Berta Soler assiste a uma missa com o chefe da Embaixada dos EUA em Cuba e é gravada pela Segurança do Estado

O fato destaca a vigilância contínua do regime sobre os ativistas e o apoio simbólico de Washington à sociedade civil cubana.

Agente da Segurança do Estado gravando Berta Soler e Mike HammerFoto © Facebook/Ángel Moya

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A líder opositora cubana Berta Soler, fundadora do movimento Damas de Branco e vencedora do Prêmio Sájarov do Parlamento Europeu, participou neste domingo da missa de Domingo de Ramos na igreja de Santa Rita, em Havana, acompanhada pelo chefe da Embaixada dos Estados Unidos em Cuba, Mike Hammer.

Segundo denunciou o ativista e ex-prisioneiro político Ángel Moya Acosta, em uma publicação em sua conta no Facebook, a participação de Soler foi possível apesar de uma operação repressiva da Segurança do Estado nas imediações da sede das Damas de Branco, no município de Lawton.

Captura do Facebook/Ángel Moya Acosta

“El diplomata norte-americano chegou ao local e pegou Berta”, explicou Moya. “De volta da missa, e ao descer ambos do veículo diplomático, um agente da Segurança do Estado, o que aparece na foto, começou a coletar informações visuais através de uma câmera de vídeo”, acrescentou.

Moya denunciou que esse tipo de vigilância e assédio tem sido uma constante nos últimos dez anos, durante os quais o regime tem impedido as Damas de Branco de exercerem seu direito à liberdade religiosa.

Captura do Facebook/Ángel Moya Acosta

Durante este período, dezenas de mulheres foram reprimidas por tentarem assistir à missa, principalmente na igreja de Santa Rita, local tradicional de reunião dominical do grupo opositor.

A presença do encarregado de negócios da Embaixada dos EUA no ato religioso representa um gesto de apoio simbólico ao ativismo pacífico na ilha, em um contexto marcado pelo hostigamento às vozes dissidentes.

Mike Hammer, diplomata com mais de 35 anos de trajetória, assumiu seu cargo como chefe da Embaixada dos EUA em Havana em novembro de 2024, na substituição de Benjamin G. Ziff.

Desde então, tem realizado reuniões com líderes opositores, artistas e líderes religiososs, em um esforço para manter canais abertos com diferentes setores da sociedade civil cubana.

Em dezembro do ano passado, a embaixada dos Estados Unidos celebrou o Dia dos Direitos Humanos com um encontro entre Hammer, Berta Soler e a também dissidente Martha Beatriz Roque, reconhecida com o prêmio Mulheres Valentes 2024. Naquela ocasião, a sede diplomática publicou no X (antes Twitter):

"Em celebração do #DiaDosDireitosHumanos, foi uma honra reunir-me com Berta Soler, das Damas de Branco, e Martha Beatriz, premiada com o prêmio #MulheresValentes 2024. Os Estados Unidos fazem um apelo por um maior respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais em Cuba."

Perguntas frequentes sobre a repressão e o ativismo em Cuba

O que aconteceu na missa de Domingo de Ramos na qual participou Berta Soler?

Berta Soler participou da missa de Domingo de Ramos acompanhada pelo chefe da Embaixada dos Estados Unidos em Cuba, Mike Hammer, apesar de uma operação repressiva da Segurança do Estado. Ao retornar, a Segurança do Estado gravou sua chegada, o que denuncia o constante assédio ao qual as Damas de Branco estão submetidas.

Quem é Berta Soler e qual é a sua importância no ativismo cubano?

Berta Soler é a líder do movimento opositor Damas de Blanco, reconhecido por sua luta pacífica contra a repressão em Cuba. Tem sido uma voz proeminente na defesa dos direitos humanos e enfrentou numerosas represálias por seu ativismo.

Qual foi a reação do regime cubano diante da visita de Mike Hammer?

O regime cubano criticou Mike Hammer, acusando-o de ter uma agenda anticubana e de desestabilização. Segundo meios oficiais, qualquer diálogo diplomático de Washington com a dissidência é visto como uma conspiração. Essas acusações refletem o controle que o regime tenta manter sobre o ativismo e a oposição na ilha.

Como tem sido o apoio da Embaixada dos EUA em Cuba aos opositores cubanos?

A Embaixada dos EUA, sob a liderança de Mike Hammer, tem demonstrado um forte apoio à dissidência cubana. Hammer tem se reunido com opositores, líderes religiosos e ativistas, e expressou publicamente a preocupação dos Estados Unidos com a situação dos direitos humanos em Cuba.

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