"Muitas vezes observamos que esta administração não queria você": Cubano nos EUA reage a notificação a beneficiários do parole humanitário

"Você não podia votar por esta administração, mas seus familiares que são cidadãos o fizeram, e seu cidadão..., a cada voto que deu por esta administração, assinou sua ordem de deportação, votou pelo que vocês estão passando hoje."


"Senhores, e chegou o dia", assim começa a contundente mensagem do criador cubano Alfredo Betancourt, que reagiu no TikTok às recentes notificações enviadas pelo governo dos Estados Unidos aos beneficiários do parole humanitário, advertindo-os que devem abandonar o país.

530 000 pessoas estão recebendo hoje a notificação de que sua carteira de motorista, sua autorização de trabalho e seu status neste país foram revogados, lamentou em seu vídeo publicado desde sua conta @alfredobetancour7. Não posso negar que isso me deixa muito mal, porque tenho amigos que estão passando por isso agora e não merecem, acrescentou com visível pesar.

O influencer assegurou que durante meses alertou sua comunidade sobre as possíveis consequências das políticas migratórias da atual administração republicana: “F fez o possível e o impossível para que muitos entendessem, para não chegarmos a isso”. E responsabilizou diretamente aqueles que, segundo ele, votaram em quem hoje revoga seus direitos: “Seu cidadão, a cada voto que deu por esta administração, assinou sua ordem de deportação”.

Reações divididas nas redes sociais

O vídeo, que rapidamente acumulou centenas de comentários, gerou um intenso debate entre cubanos dentro e fora dos Estados Unidos. “Trump avisou e eles estavam alertados”, comentou um dos usuários. Outro escreveu: “Biden prometeu voltar à era Obama em relação a Cuba e foi Donald Trump parte 2. Aí estão os resultados”.

Também houve críticas da outra parte: "A ignorância mata o mundo inteiro, eu fico com os democratas, digam o que disserem. Cheguei em 94 e pelo menos eles te deixam entrar e, pouco a pouco, você faz seus documentos", opinou outro internauta.

Muitos comentários apelavam à dor, à frustração ou à resignação: "Estou igual, com dois filhos. A desesperação começa a chegar", escreveu uma mãe. Outro usuário expressou: "Não se preocupe, assim é a vida. Eu sou I220A e estou há três anos esperando um milagre".

Revogação oficial do parole

El 25 de março, o Departamento de Segurança Nacional (DHS) anunciou a revogação oficial do programa de parole humanitário para cubanos, haitianos, nicaraguenses e venezuelanos. A partir de 24 de abril de 2025, todas as permissões ativas serão consideradas encerradas.

Os afetados começaram a receber notificações oficiais exigindo a saída voluntária do país caso não possuam uma base legal para permanecer. Em paralelo, foram suspensos processos de residência para solicitantes de asilo e refugiados, e foram revogados permissões de trabalho emitidas sob a proteção do parole.

Um estimado de 26.000 cubanos ficaria sem status legal por não terem cumprido ainda o requisito de um ano e um dia para se candidatar à Lei de Ajuste Cubano.

A preocupação se espalhou: “Não é justo”: assim reagiram cubanos nas redes após tomar conhecimento da notícia, enquanto testemunhos como o do apresentador Diony Osniel López em Miami refletem a angústia real daqueles que podem ser deportados em questão de semanas. “Não fiz outra coisa a não ser trabalhar”, declarou Diony após receber a ordem de saída.

Ainda há esperança?

Segundo especialistas, os cubanos que conseguirem cumprir um ano e um dia de presença física nos EUA ainda poderiam se beneficiar da Lei de Ajuste Cubano, mesmo que seu parole já tenha sido revogado. A advogada Rosaly Chaviano explicou que o documento continua sendo válido para fins de ajuste de status, desde que não tenham cometido violações migratórias.

No entanto, a margem é estreita e a incerteza, crescente. "O tempo está se esgotando", alertou Betancourt. Sua mensagem se tornou um eco para milhares que hoje enfrentam o medo da deportação, a frustração legal e a impotência política.

Perguntas Frequentes sobre a Revogação do Parole Humanitário para Cubanos nos EUA.

O que implica a revogação do parole humanitário para os cubanos nos EUA?

A revogação do parole humanitário implica que os cubanos beneficiados por este programa devem deixar os Estados Unidos se não tiverem outra base legal para permanecer no país. Isso afeta aqueles que não cumpriram o requisito de um ano e um dia necessário para optar pela Lei de Ajuste Cubano. A medida também revoga permissões de trabalho e licenças de condução.

Quantos cubanos serão afetados por essa medida?

Segundo os dados fornecidos, aproximadamente 26.000 cubanos ficariam sem status legal porque ainda não cumpriram o requisito de permanência para se beneficiar da Lei de Ajuste Cubano. No total, mais de 530.000 pessoas, incluindo cidadãos do Haiti, Nicarágua e Venezuela, foram afetadas pela revogação do parole humanitário.

Existe alguma esperança para os cubanos afetados pela revogação do parole?

Os cubanos que conseguirem completar um ano e um dia nos EUA podem se beneficiar da Lei de Ajuste Cubano, mesmo que seu parole tenha sido revogado. Isso lhes permitiria regularizar seu status. No entanto, o tempo é limitado, e eles devem garantir que não cometem violações migratórias que possam complicar sua situação.

Quais medidas o governo dos EUA tomou após a revogação do parole humanitário?

O Departamento de Segurança Nacional (DHS) começou a enviar notificações aos beneficiários do parole humanitário, exigindo sua saída voluntária do país antes da expiração de seu status. Além disso, suspenderam os processos de residência para solicitantes de asilo e refugiados, e revogaram os permissões de trabalho emitidos sob este programa.

Quais são as reações da comunidade cubana diante da revogação do parole?

A comunidade cubana reagiu com indignação e frustração diante da medida, considerando-a um golpe para aqueles que confiaram no sistema estadunidense para recomeçar suas vidas. Muitos expressam medo e repúdio, apontando que entraram legalmente no país e agora enfrentam a possibilidade de serem deportados.

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Equipe Editorial da CiberCuba

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