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A FEU e a UJC da Universidade Tecnológica de Havana “José Antonio Echeverría” (CUJAE) condenaram enfaticamente nesta terça-feira as novas disposições da Empresa de Telecomunicações de Cuba (ETECSA) anunciadas ontem, destinadas a melhorar a conectividade dos estudantes universitários após as críticas à restrição das recargas em pesos cubanos (CUP) a um máximo de 360 CUP em um período de 30 dias.
Em uma declaração oficial conjunta emitida no dia 3 de junho, o Conselho da Federação Estudantil Universitária (FEU) e o Comitê da União de Jovens Comunistas (UJC) não apenas pediram outras soluções além das oferecidas, mas exigiram da ETECSA mais respeito pelo povo.
"Reiteramos nossa insatisfação e pedimos outras soluções, mais concretas em termos de tempo e inclusivas. Além de uma postura mais respeitosa por parte dos diretores que se manifestam publicamente perante a população", conclui o que é apenas o primeiro parágrafo da aguda e surpreendente declaração da CUJAE.
Os universitários exigiram não apenas correções técnicas e econômicas, mas também uma mudança de atitude e tom por parte dos representantes da empresa estatal, que - segundo o texto - têm oferecido explicações vagas e repetitivas, sem abordar com clareza o impacto real sobre a cidadania.
Críticas específicas ao proceder da ETECSA
O documento apresenta com precisão uma série de argumentos que sustentam a rejeição da comunidade estudantil:
■ Falta de rigor técnico
“Os gráficos apresentados para justificar o ‘consumo médio de 6GB’ carecem de rigor: não mostram faixas etárias, nem segmentação por necessidades.”
■ Medidas excludentes e contrárias ao ideal socialista
Denunciou-se que as mudanças favorecem apenas os estudantes universitários, ignorando docentes, pesquisadores, trabalhadores da saúde e outros setores essenciais
“Cria desigualdades inadmissíveis em um sistema socialista.”
■ Incoerências entre discurso e prática
Embora a ETECSA insista em priorizar setores-chave para o desenvolvimento, as restrições de conectividade prejudicam diretamente aqueles que deveriam ser beneficiados:
“Esta restrição limita esse objetivo, afetando estudantes, cientistas e profissionais.”
■ Perguntas que continuam sem resposta
Os estudantes interpõem diretamente à empresa:
“Por que não foram implementadas antes alternativas como bônus, horários ou promoções para arrecadar divisas sem prejudicar a população?”
“Não existe outra alternativa… que não recaia diretamente sobre a população?”
■ Falta de transparência e comunicação
“Não é correto nem é a prática revolucionária amanhecer com uma notícia de imediata implementação e sem capacidade alguma de reação ou preparação.”
Além disso, questionam a dolarização dos serviços em relação aos salários em moeda nacional e denunciam que o preço dos pacotes "custa mais da metade de um salário médio no país", prejudicando a inclusão digital.
Chamado ao respeito e à autocrítica
A declaração aponta diretamente para a atitude da ETECSA durante suas aparições públicas:
“As apresentações não estiveram à altura da demanda popular. Tiveram posturas desrespeitosas”, indicou o comunicado, que também ressaltou a falta de empatia dos diretores.
“Até agora, nenhum diretor explicou isso publicamente nem reconheceu o erro”, apontaram.
Propostas claras e viáveis
Longe de se limitar à crítica, a FEU e a UJC da CUJAE apresentaram um conjunto de propostas concretas:
-Revisão do esquema de recarga nacional, com participação estudantil e cidadã.
- Bonos noturnos (de 0h às 5h) destinados a downloads acadêmicos.
-Planejamentos segmentados por uso (por exemplo, pacotes específicos para WhatsApp ou YouTube).
Intercâmbio com diretores da ETECSA na universidade, coordenado pela Faculdade de Telecomunicações e Eletrônica.
- Extensão de benefícios a outros setores vulneráveis, incluindo docentes e trabalhadores sociais.
Contexto da declaração
O comunicado se originou após um amplo encontro realizado na CUJAE, no qual participaram representantes das diferentes faculdades, presidentes da FEU, secretários da UJC, do Sindicato e do PCC.
A sessão também contou com a presença de autoridades provinciais e nacionais do Partido, da UJC, da FEU e do Sindicato.
O objetivo foi ouvir em primeira mão as preocupações de estudantes e trabalhadores, canalizando esse sentimento coletivo em um documento público que refletisse fielmente sua posição.
Declaração final: Firmeza e compromisso
O texto terminou com um chamado ao diálogo autêntico e à defesa do bem coletivo: “Exortamos a ETECSA a corrigir, dialogar com transparência e agir com a premissa de que ‘Revolução é mudar tudo o que deve ser mudado’”.
