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O fim da missão diplomática do embaixador cubano Carlos Rafael Zamora Rodríguez, conhecido como “El Gallo”, em meio a crescentes acusações de interferência política e espionagem, que há meses geravam tensões entre Lima e Havana, anunciada pela Chancelaria andina na última sexta-feira, foi recebida com amplo apoio de congressistas, ex-chefes de inteligência e analistas, que qualificaram a medida como “saudável” e necessária para salvaguardar a soberania nacional.
Según informou o jornal El Comercio, o Ministério das Relações Exteriores do Peru convocou o diplomata para revisar as atividades desenvolvidas durante sua gestão, iniciada em 2021 sob o governo de Pedro Castillo e, após essa reunião, anunciou a conclusão de suas funções “de forma definitiva”.
Zamora tinha sido uma figura controversa desde sua chegada, apontado como um operador do regime cubano e suposto agente de inteligência com longa trajetória na América Latina.
O congressista José Cueto, presidente da Comissão de Inteligência do Parlamento, celebrou a decisão e afirmou que havia um "clamor dentro das Forças Armadas e da polícia" para que o embaixador fosse expulso do país.
"Em toda a comunidade de inteligência sabia-se que havia intervenções de diferentes formas por parte deste senhor, que entrou com o governo de Castillo", declarou ao meio peruano.
Na mesma linha, o legislador Alejandro Muñante qualificou a saída de "completamente saudável" e a vinculou a uma política de defesa da soberania nacional frente às influências externas.
Outros ex-chefes de inteligência consultados pelo El Comercio concordaram que a decisão do Executivo peruano responde a um padrão de comportamento do serviço diplomático cubano, descrito como uma “extensão do aparato de inteligência” de Havana.
Juan Carlos Liendo, ex-chefe da Direção Nacional de Inteligência (DINI), afirmou que Zamora tinha “um histórico de ativismo político a nível regional” e que sua saída “sincroniza com a necessidade de garantir um processo eleitoral livre e legítimo no Peru”.
Por sua parte, o também ex-chefe da DINI Danilo Guevara lembrou que o embaixador é “um velho conhecido” no mundo da inteligência por seus vínculos com o G2 cubano e destacou que sua aposentadoria demonstra que as instituições peruanas “cumpriram com seu dever de proteger a segurança nacional”.
Por sua vez, Diario Correo também trouxe declarações do opositor cubano Orlando Gutiérrez Boronat, líder da Assembleia da Resistência Cubana, que afirmou a partir de Miami que “El Gallo” Zamora esteve por trás dos protestos violentos contra a presidente Dina Boluarte em 2022 e 2023, após a queda de Pedro Castillo.
Gutiérrez afirmou que o embaixador desempenhou um “papel político e de inteligência” voltado para “promover o caos e a agitação” no país andino.
Segundo o ativista, Zamora não era um diplomata comum, mas sim “um indivíduo de altíssimo nível no aparato de inteligência do regime cubano”, com trajetória no Panamá, Bolívia e na ONU, posições-chave do espionagem castrista.
De acordo com Diario Viral, Zamora ingressou no aparelho de inteligência cubano em 1968 e foi apontado por ex-agentes como coronel do G2, junto com sua esposa, Maura Juampere Pérez.
Em agosto passado, a União Naval do Peru, composta por exoficiais da Marinha, solicitou sua expulsão por considerá-lo um “risco para a segurança nacional”, denunciando sua suposta formação sob a KGB e seu papel na expansão ideológica do castrismo na região.
A saída do embaixador cubano coincide com um momento de alta tensão diplomática, após a autorização do salvoconducto à ex-primeira-ministra Betssy Chávez, asilada na embaixada do México, o que reavivou as fricções regionais.
Até agora, o governo de Cuba não fez comentários sobre a retirada de Zamora, um silêncio que muitos em Lima interpretam como um sinal de prudência após um episódio que trouxe novamente à tona a influência do regime de Havana na América Latina.
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