mesmas que hoje persistem: falhas técnicas, manutenções prolongadas e, acima de tudo, uma alarmante escassez de combustível.
Em várias ocasiões, a UNE alertou que o sistema estava operando abaixo de 50% de sua capacidade. A dependência das barcaças flutuantes e da geração distribuída se tornou inviável devido à impossibilidade de manter os suprimentos.
Nesse contexto, a reincorporação pontual de alguma usina como Guiteras não consegue modificar um cenário estrutural de colapso energético, reconhecido pelas próprias autoridades do regime, que se mostram incapazes de remediá-lo.
A população, entretanto, enfrenta o mês de agosto com temperaturas elevadas, dificuldades para conservar alimentos e uma crescente frustração diante de uma crise elétrica que não parece ter solução a curto prazo.
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