Régimen cubano volta a deter Berta Soler e o ex-preso político Ángel Moya: Desconhece-se seu paradeiro

Berta Soler e Ángel Moya foram detidos em Havana e o seu paradeiro é desconhecido, em um novo ato de repressão do regime contra duas figuras-chave da oposição em Cuba.


A líder do movimento opositor Damas de Blanco, Berta Soler Fernández, e o ex-preso político Ángel Moya Acosta foram detidos nesta quinta-feira, por volta das 14h, na área de La Virgen del Camino, em Havana.

Segundo denunciou na Facebook a plataforma feminista Alas Tensas, citando a ativista María Cristina Labrada, desconhece-se o paradeiro de ambos, uma situação que gerou preocupação entre ativistas e organizações de direitos humanos que têm acompanhado de perto seu constante assédio.

Captura Facebook / Alas Tensas

Berta Soler, fundadora e rosto visível das Damas de Branco, tem sido vítima de detenções arbitrárias e violência policial sistemática desde a criação do movimento em 2003, após a onda repressiva conhecida como a Primavera Negra, denunciou a plataforma feminista.

Seu ativismo tem se centrado na exigência de liberdade para os prisioneiros políticos em Cuba, por isso, tem sido alvo de vigilância, agressões e prisões semanais, especialmente aos domingos após assistir à missa.

Ángel Moya Acosta, esposo de Berta Soler, foi um dos opositores condenados durante a Primavera Negra, liberado em 2011 após anos de prisão, e desde então continua ativo na oposição pacífica.

Ambos são figuras emblemáticas da dissidência cubana e têm denunciado em múltiplas ocasiões a repressão sistemática do regime contra aqueles que defendem as liberdades civis.

As Damas de Branco receberam em 2005 o Prêmio Sájarov à Liberdade de Consciência, concedido pelo Parlamento Europeu, como reconhecimento ao seu trabalho pelos direitos humanos, lembrou Alas Tensas.

No entanto, quase duas décadas após sua fundação, seus integrantes continuam sendo presos, agredidos e multados a cada semana por exercer seu direito à protesto pacífico.

O caso de Berta Soler e Ángel Moya não é isolado. Faz parte de uma estratégia sustentada do regime cubano para silenciar líderes opositores, impedir sua visibilidade e cortar toda forma de mobilização cívica, especialmente em contextos de crescente descontentamento social.

Em fevereiro passado, agentes da segurança do Estado e a polícia prenderam em Havana vários opositores cubanos quando se dirigiam ao funeral da Dama de Branco e ex-prisioneira política Yolanda Santana Ayala, que faleceu devido a uma parada respiratória.

Berta Soler Hernández, líder das Damas de Blanco; Marieta Martínez e María Mercedes Benítez, integrantes desse movimento opositor, e Ángel Moya Acosta, ex-preso político, estavam a caminho da funerária localizada em La Palma, no município de Arroyo Naranjo, para dar o último adeus a Santana, quando foram interceptados por forças repressivas do regime, por volta das 10h30 da manhã.

O assédio contra Soler e Moya não é um caso isolado. A ativista cubana Yamilka Lafita Cancio, conhecida como Lara Crofs nas redes sociais, denunciou nesta quarta-feira que recebeu ameaças de morte para impedir que ela saia de sua casa em Havana.

Lafita compartilhou no Facebook capturas de tela de mensagens intimidatórias enviadas de uma conta oficialista com um tom abertamente violento.

Perguntas frequentes sobre a detenção de Berta Soler e Ángel Moya em Cuba

O que aconteceu com Berta Soler e Ángel Moya?

Berta Soler e Ángel Moya foram detidos pelo regime cubano em Havana, e atualmente desconhece-se seu paradeiro. A detenção dessas figuras emblemáticas da dissidência cubana provocou preocupação entre ativistas e organizações de direitos humanos.

Por que Berta Soler é uma figura importante na oposição cubana?

Berta Soler é a líder do movimento opositor Damas de Blanco, fundado em 2003, que luta pela liberdade dos presos políticos em Cuba. Ela tem sido vítima de detenções arbitrárias e violência policial devido ao seu ativismo. Seu trabalho tem sido reconhecido internacionalmente, recebendo o Prêmio Sájarov pela Liberdade de Consciência em 2005.

Qual é o contexto de repressão contra as Damas de Branco em Cuba?

As Damas de Branco enfrentam repressão sistemática por parte do regime cubano, incluindo prisões e violência, especialmente após assistirem à missa aos domingos. Apesar de seu reconhecimento internacional, o regime continua com sua estratégia de silenciar os opositores e evitar a mobilização cívica.

Que ações a comunidade internacional tem tomado em relação à situação em Cuba?

A comunidade internacional manifestou sua preocupação com a repressão em Cuba. Organizações como a Anistia Internacional declararam vários ativistas cubanos como prisioneiros de consciência, e figuras diplomáticas, como o chefe da Embaixada dos EUA em Cuba, demonstraram seu apoio aos opositores cubanos.

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