EUA penaliza quem lucra com a migração ilegal a partir da Nicarágua

O Departamento de Estado acusou o regime de Ortega de adotar políticas migratórias permissivas que impulsionam a migração ilegal para os EUA.

Daniel Ortega e Marco RubioFoto © Flickr / Cancillería do Equador / Fernanda LeMarie e captura de X/ Marco Rubio

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O Governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira novas sanções contra proprietários, executivos e altos funcionários de empresas de transporte, agências de viagens e operadores turísticos que, segundo o Departamento de Estado, têm facilitado de maneira deliberada a imigração ilegal para o território americano através da Nicarágua.

"Os Estados Unidos não toleram aqueles que se beneficiam da imigração ilegal, nem aqueles que infringem nossas leis de imigração", declarou Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado.

"Hoje, tomamos medidas para revogar vistos e impor restrições de visto a proprietários, executivos e altos funcionários de empresas de transporte, agências de viagens e operadores turísticos que, cientes, facilitaram a imigração ilegal para os Estados Unidos por meio da Nicarágua", precisou.

O Departamento de Estado detalhou que as ações são tomadas com base na Seção 212(a)(3)(C) da Lei de Imigração e Nacionalidade (INA), que impede a entrada no país de pessoas que, devido às suas atividades, possam causar sérias consequências adversas para a política externa dos Estados Unidos.

As restrições incluem a revogação de vistos em vigor e a imposição de novas limitações para garantir que essas pessoas não possam ingresso no país.

"As investigações indicam que as entidades representadas por essas pessoas facilitaram suas viagens através da Nicarágua graças às políticas migratórias permissivas do regime de Daniel Ortega, que desestabilizam a região e promovem a migração ilegal para os Estados Unidos", afirmou o Departamento de Estado em seu comunicado.

O porta-voz Matthew Miller acrescentou que essas medidas buscam "proteger a integridade das fronteiras dos Estados Unidos e garantir a responsabilização daqueles que tentam lucrar com a migração irregular".

O contexto dessas sanções está marcado pela chegada maciça de cubanos e cidadãos de outras nacionalidades aos Estados Unidos através da Nicarágua, após Ortega ter eliminado a exigência de visto para os cubanos.

Muitas famílias venderam seus bens em Cuba para custear as passagens e a viagem para o norte, gerando um negócio milionário do qual se beneficiava o regime nicaraguense e que ainda pressionava a fronteira sul dos Estados Unidos.

Um negócio muito rentável que não parou

O regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo continua transformando o desespero de milhares de cubanos em uma fonte inesgotável de receitas que continua engordando seus cofres, mesmo quando a pressão internacional aumenta e os Estados Unidos endurecem sua política contra Manágua.

Enquanto Washington adverte que o governo sandinista usa a migração como arma política, a rota Managua-Honduras-México continua ativa e rentável, com os cubanos como sua coluna vertebral.

Os últimos dados revelados pelo jornal independente La Prensa mostram que entre janeiro e julho deste ano, mais de 21.000 migrantes com destino aos Estados Unidos entraram em Honduras vindos da Nicarágua. Destes, 83% eram cubanos.

A cifra confirma uma tendência sustentada, apesar das restrições dos EUA e do México, os cubanos continuam apostando na via nicaraguense como única saída diante da crise e da repressão do regime da Ilha.

Histórico de sanções a uma ditadura

Estas novas restrições se somam às impostas em abril passado, quando a administração Trump sancionou mais de 250 funcionários nicaraguenses por violações dos direitos humanos, autoritarismo e participação no tráfico irregular de migrantes.

Durante 2024, Washington também havia sancionado executivos de companhias aéreas e marítimas, assim como operadores turísticos que facilitavam a emigração irregular de Cuba para a Nicarágua e dali para os Estados Unidos.

O impacto das medidas recentes já se reflete no fechamento de mais de 70 rotas de voos charter, incluindo conexões estratégicas entre Cuba e Nicarágua, e na restrição de vistos para pessoas na Europa, Ásia e outras regiões ligadas a essas redes.

Com essas ações, os Estados Unidos reforçam sua política de combate à exploração de migrantes e ao tráfico de pessoas, desmantelando redes que lucram com a vulnerabilidade daqueles que buscam entrar no país de forma irregular.

O Departamento de Estado destacou que ninguém deve se beneficiar economicamente dos migrantes, nem empresas privadas nem funcionários públicos, consolidando uma mensagem clara de controle e segurança nas fronteiras.

Em resumo, a administração americana combina sanções, restrições de visto e bloqueios de rotas estratégicas como parte de um esforço mais amplo para conter a migração irregular da Nicarágua e prevenir que essas práticas desestabilizem a região e comprometam a segurança nacional dos Estados Unidos.

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