"Sentimos muito medo": Casal de opositores cubanos enfrenta deportação após o fim do parole humanitário

Lázaro Valle Roca e Eralidis Frómeta receberam uma notificação do DHS para deixar o país antes do dia 24 de abril.

Lázaro Yuri Valle Roca e Eralidis FrómetaFoto © Facebook / Boris González Arenas

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O opositor cubano Lázaro Yuri Valle Roca e sua esposa, Eralidis Frómeta, afirmam sentir "muito medo" diante da possibilidade de serem deportados para Cuba, um retorno que descrevem como "uma condenação à morte".

Assim o manifestaram em declarações feitas à Telemundo 51, após receber, na passada sexta-feira, uma notificação do Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos (DHS).

O aviso ressalta que devem abandonar o país antes do próximo dia 24 de abril, data em que expira seu permissão de liberdade condicional (parole). Para eles, retornar a Cuba significaria enfrentar novamente a repressão política que sofreram na Ilha.

Valle Roca, jornalista independente e ex-preso político, esteve encarcerado por quase três anos na prisão do Combinado do Leste, em Havana.

Foi libertado e enviado diretamente ao aeroporto para voar para Miami, graças à intervenção de sua esposa e às diligências realizadas na embaixada dos Estados Unidos em Havana.

"De embaixada a embaixada, me conseguiram uma entrevista para poder chegar à embaixada americana. Já tínhamos um parole feito pelo meu irmão, que é cidadão americano", explicou Frómeta.

A dita palavra lhes permitiu entrar nos Estados Unidos com a expectativa de se beneficiar da Lei de Ajuste Cubano após um ano e um dia de residência no país.

No entanto, a recente implementação de medidas migratórias mais restritivas por parte da administração de Donald Trump, especificamente a Ordem Executiva 14165 de 20 de janeiro, colocou em risco sua permanência no país. A ordem elimina os programas de liberdade condicional humanitária para estrangeiros de Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela.

"Ninguém que tenha o parol humanitário e seja cubano me preocupa. Não está em perigo de ser deportado. Podem esperar e em um ano e um dia vão se legalizar", afirmou o advogado de imigração Willy Allen.

"Lo trágico é o tempo que terão que esperar por uma autorização de trabalho, porque a perdem e qualquer processo de solicitação está em pausa", acrescentou.

Por sua parte, Frómeta assegurou que, se voltarem a Cuba, o farão manifestando sua oposição ao regime cubano. "Se tivermos que voltar, desde o momento em que desembarcarmos do avião, gritaremos: 'Abaixo Díaz-Canel, abaixo Raúl Castro, abaixo a ditadura' e continuaremos a luta a partir de Cuba".

Valle Roca também reafirmou seu compromisso com a luta pela liberdade de Cuba: "Como sempre, vou continuar defendendo meu país, lutando pela liberdade da minha pátria."

Esta situação gerou alarme na comunidade de exilados cubanos, especialmente entre aqueles que se beneficiaram do parole humanitário e agora enfrentam um futuro incerto devido às novas políticas migratórias dos Estados Unidos.

Perguntas frequentes sobre o risco de deportação de Lázaro Yuri Valle Roca e o parole humanitário

Por que Lázaro Yuri Valle Roca enfrenta a deportação dos Estados Unidos?

Lázaro Yuri Valle Roca enfrenta a deportação devido à revogação do parole humanitário implementada pela administração de Donald Trump. Esta medida afeta cidadãos de Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela, eliminando os programas de parole que permitiam a esses migrantes permanecer legalmente nos Estados Unidos.

Quais são as consequências da revogação do parole humanitário para os cubanos nos Estados Unidos?

A revogação do parole humanitário implica que os beneficiários devem deixar os Estados Unidos antes da data de expiração de seu status, ou podem enfrentar procedimentos de deportação acelerados. Além disso, perdem sua permissão de trabalho e ficam em um limbo jurídico se não tiverem outra via legal para permanecer no país.

Quais são as alternativas legais para os cubanos com parole humanitário que enfrentam a deportação?

Os cubanos podem considerar alternativas como a Lei de Ajuste Cubano para obter a residência permanente após um ano e um dia no país. Eles também podem explorar o asilo político ou um visto de trabalho, desde que atendam aos requisitos estabelecidos. É fundamental que busquem orientação jurídica para avaliar suas opções.

Como essa situação afeta a comunidade cubana exilada nos Estados Unidos?

A comunidade cubana exilada está alarmada com a possibilidade de deportações em massa, especialmente para aqueles que se beneficiaram do parole humanitário. A incerteza gerada pelas novas políticas migratórias aumentou a preocupação com a segurança e o futuro desses migrantes nos Estados Unidos.

O que disse o advogado Willy Allen sobre o risco de deportação de cubanos com parole humanitário?

El advogado Willy Allen assegurou que "a possibilidade de que os cubanos que entraram por parole sejam detidos e deportados é zero". Ele pede calma àqueles que estão nessa situação, sugerindo que a intenção da administração é intimidar, mas que não há recursos suficientes para realizar deportações em massa.

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