O chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla declarou nesta sexta-feira que os Estados Unidos “aplicam políticas discriminatórias, repressivas e ilegais” contra os cubanos residentes naquele país, o que, segundo ele, agride sua dignidade e direitos humanos.
“Enquanto recorre ao chantagem, à intimidação e à implementação de um número crescente de medidas coercitivas unilaterais contra nossas nações que violam o Direito Internacional”, acrescentou o diplomata em sua conta oficial no X (anteriormente Twitter).
As declarações do representante do regime cubano, expressas durante uma reunião do ALBA-TCP, foram recebidas com ceticismo e críticas, dado o histórico de violações sistemáticas de direitos humanos na ilha.
O governo de Havana mantém centenas de presos políticos em suas prisões, reprime com violência os protestos civis, limita as liberdades fundamentais e empobrece cada vez mais a população, obrigando centenas de milhares de cubanos a emigrar, especialmente para os Estados Unidos.
Precisamente esses cubanos que agora o chanceler diz defender foram empurrados para fora do país pela falta de oportunidades, pela perseguição ideológica e pelo colapso econômico gerado por um sistema que lhes fechou o futuro.
Uma vez no exterior, são vistos pelo regime como fonte de renda por meio do envio de remessas e pacotes para seus familiares, que muitas vezes acabam se tornando reféns afetivos e econômicos que pagam os altos preços impostos pelo monopólio do Grupo de Administração Empresarial S.A. (GAESA), que mantém o controle da economia dolarizada do país nas mãos dos militares e dos hierarcas da ditadura.
Enquanto Havana tenta se posicionar como defensora de seus cidadãos nos EUA, ignora as múltiplas denúncias de organismos internacionais sobre a falta de garantias em matéria de direitos civis e políticos dentro da ilha.
A preocupação do regime não parece estar centrada na dignidade nem nos direitos humanos dos cubanos, mas sim em manter os fluxos financeiros que sustentam sua frágil economia.
Essa dupla moral expõe a profunda hipocrisia de um sistema comunista totalitário que afirma proteger aqueles que expulsou e que continua negando os direitos mais elementares aos que ainda vivem sob seu controle.
O dilema das deportações
Recentemente, o regime cubano qualificou como "ato de crueldade cínica" a ameaça de deportar migrantes cubanos dos Estados Unidos, apesar de muitos deles alegarem ter fugido da repressão e da ditadura na ilha.
No entanto, aceitar seu retorno implica um desafio direto à narrativa oficial, que insiste em culpar fatores externos pelo êxodo maciço, ignorando as causas internas que o provocam: censura, hostilização e falta de liberdades básicas.
El 27 de março, um novo voo de deportação aterrissou em Havana com 60 migrantes cubanos expulsos dos EUA. Pelo menos dois deles foram detidos na chegada, um por causas penais anteriores e outro por ter emigrado em liberdade condicional.
Esses casos reforçam a preocupação internacional sobre o tratamento recebido pelos cubanos retornados, que podem ser submetidos a interrogatórios, vigilância e limitações sociais ao reingressar no país.
A preocupação do regime não parece estar centrada na dignidade nem nos direitos humanos dos cubanos, mas sim em manter os fluxos financeiros que sustentam sua frágil economia.
Essa dupla moral expõe a profunda hipocrisia de um sistema que afirma proteger aqueles que expulsou e que continua negando os direitos mais elementares àqueles que ainda vivem sob seu controle.
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