O governo cubano reage com virulência a um relatório sobre seus médicos em missões no exterior

Os funcionários do MINREX usaram o Twitter para lançar diatribes contra Blinken e os congressistas cubano-americanos.

Carlos Fernández de CossíoFoto © ACN

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Diferentes porta-vozes do Ministério das Relações Exteriores de Cuba atacaram com virulência, nesta quinta-feira, as acusações do governo dos Estados Unidos contra a ilha, após um relatório que analisa os programas de cooperação médica do governo cubano em outros países como parte do tráfico de pessoas.

"O governo cubano se beneficiou financeiramente de missões médicas no exterior, enviando seu pessoal médico para fora do país, sem informar-lhes sobre os termos de seus contratos, confiscando seus documentos e sob ameaças a seus familiares se tentarem fugir da missão”, disse Blinken ao apresentar o relatório anual durante uma coletiva de imprensa em Washington.

Horas depois dessas declarações, o responsável pela Direção dos Estados Unidos da Chancelaria cubana, Carlos Fernández de Cossío, afirmou em sua conta no Twitter que a administração norte-americana "mente conscientemente sobre o tema, o que torna mais vergonhosa sua conduta caluniosa".

"Repetem sem pudor as mentiras fabricadas durante o governo de Trump para justificar a agressão. Exemplo da corrupção política", disse o chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla, também no Twitter.

De acordo com o diretor da América Latina e do Caribe da Chancelaria cubana, Eugenio Martínez, Blinken mente ao acusar vários países de permitir que trabalhadores da saúde sejam forçados pelo Governo da nação caribenha a exercerem suas profissões.

Por sua vez, Johana Tablada, subdiretora da direção de Estados Unidos, mencionou na mesma rede social que seu país tem uma política de tolerância zero em relação a qualquer modalidade de tráfico de pessoas, e Washington está ciente disso.

“Mienten por chantaje político”, afirmou, acrescentando que as calúnias sobre os programas de colaboração em saúde promovidos a partir da Casa Branca "já custaram vidas" em meio à pandemia de Covid-19.

A diplomata acusou o governo Biden de ceder às pressões de "politiquitos corruptos" como os senadores cubano-americanos Bob Menéndez e Marco Rubio, a quem considerou "herdeiros políticos da tirania sanguinária de [Fulgencio] Batista".

Os Estados Unidos sinalizaram nesta quinta-feira que Cuba está entre os países que não cooperam na eliminação do tráfico de pessoas e exigiram que os médicos enviados a missões no exterior recebam salários justos e sem o controle imposto sobre eles pelo regime cubano.

O relatório dos EUA afirma que o governo cubano "não está fazendo esforços notáveis" para eliminar essa forma moderna de escravidão laboral, expressa por meio de seus programas de colaboração internacional na área da saúde.

Cuba aparece mais uma vez no nível 3 de incumprimento em matéria de tráfico de pessoas, devido às arbitrariedades cometidas em relação às missões médicas cubanas no exterior.

Entre as recomendações feitas no relatório, insta-se a garantir que as missões médicas no exterior cumpram com as normas trabalhistas internacionais como condição para se manterem vigentes, e que assegurem que seus participantes recebam salários justos, pagos integralmente em contas bancárias que possam controlar pessoalmente, mantendo o controle de seus passaportes, contratos e credenciais acadêmicas.

O documento pede ainda "garantir um ambiente de trabalho livre da violência, do assédio e da vigilância intrusiva" e que os profissionais cubanos possam ter liberdade de movimento para considerar a saída do programa ou a recusa de uma atribuição sem sanções como ameaças, encarceramento ou proibição de retornar a Cuba.

El passado 10 de junho o Parlamento Europeu também aprovou (com 386 votos a favor, 286 contra e 59 abstenções) uma resolução que qualifica de "escravidão moderna" o sistema imposto às brigadas médicas cubanas no exterior.

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