"Trabalhos de manutenção para resolver falhas": O último emaranhado da União Eléctrica de Cuba

A frase não explica nada. Na verdade, oculta. Não há dados concretos sobre o tipo de avaria, o tempo estimado para o reparo, nem o impacto na geração elétrica.

Alfredo López Valdés (de costas à esquerda) supervisiona as atividadesFoto © Facebook / UNE

Em meio ao caos energético que mantém milhões de cubanos em suspense, a União Elétrica (UNE) voltou a emitir uma mensagem oficial cuja redação é tão confusa quanto reveladora da tentativa sistemática do regime cubano de disfarçar a verdade com frases vazias e tecnicismos sem substância.

O comunicado mais recente —publicado em redes sociais pela UNE— descreve uma jornada de trabalho do diretor geral da entidade, o engenheiro Alfredo López Valdés, na Central Termoelétrica Máximo Gómez, em Mariel.

Captura de tela Facebook / UNE

Segundo a publicação, durante o encontro foram avaliados "os avanços em as atividades de manutenção que estão sendo realizadas para solucionar a avaria da unidade #6 da planta", uma frase que, por sua redundância e ambiguidade, não traz informações concretas.

A expressão “labores de manutenção para solucionar averias” é, em si mesma, um galimatias técnico que parece mais voltado a ocultar do que a esclarecer.

Trata-se de manutenção programada ou de reparações de emergência? Há avanços reais ou é apenas mais uma forma de ganhar tempo diante de uma população cansada pelos apagões? O comunicado não esclarece, nem oferece datas, números ou detalhes que permitam avaliar o estado real do sistema elétrico nacional.

Tecnicamente, a afirmação não só é imprecisa, como também contraditória. Uma avaria é uma falha ou quebra que requer reparo, enquanto a manutenção é um conjunto de ações preventivas ou programadas que são executadas para garantir o funcionamento adequado de uma instalação, mesmo enquanto esta opera ou durante pausas planejadas.

Usar "manutenção" como sinônimo de "reparo" não só é incorreto, mas também contribui para a desinformação.

A frase "trabalhos de manutenção para solucionar avarias" não explica nada. Na verdade, encobre. Não há dados concretos sobre o tipo de avaria, o tempo estimado para o reparo, nem o impacto na geração elétrica. Também não se informa se a unidade afetada irá voltar a se sincronizar em breve ou se ficará fora de serviço indefinidamente, como já ocorreu em diversas ocasiões recentes.

Esse tipo de linguagem nebulosa tornou-se uma constante na comunicação institucional da UNE e de outras entidades estatais, que sistematicamente evitam falar com clareza sobre o colapso energético do país e apresentam as justificaçőes mais variadas.

Lejos de informar, os comunicados parecem escritos para dissuadir perguntas, apaziguar ânimos e simular controle, quando a realidade cotidiana mostra tudo o contrário: apagões de até 20 horas, usinas termoelétricas fora de serviço durante semanas ou meses, manutenções programadas de meses que colapsam em questão de horas, e promessas que nunca são cumpridas.

En paralelo, enquanto cresce o descontentamento popular e as críticas nas redes sociais, o discurso oficialista insiste em fórmulas já desgastadas como o "bloqueio", o “compromisso coletivo” ou a “vontade de recuperação”, sem assumir responsabilidade pelo deterioro crônico do sistema elétrico, resultado de décadas de desinvestimento, má gestão e dependência de tecnologias obsoletas.

O absurdo do último post da UNE resume, em última análise, a estratégia de comunicação do regime cubano diante da crise elétrica: uma mistura de confusão, omissões deliberadas e propaganda vazia, dirigida não para esclarecer a situação, mas para confundir os cidadãos que sofrem as consequências.

A falta de transparência, o uso manipulador da linguagem e a desconexão total com a realidade vivida pela população são já marcas registradas da UNE. E o resultado é o mesmo de sempre: os cubanos ficam sem luz, sem informação clara e sem respostas.

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