Estudantes da Argentina se solidarizam com a protesto dos universitários cubanos contra o aumento de tarifas

Estudantes argentinos demonstram solidariedade com universitários cubanos que protestam contra o aumento das tarifas. A repressão do governo cubano inclui ameaças de prisão e expulsão.


Estudantes de educação superior da Argentina se solidarizaram com a protesta dos universitários cubanos contra o aumento das tarifas.

Cele Fierro, deputada da Liga Internacional Socialista da Argentina, enviou todo o seu apoio à juventude cubana “que vem enfrentando esse aumento digital que está sendo implementado pelo regime”, segundo um vídeo que circula nas redes.

“Desde aqui, dizemos que é necessário acabar com o ajuste e os privilégios dessa burocracia governante, seus negócios assim como a repressão contra o povo”, pediu a jovem dirigente socialista.

"Viva a luta da juventude e do povo cubano", concluiu.

Também jovens universitários da Universidade de Córdoba demonstraram seu apoio aos estudantes cubanos em outro vídeo divulgado pela página de Facebook Petição Universitária.

Vários diretores do centro de estudantes dessa instituição vinculados à Liga Socialista disseram que o aumento das tarifas do regime "afeta o direito à informação".

“Em Cuba, também é necessário acabar com o ajuste ao povo, a repressão à protesto social e os privilégios das burocracias governantes e seus negócios”, pediram.

Apoio do Chile

O apoio dos estudantes argentinos se une ao de um grupo de estudantes da Universidade de Concepción, no Chile, que expressou seu apoio aos universitários cubanos.

“Sabemos que estamos longe, mas pelo menos, desde este canto do mundo, aqueles que passavam liam nosso cartaz e olhavam com espanto, souberam que em Cuba há estudantes dizendo não e sendo corajosos”, escreveu no Facebook a cubana Dunielys Díaz Hernández, acompanhada por estudantes do México e da Colômbia, que posaram com uma bandeira cubana e um cartaz que dizia: “Nosso apoio aos estudantes em Cuba. Vocês não estão sozinhos”.

"Neste gesto de visibilidade reside todo o sentido dessas sete pessoas com uma bandeira cubana ao lado do Campanil. Nossa forma de dizer que não estão sozinhos, obrigado, pessoal", conclui o post.

Começa a repressão

Este domingo, transcendeu que ameaças de prisão e expulsão foi a resposta da Segurança do Estado contra estudantes da Universidade Central “Marta Abreu” de Las Villas (UCLV) que organizavam uma parada universitária para a segunda-feira.

A denúncia foi divulgada pelo jornalista Mario J. Pentón, que compartilhou o testemunho de um estudante dessa universidade.

“Na minha faculdade de Ciências Econômicas, a Segurança do Estado já começou a agir. Visitaram três estudantes em suas casas, ameaçaram expulsá-los da universidade e até com prisão”, diz a mensagem enviada pelo estudante.

“Um deles era o administrador do canal de WhatsApp ‘A voz de todos’, que buscava unir os universitários e já tinha mais de 500 seguidores em poucas horas. Uma parada universitária estava sendo organizada para segunda-feira, mas o forçaram a fechar o canal”, precisou.

Pentón também compartilhou uma captura de tela do grupo de WhatsApp onde o estudante ameaçado escreveu uma retratação.

“Os jovens foram ameaçados na frente de suas famílias e obrigados a escrever mensagens no grupo de WhatsApp da faculdade 'se arrependendo' e expressando apoio à FEU. Tudo, claramente sob coação”, informou Pentón.

O paro acadêmico em Cuba começou no dia 4 de junho e se espalha por universidades em todo o país, com epicentro na Universidade de Havana. A resposta do governante Miguel Díaz-Canel foi clara: Não haverá retrocesso no aumento das tarifas. Neste fim de semana, vídeos virais que circulam nas redes de estudantes cansados que confrontam funcionários incapazes de resolver suas reivindicações mostram o descontentamento.

O movimento estudantil que agita as universidades cubanas exige tarifas mais justas e conectividade equitativa.

Perguntas frequentes sobre a protesto estudantil em Cuba contra o aumento de tarifas da ETECSA

Por que os estudantes universitários cubanos protestam?

Os estudantes universitários cubanos protestam contra o "tarifazo" imposto pela Empresa de Telecomunicações de Cuba (ETECSA), que aumentou significativamente as tarifas de internet e exige pagamentos em dólares americanos, deixando incomunicados aqueles que não têm acesso a divisas. Exigem tarifas mais justas e conectividade equitativa.

Como o governo cubano tem respondido às protestas estudantis?

O governo cubano, chefiado por Miguel Díaz-Canel, respondeu com ameaças de prisão e expulsão aos estudantes que organizavam protestos. Além disso, deixou claro que não haverá retorno no aumento das tarifas. Os estudantes foram alvo de coação para se retratarem de suas ações e demonstrarem apoio à Federação Estudantil Universitária (FEU).

Que apoio internacional os estudantes cubanos têm recebido?

Os estudantes cubanos receberam apoio de estudantes e figuras públicas de vários países. Estudantes da Argentina, Chile e outras nações expressaram solidariedade com os universitários cubanos. Além disso, acadêmicos, artistas e jornalistas internacionais assinaram cartas de apoio e fizeram um apelo à comunidade internacional para se pronunciar em defesa dos estudantes cubanos.

Qual tem sido o impacto das novas tarifas da ETECSA nos estudantes cubanos?

As novas tarifas da ETECSA tiveram um impacto significativo nos estudantes cubanos, uma vez que limitem o acesso à internet para aqueles que não recebem remessas do exterior e aumentam o custo da conectividade a níveis inatingíveis para muitos. Isso levou a um movimento de protesto estudantil em todo o país, exigindo tarifas mais acessíveis e justas.

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Equipe Editorial da CiberCuba

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