Além disso, alertam contra tentativas de manipulação externa e reafirmam sua vontade de preservar a paz na comunidade universitária.
"Não vamos permitir que manipulem nosso corpo estudantil e jovens com ações mal-intencionadas […] Também não permitiremos que a tranquilidade dos corredores da nossa Universidade seja prejudicada", concluíram.
ETECSA tenta acalmar os estudantes após aumento de tarifas
Após a ampla rejeição gerada pelas novas tarifas impostas pela ETECSA a partir de 30 de maio, a empresa estatal de telecomunicações tentou minimizar as críticas, especialmente entre os estudantes universitários, com novas medidas anunciadas no programa oficialista Mesa Redonda.
A presidenta da ETECSA, Tania Velázquez Rodríguez, informou que, como parte de uma estratégia direcionada a grupos específicos, os estudantes universitários terão a possibilidade de adquirir um segundo pacote de dados móveis de 6 GB, além do que já podem comprar com os 360 CUP atribuídos mensalmente em recargas nacionais.
No total, este grupo poderá dispor de 12 GB por mês ao custo de 720 CUP.
Este benefício estará disponível para os estudantes que se encontrem devidamente identificados na base de dados da ETECSA, resultado de um estudo de consumo realizado sobre uma amostra de mais de 60.000 estudantes universitários.
Velázquez Rodríguez também anunciou que mais de 40 sites educativos já estão disponíveis gratuitamente e que se está trabalhando com organismos nacionais para continuar ampliando essa lista. A ideia, segundo a empresa, é permitir que os estudantes interajam em plataformas acadêmicas sem consumir seus dados móveis.
No entanto, essa saída não agradou aos estudantes da CUJAE, conforme fica claramente expresso no pronunciamento oficial da FEU e da UJC dessa renomada instituição de ensino.
A seguir, transcrevemos, na íntegra, o PRONUNCIAMENTO OFICIAL FEU-UJC CUJAE, assinado pelo Conselho FEU e Comitê UJC da Universidade Tecnológica de Havana José Antonio Echeverría – CUJAE.
3 de junho de 2025
Diante dos anúncios na Mesa Redonda de 2 de junho, em decorrência das recentes medidas implementadas pela ETECSA, a Federação Estudantil Universitária (FEU) e a União dos Jovens Comunistas (UJC) da CUJAE, em representação dos nossos estudantes e jovens, e atendendo às suas reivindicações de se pronunciar, manifestamos novamente nossa insatisfação e solicitamos outras soluções, mais concretas em termos de prazo e inclusivas. Além disso, pedimos uma postura mais respeitosa por parte dos diretores que se pronunciam publicamente em relação à população.
PRINCIPALES CRITERIOS
Falta de rigor técnico nas explicações:
Os gráficos apresentados para justificar o "consumo médio de 6GB" carecem de rigor: não mostram faixas etárias nem segmentação por necessidades.
Medidas que violam princípios essenciais:
Beneficiar apenas estudantes universitários exclui docentes, investigadores, trabalhadores da saúde e uma parte importante da população, além de criar desigualdades inadmissíveis em um sistema socialista. Não foi especificado como serão implementadas as medidas propostas, nem como esses outros setores serão levados em consideração. Embora possamos assumir como fazê-lo, não é coerente não explicar.
Explicações repetidas de forma desnecessária:
Entendemos o impacto cruel do bloqueio e a imperiosa necessidade de divisas, mas: se a internet deve "priorizar setores que apoiem o desenvolvimento do país", essa restrição limita esse objetivo, afetando estudantes, cientistas e profissionais, além de ser um obstáculo à implementação da política de transformação digital que o país aprovou há um ano.
Perguntamos:
Por que não foram implementadas antes alternativas como bônus, horários ou promoções para arrecadar divisas sem prejudicar a população?
Não existe outra alternativa no país para priorizar a recuperação da empresa que não recaia diretamente na população?
Contradições com a empresa:
Não se compreende que a empresa, diante da situação crítica que descreve e que entendemos, não envolva a população nem setores específicos para ajudar a entender as medidas que estavam sendo elaboradas. Além disso, nenhum diretor explicou isso publicamente nem reconheceu o erro.
Medidas insuficientes e excludentes:
Ampliar para 12GB para universitários é um paliativo burocrático, não uma solução. A decisão tomada não é explicada pelos estudos realizados.
Não foi dito como se aplica se a linha estiver em nome de familiares.
Não tem sido transparente com a taxa de câmbio utilizada para os pacotes.
Mostrar uma economia dolarizada, com salários em CUP, é economicamente regressivo.
Economia familiar: Pacotes extras custam mais da metade de um salário médio no país. O valor da internet em moeda estrangeira atenta contra a inclusão digital.
