Este é o motivo pelo qual o regime impôs a Berta Soler e Ángel Moya prisão domiciliar por 48 dias

"Vamos sair porque não aceitamos a prisão domiciliar, nossa sede não é um calabouço", afirmou Ángel Moya.

Berta Soler e Ángel MoyaFoto © Facebook / María Cristina Labrada

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A líder do movimento opositor Damas de Branco, Berta Soler, e seu marido, o ex-preso político Ángel Moya Acosta, foram colocados sob prisão domiciliar durante 48 dias, conforme confirmaram eles mesmos à agência EFE.

A medida foi imposta pelo regime cubano após sua participação em uma atividade religiosa junto ao chefe da missão diplomática dos Estados Unidos em Havana.

"Nossos telefones foram ocupados e foram registrados sem nosso consentimento", denunciou Moya à EFE no sábado.

Além disso, a sede da organização na comunidade habanera de Lawton está sitiada e sem serviço de Internet.

"Amanhã (domingo) vamos sair porque não aceitamos a prisão domiciliar, nossa sede não é um calabouço e do ponto de vista moral e ético não o aceitamos", afirmou.

O casal foi detido na última quinta-feira em plena via pública por agentes da Segurança do Estado, que informaram que estavam sob investigação por "atentar contra a ordem constitucional estabelecida" ao se reunirem com funcionários estrangeiros.

Ambos foram conduzidos separadamente a delegacias de polícia, onde permaneceram mais de 24 horas detidos antes de serem liberados sob a medida cautelar de prisão domiciliar.

O motivo da prisão, explicaram, foi sua participação na missa do Domingo de Ramos em Havana, na companhia de Mike Hammer, encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos.

A presença do diplomata americano na última missa também esteve cercada de vigilância.

Segundo denunciou Moya, agentes da Segurança do Estado gravaram com câmeras de vídeo quando Soler e Hammer saíram do carro diplomático, uma prática de intimidação que, segundo ele, tem sido frequente nos últimos anos.

O gesto do funcionário foi visto pelo regime como um ato de respaldo simbólico ao ativismo pacífico que as Damas de Branco representam.

Uma repressão sistemática e contínua

Desde sua fundação em 2003, o coletivo Damas de Blanco tem sido alvo de repressão constante por parte do regime cubano.

Surgido após as detenções em massa da chamada Primavera Negra, o grupo se identifica por vestir de branco e realizar marchas pacíficas após assistir à missa, pedindo a libertação de prisioneiros políticos.

Berta Soler, figura principal do movimento, denunciou detenções arbitrárias quase semanais, na sua maioria aos domingos, quando tentam ir às igrejas para exercer seu direito à liberdade religiosa.

Este último arresto se soma a um padrão de vigilância, violência e assédio documentado por mais de duas décadas.

Sem acesso a direitos básicos

Além do isolamento forçado, a sede das Damas de Branco permanece bloqueada por agentes policiais, impedindo o livre movimento de suas integrantes.

Apesar das restrições, o casal reafirmou seu compromisso com a luta pacífica pelos direitos humanos e pelas liberdades civis em Cuba.

Apoio internacional

A presença de Mike Hammer na missa e sua relação próxima com a dissidência cubana têm sido vistas como uma tentativa de reforçar o apoio diplomático dos Estados Unidos à sociedade civil.

Desde sua chegada à Ilha em novembro de 2024, o funcionário tem mantido encontros com ativistas, líderes religiosos e artistas independentes.

A situação de Soler e Moya despertou preocupação em organizações internacionais de direitos humanos, que reiteraram o apelo para que cesse a repressão contra aqueles que exercem pacificamente seus direitos constitucionais.

A repressão atual reflete a continuidade de uma política sistemática contra vozes dissidentes, em um contexto onde o controle social e político continua sendo a prioridade da ditadura.

Apesar das décadas que se passaram desde sua fundação, as Damas de Branco continuam a ser reprimidas, multadas e detidas, demonstrando que o custo da dissidência em Cuba continua alto.

Perguntas frequentes sobre a repressão em Cuba e o caso de Berta Soler e Ángel Moya

Por que Berta Soler e Ángel Moya estão sob prisão domiciliar?

Berta Soler e Ángel Moya foram colocados sob prisão domiciliar pelo regime cubano após participarem de uma atividade religiosa com Mike Hammer, o chefe da missão diplomática dos Estados Unidos em Havana. A medida foi imposta por se reunirem com funcionários estrangeiros e "atentarem contra a ordem constitucional estabelecida".

Que ações o regime cubano tomou contra as Damas de Branco?

Las Damas de Branco têm sido objeto de repressão constante desde sua fundação em 2003. O regime cubano tem realizado detenções arbitrárias, vigilância e assédio contra suas integrantes, especialmente aos domingos, quando tentam assistir à missa. A organização tem sido multada e seus membros detidos semanalmente por exercerem seu direito à protesto pacífico.

Qual é o papel dos Estados Unidos no apoio à dissidência cubana?

Estados Unidos tem demonstrado seu apoio à dissidência cubana por meio de ações diplomáticas e encontros com opositores. A presença de Mike Hammer em atividades religiosas ao lado de opositores é vista como um apoio simbólico ao ativismo pacífico em Cuba. Além disso, Estados Unidos fez apelos em defesa dos direitos humanos e das liberdades fundamentais na ilha.

Qual é a situação dos direitos humanos em Cuba segundo organizações internacionais?

Organizações internacionais de direitos humanos expressaram preocupação com a repressão sistemática em Cuba. A situação atual reflete uma política sustentada de assédio e violência contra vozes dissententes, o que evidencia um controle social e político prioritário para a ditadura. Existem constantes apelos para que se cesse a repressão e se libertem os presos políticos na ilha.

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