José Daniel Ferrer adverte a Trump: "Se os EUA vacilarem, a Rússia enviará a Maduro até ogivas nucleares."

"Depois do comportamento desastrado de Kennedy durante a Baía dos Porcos, Fidel Castro consolidou sua ditadura e, em seguida, veio a 'Crise dos Mísseis', e os comunistas, encorajados pelo apoio soviético, criaram muitos problemas por todo o Continente e além", lembrou Ferrer.

José Daniel Ferrer, misil Oreshnik e Donald TrumpFoto © X / @jdanielferrer - Serviço RDMPress - whitehouse.gov

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O líder opositor cubano José Daniel Ferrer fez um duro aviso ao presidente Donald Trump após a confirmação do envio de novo material militar russo para a Venezuela.

“Se os Estados Unidos se descuidar, até ogivas nucleares a Rússia envia para Nicolás Maduro. Não esqueçamos o que aconteceu com Cuba em 1962”, escreveu Ferrer na rede social X (anteriormente Twitter).

Captura de tela X / @jdanielferrer

O opositor lembrou que, após o fracasso da Baía dos Porcos, a fraqueza demonstrada por John F. Kennedy permitiu que Fidel Castro consolidasse sua ditadura e facilitasse a instalação de mísseis soviéticos na ilha.

“Se Trump cometer o mesmo erro, a segurança dos Estados Unidos estaria em maior perigo do que nunca”, advertiu o coordenador da União Patriótica de Cuba (UNPACU), que assegurou que –se não mostrar contundência– os regimes da Venezuela, Cuba e Nicarágua poderiam se tornar “imensos porta-aviões russos, chineses e iranianos ameaçando constantemente a América do Norte”.

Moscou reforça o arsenal chavista

As palavras de Ferrer chegam justamente quando o Kremlin confirmou o envio de sistemas de defesa aérea Pantsir F-1 e Buk-M2E a Caracas, somando-se aos 5.000 mísseis portáteis Igla-S já implantados.

Funcionários russos não descartam entregar em breve mísseis balísticos hipersônicos Oreshnik e mísseis de cruzeiro Kalibr, os mesmos que Moscou emprega na Ucrânia.

"Estamos em contato permanente com nossos amigos da Venezuela", declarou Dmitri Peskov, porta-voz da presidência russa, que se referiu a "obrigações contratuais" derivadas do acordo estratégico assinado entre Putin e Maduro em maio passado, que inclui cooperação militar.

Enquanto isso, dois bombardeiros americanos B-52 sobrevoaram esta semana as proximidades do espaço aéreo venezuelano em manobras dissuasórias, e o porta-aviões USS Gerald Ford continua seu deslocamento para o Caribe, onde já operam mais de 10.000 efetivos americanos.

Dúvidas em Washington e pressão no Caribe

Em meio à escalada, surgiram dúvidas dentro do Governo Trump sobre a conveniência de atacar a Venezuela.

Segundo vazamentos para a imprensa americana, o mandatário teria expressado sua preocupação com "os riscos políticos de uma intervenção direta".

O chefe do Comando Sul, almirante Alvin Holsey, estaria até avaliando sua renúncia devido a discrepâncias com o secretário de Defesa Pete Hegseth, que defende uma posição mais firme.

Desde Caracas, María Corina Machado apoiou a pressão dos Estados Unidos e afirma que “o regime de Maduro está muito fraco e em sua fase final”.

Enquanto isso, Ferrer alertou que a história pode se repetir: um erro de cálculo de Washington poderia transformar a Venezuela em uma nova base avançada de Moscou na América, como foi Cuba durante a Guerra Fria.

“A liberdade do hemisfério está em jogo”, concluiu o opositor cubano.

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Iván León

Licenciado em jornalismo. Mestrado em Diplomacia e Relações Internacionais pela Escola Diplomática de Madri. Mestrado em Relações Internacionais e Integração Europeia pela UAB.