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O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, voltou a criticar os Estados Unidos nesta quinta-feira por causa da desigualdade econômica, mas a reação do público nas redes sociais foi um banho de realidade que expôs, mais uma vez, a desconexão do governo cubano com a vida cotidiana na ilha.
Rodríguez afirmou em X que “os EUA são um dos países mais desiguais do planeta”, ao citar dados da Oxfam sobre os multimilionários americanos e a porcentagem da população considerada de baixa renda. A mensagem foi acompanhada de uma imagem de um acampamento de pessoas sem-teto nesse país.
Mas a crítica do chanceler desencadeou uma onda de respostas que contrastaram diretamente a situação nos EUA com a profunda crise que atravessa Cuba.
Muitos cubanos questionaram a "dupla moral" do regime e lembraram que, apesar dos problemas no território americano, são milhões os cubanos que dependem desse país para sobreviver.
“Eu sou pobre nos Estados Unidos e tenho que sustentar duas idosas em Cuba porque lá elas não conseguem viver da aposentadoria”, respondeu uma usuária, ressaltando uma verdade incômoda que, sem as remessas desses “pobres dos EUA”, milhares de idosos na ilha não teriam o que comer.
Outros cubanos apontaram que, quando o chanceler fala de "políticas que concentram o poder e a riqueza", é difícil saber se se refere a Washington ou a Havana, onde as elites políticas vivem com privilégios enquanto a maioria enfrenta apagões, inflação, escassez e salários impossíveis.
A reação mais repetida girou em torno de um argumento simples e contundente: se os Estados Unidos são tão desiguais quanto diz o governo cubano, por que as balsas não partem em direção a Cuba?
“As balsas sempre vão de Havana a Miami, nunca o contrário”, apontou outro usuário. “Ninguém arrisca a vida para escapar do capitalismo, mas sim para fugir do modelo de vocês”.
Também houve críticas diretas à propaganda oficial: “Aqui em Cuba nem ser pobre se pode; os pobres dos Estados Unidos ao menos comem decentemente”, escreveu um comentarista. Outro ironizou dizendo que “em Cuba todos são iguais: igualmente pobres”.
Incluso aqueles que reconhecem a desigualdade nos Estados Unidos lembraram que o contraste com Cuba é ainda mais devastador: segundo um internauta, “um sem-teto nos EUA vive melhor do que um doutor em ciências em Cuba”.
A frase que melhor resumiu o sentimento geral foi lapidar: “É preciso ter coragem para falar de desigualdade nos EUA quando não se vê o que acontece em Cuba”.
Enquanto o chanceler cubano tenta desviar a atenção para os problemas de outros países, a realidade nacional é mais difícil de ocultar com apagões intermináveis, salários insuficientes, crescente pobreza, migração em massa e um governo que insiste em olhar para fora em vez de enfrentar o que acontece dentro.
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