Aparecem revendas de saldo (visíveis nas redes sociais e grupos de WhatsApp).
Débil funcionamento das aplicações nacionais e pouca preparação prévia para torná-las atrativas, além de não existirem para todas as terminales.
Transparência:
Não é correto nem é a prática revolucionária acordar com uma notícia de implementação imediata e sem qualquer capacidade de reação ou preparação. Destacando que a publicação da empresa no dia anterior foi pouco clara. Este procedimento é altamente desrespeitoso, e embora tenha sido explicado, nos recusamos a acreditar que fosse a única alternativa. Além disso, a empresa também não demonstrou empatia com a população nem reconheceu que seu proceder é incorreto.
Fomento do descontentamento popular:
As comparecências não estiveram à altura da demanda popular. Adotaram posturas desrespeitosas. No caso da última, foram reiteradas por mais de uma hora as explicações já conhecidas, deixando os últimos 10 minutos para as mudanças anunciadas pela empresa. Eram necessários mais detalhes.
PROPOSTAS CONCRETAS DA FEU-UJC
Revisar novamente a restrição de recarga nacional e desenhar um novo modelo com mais participação estudantil e cidadã.
Bonos noturnos (12h–5h) para downloads acadêmicos.
Planos segmentados (por exemplo: GB específicos para WhatsApp/YouTube/Entre outros).
Realizar intercâmbio com diretores da empresa em nossa Universidade, um espaço que vem sendo coordenado pela faculdade de Telecomunicações e Eletrônica.
Estender medidas a docentes, profissionais e setores vulneráveis não é algo distante, mas sim uma realidade a ser concretizada.
DECLARAÇÃO FINAL
Exortamos a ETECSA a retificar, dialogar com transparência e agir com a premissa de que “Revolução é mudar tudo que deve ser mudado”.
A CUJAE, fiel à sua tradição revolucionária, continuará a buscar a unidade e o compromisso. Esta declaração busca justamente transmitir o sentimento daqueles que representamos. Estamos certos de que será o diálogo e a representação de nossas organizações o caminho para canalizar as insatisfações que tivermos.
Não vamos permitir que manipulem nossos estudantes e jovens com ações mal-intencionadas que não buscam defender o bem comum. Também não permitiremos que se perturbe a tranquilidade dos corredores de nossa Universidade.
Mantemos uma comunicação permanente com a direção da Universidade, a FEU Nacional, a UJC em todos os seus níveis, o Partido e o Governo. É nossa convicção que este é o caminho correto.
Continuamos atentos aos critérios dos estudantes e jovens da Universidade e à sua disposição de também serem parte ativa das soluções necessárias.
Conselho da FEU e Comitê da UJC
Universidade Tecnológica de Havana “José Antonio Echeverría” CUJAE
Perguntas frequentes sobre a protesto estudantil contra a ETECSA em Cuba
Por que os estudantes da CUJAE protestam contra a ETECSA?
Os estudantes da CUJAE protestam contra a ETECSA devido às novas medidas tarifárias que limitam as recargas em pesos cubanos e obrigam a pagar preços elevados por pacotes adicionais, o que afeta seu direito ao acesso à informação, à educação e à comunicação. Consideram que essas medidas são excludentes e criam desigualdades no sistema socialista, além de que a atitude da ETECSA tem sido vista como desrespeitosa e pouco empática em relação ao povo cubano.
Quais são as principais críticas dos estudantes em relação à ETECSA?
Os estudantes criticam a falta de rigor técnico nas explicações da ETECSA, as medidas excludentes que favorecem apenas certos setores, as incoerências entre o discurso de priorização de setores chave e as restrições que impedem essa priorização, além da falta de transparência e comunicação. Além disso, questionam a dolarização dos serviços e seu impacto na inclusão digital.
Que propostas os estudantes apresentam para melhorar a situação com a ETECSA?
Os estudantes da CUJAE propõem revisar o esquema de recarga nacional com participação cidadã, implementar bônus noturnos para downloads acadêmicos, oferecer planos segmentados por uso, realizar intercâmbios com diretores da ETECSA na universidade e estender benefícios a outros setores vulneráveis, como docentes e trabalhadores sociais.
Como a ETECSA respondeu às críticas dos estudantes?
A ETECSA tentou acalmar as críticas oferecendo um segundo pacote de dados móveis para estudantes universitários, permitindo que adquiram um total de 12 GB por mês a um custo de 720 CUP. Além disso, anunciou que mais de 40 sites educativos estarão livres de custo para facilitar o acesso a plataformas acadêmicas. No entanto, essas medidas não satisfizeram os estudantes, que consideram que não abordam a raiz dos problemas.
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