A frase "Canel assassino" foi pintada em uma parede localizada na interseção das ruas 31 e 66, no município Playa, um dos pontos mais movimentados do oeste de Havana.
A denúncia foi feita nesta terça-feira pelo perfil independente La Kinkalla TV em redes sociais, que compartilhou um vídeo do momento em que um par de pessoas se esforçava para apagar a mensagem grafitada, presumivelmente à meia-noite.
De acordo com o perfil citado, o cartaz foi pintado em uma parede de considerável altura próxima à esquina da 31 com a 66, onde surgiu diante dos olhos estupefatos dos vizinhos e repressão dos arredores. A consigna foi interpretada como uma forma de protesto contra o recente aumento tarifário da Empresa de Telecomunicações de Cuba S.A. (ETECSA), que provocou uma onda de indignação no país.
O vídeo mostrou claramente a mensagem escrita em grandes letras amarelas, visíveis da calçada e da via principal. Junto aos que trabalhavam tentando cobrir o cartaz, foi vista uma dupla vestida à civil e com uma moto Suzuki, que muitos identificaram pela aparência como represores do ministério do Interior (MININT).
Esse tipo de manifestações públicas de descontentamento em relação ao governante Miguel Díaz-Canel não são comuns em espaços tão expostos, devido ao forte controle estatal sobre a expressão política em Cuba. No entanto, desde os protestos de 11 de julho de 2021, o país tem registrado um aumento nos atos de rebeldia simbólica, especialmente em áreas urbanas.
O cartaz desta terça-feira se junta a uma série de manifestações semelhantes que ocorreram nos últimos anos em várias províncias do país. Por exemplo, em março de 2024, apareceram cartazes com frases como "Díaz-Canel singao" em Matanzas após intensas jornadas de protestos.
Assim, em agosto de 2022, foram reportados grafites com mensagens como "Abaixo a ditadura" e "Viva Cuba Livre" na Loma de la Cruz, em Holguín. Um mês antes, em Cienfuegos foi realizado um operativo policial devido à aparição de um cartaz contra Díaz-Canel em uma instituição pré-universitária da cidade.
O desafio "pinta seu pedacinho" se tornou viral em julho de 2021 e desde então ressurge a cada pico de crise energética ou em momentos de descontentamento intensificado entre os cubanos que, conscientes do risco que correm ao serem pegos, soltam sua indignação com cartazes e pichações contra o governo.
A aparição deste tipo de mensagens em espaços públicos é interpretada pelo regime como um sinal de rompimento do medo e de uma sociedade que busca ser ouvida, motivo pelo qual se apressam em apagá-las e identificar seus autores para prendê-los e ameaçá-los.
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