Elevado déficit de geração mantém os apagões em Cuba sem perspectivas de melhora

Quatro unidades termoelétricas estão fora de serviço por avarias ou manutenção e 39 centrais de geração distribuída por falta de combustível.

Apagão em Cuba (Imagem referencial)Foto © Facebook / Lázaro Manuel Alonso

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A crise energética em Cuba continua sem alívio e nesta sexta-feira, 29 de agosto, foi mais uma vez confirmada a realidade que já se tornou rotina para milhões de famílias: o país vive praticamente em um apagão permanente.

A União Elétrica (UNE) informou que na quinta-feira o serviço foi afetado durante 24 horas e que a madrugada de hoje também transcorreu com cortes em todo o território nacional.

De acordo com a nota publicada pela empresa estatal em seu site, a máxima afetacão por déficit de capacidade de geração no dia anterior alcançou 1.719 MW (um pouco menos do que o valor previsto) às 20h40, sem coincidir com o horário de maior demanda.

Estado atual do SEN

Às 6:00 da manhã desta sexta-feira, a disponibilidade do Sistema Elétrico Nacional (SEN) era de apenas 2.120 MW, diante de uma demanda de 3.006 MW, o que provocava um déficit imediato de 927 MW.

Para as horas do meio-dia, a UNE estima que a afetacão será de cerca de 900 MW, confirmando que a situação não dará trégua ao longo de todo o dia.

As principais ocorrências relatadas incluem falhas em duas unidades da termelétrica Renté e Felton, além de manutenções em outros dois blocos de Santa Cruz e Carlos Manuel de Céspedes, em Cienfuegos.

Além disso, devido a limitações térmicas, 518 MW estão fora de serviço.

A falta de combustível agrava o panorama

A crise de abastecimento de combustíveis também afeta o sistema: 39 centrais de geração distribuída estão paralisadas por essa razão, o que representa 196 MW a menos em disponibilidade.

A isso se somam 225 MW fora de serviço por falta de lubrificantes, o que eleva o total a 421 MW indisponíveis devido a problemas logísticos e de fornecimento.

Previsão do horário de pico

As previsões para a noite são ainda mais desalentadoras.

A UNE estima que no horário de pico será possível incorporar apenas 50 MW graças a motores de geração distribuída que hoje permanecem parados devido à escassez de combustível.

Ainda assim, a disponibilidade estaria em torno de apenas 2.215 MW, enquanto a demanda máxima poderia alcançar 3.750 MW.

Consequentemente, o déficit nesse momento superará os 1.565 MW e as afetações chegarão a 1.635 MW, o que implica que grande parte do país ficará às escuras durante várias horas consecutivas.

Captura de Facebook / Unión Eléctrica UNE

A Havanna também não escapa aos apagões

A Empresa Elétrica de Havana confirmou também no que na capital ocorreram interrupções no serviço a partir das 21h22 de quinta-feira, com uma afetacão máxima de 57 MW às 22h.

O restabelecimento total ocorreu às 23h14, embora os planos de cortes para blocos específicos durante a noite não tenham sido totalmente executados.

Captura de Facebook / Empresa Elétrica de Havana

A entidade lembrou que os apagões na cidade sempre dependerão das exigências do SEN, o que significa que qualquer variação no déficit nacional impacta diretamente os habaneros.

Energias renováveis: alívio insuficiente

Em meio ao panorama crítico, a UNE destacou a contribuição dos 26 novos parques solares fotovoltaicos, que geraram durante o dia 2.366 MWh, com uma potência máxima de 557 MW ao meio-dia.

No entanto, a contribuição desta fonte é insuficiente para compensar o colapso das usinas termoelétricas e a falta de combustíveis fósseis.

Um "apagão eterno"

A combinação de avarias constantes, manutenções prolongadas, limitações térmicas e escassez crônica de combustível traça um cenário em que as interrupções de energia se tornaram parte da vida cotidiana.

Enquanto a UNE insiste que está trabalhando para recuperar unidades e otimizar recursos, os cubanos enfrentam mais um dia de calor sufocante, refrigeradores desconectados e noites às escuras, presos no que muitos já chamam de um "apagão eterno".

Perguntas frequentes sobre a crise energética em Cuba

Qual é a principal causa dos apagões em Cuba?

A principal causa dos apagões em Cuba é o déficit de geração elétrica devido a múltiplos fatores, entre eles as falhas nas termelétricas, a manutenção prolongada de várias unidades, as limitações térmicas e a crônica escassez de combustível. Isso resultou em uma disponibilidade de geração insuficiente para atender à demanda nacional.

Como a falta de combustível afeta a crise elétrica em Cuba?

A falta de combustível agrava a crise elétrica em Cuba ao manter fora de serviço numerosas centrais de geração distribuída. Atualmente, dezenas dessas centrais estão paralisadas, contribuindo significativamente para o déficit de capacidade de geração e para os apagões prolongados em todo o país.

Que papel desempenham as energias renováveis na situação energética de Cuba?

Apesar da instalação de novos parques solares fotovoltaicos, as energias renováveis ainda não são suficientes para compensar o déficit energético em Cuba. Embora esses parques contribuam com uma quantidade significativa de energia ao sistema, sua contribuição é marginal frente à grande demanda e às limitações das fontes convencionais.

Quais medidas o governo cubano tomou para enfrentar a crise energética?

Até agora, as medidas do governo cubano têm se concentrado principalmente em realizar manutenções e reparos de emergência, sem oferecer soluções estruturais a longo prazo. A falta de investimento em infraestrutura energética e a dependência de combustíveis fósseis são problemas persistentes, enquanto as autoridades energéticas insistem na necessidade de racionalizar o consumo e apoiar a transição para fontes renováveis.

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