O Observatório de Liberdade Acadêmica (OLA) expressou seu apoio às reivindicações estudantis em várias universidades cubanas, motivadas pelas restrições impostas pela Empresa de Telecomunicações de Cuba (ETECSA) à navegação na Internet em Cuba.
Em uma declaração oficial, OLA defendeu o direito dos estudantes de se manifestarem pacificamente e alertou sobre possíveis represálias por parte do regime. Também denunciaram que as restrições de acesso à internet impostas pela ETECSA violam o direito humano à educação e ao acesso à informação.

"O Observatório da Liberdade Acadêmica apoia as demandas do estudante universitário cubano. Ao mesmo tempo, condenamos qualquer retaliação por parte do Governo de Cuba contra aqueles que exercem pacificamente seu direito ao acesso à informação e à livre expressão dentro de nossos claustros", diz o comunicado oficial.
OLA destacou que a reivindicação dos universitários é legítima diante da crise socioeconômica que o país atravessa e da falta de representatividade de organizações como a FEU.
Insistiram que "o uso da internet não pode ser entendido como um privilégio de classe em nenhum sistema educacional, uma vez que faz parte da estrutura metodológica de todo processo acadêmico".
As mobilizações começaram na Faculdade de Matemática e Computação da Universidade de Havana (UH), onde os estudantes convocaram uma paralisação acadêmica indefinida a partir de 4 de junho.
Entre suas exigências estão a eliminação da limitação das recargas nacionais a 360 CUP a cada 30 dias, um diálogo transparente com a ETECSA e a inclusão de propostas técnicas estudantis na tomada de decisões.
A Universidade de Havana respondeu com um comunicado institucional nesta quarta-feira, no qual reafirmou seu apoio incondicional ao Partido Comunista de Cuba (PCC) e declarou que “nada nem ninguém interromperá os processos docentes”. A instituição se afastou assim das demandas studantis e defendeu o que consideram sua “essência revolucionária”.
A inquietação dos universitários se espalhou rapidamente para outras faculdades. No dia 3 de junho, estudantes da Faculdade de Filosofia, História, Sociologia e Trabalho Social da UH publicaram um comunicado expressando seu “rechazo absoluto” às tarifas da ETECSA e clamando por justiça social e transparência institucional.
El martes também a Universidade Tecnológica de Havana (CUJAE) se uniu à oposição às medidas da ETECSA. A FEU e a UJC da CUJAE classificaram de “vagas” as explicações oferecidas pela presidenta da companhia de comunicações e exigiram mudanças estruturais e respeito em relação ao estudante e ao povo cubano.
ETECSA havia anunciado a disponibilidade de um segundo pacote de 6 GB para universitários por 360 CUP adicionais, e liberou mais de 40 sites educacionais. No entanto, não modificou a criticada política geral de conectividade e, portanto, as propostas do governo não mudaram a posição dos universitários.
A tensão entre estudantes e autoridades marca um novo capítulo de fricção na academia cubana.
Perguntas frequentes sobre as demandas estudantis em Cuba e as medidas da ETECSA
Por que os estudantes universitários estão protestando em Cuba?
Os estudantes universitários em Cuba denunciam as restrições impostas pela ETECSA, pois limitam as recargas nacionais a 360 CUP a cada 30 dias, afetando seu acesso à internet. Essas medidas são vistas como uma violação do direito à educação e ao acesso à informação, essenciais para seu desenvolvimento acadêmico.
Quais são as demandas que os estudantes cubanos estão apresentando em suas protestas?
Os estudantes exigem a revogação ou modificação das medidas impostas pela ETECSA, um diálogo transparente com os diretores da empresa estatal, e a inclusão do conhecimento técnico estudantil na busca por soluções. Também pedem a eliminação da limitação de recargas nacionais e que se considere a justiça social e a transparência institucional.
Como a Universidade de Havana respondeu às protestas estudantis?
A Universidade de Havana reafirmou seu apoio incondicional ao Partido Comunista de Cuba (PCC) e declarou que não permitirá interrupções em seus processos de ensino. A instituição se distanciou das demandas estudantis, defendendo sua “essência revolucionária” e priorizando a estabilidade institucional.
Quais medidas a ETECSA tomou em resposta às críticas e protestos?
ETECSA ofereceu aos estudantes universitários a possibilidade de adquirir um segundo pacote de dados móveis de 6 GB por 360 CUP adicionais, totalizando 12 GB mensais. Além disso, liberou mais de 40 sites educacionais para que os estudantes possam acessar sem consumir dados móveis. No entanto, essas medidas não modificaram a criticada política geral de conectividade.
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