Residentes do bairro Lenin, na cidade de Holguín, denunciam que a acumulação de lixo e a proliferação de mosquitos estão adoecendo adultos e crianças em meio ao surto de arboviroses que afeta a província.
“Assim está a rua 19 do bairro Lenin: dá nojo a pestilência e a sujeira que há”, escreveu a holguinense Yarisbel Matos García no grupo de Facebook Holguín Entérate, onde compartilhou imagens e uma denúncia que se tornou viral entre os moradores do município.

A residente alertou que pessoas idosas e crianças do edifício estão doentes, atribuindo os sintomas ao “vírus tão grande que há agora” e à infestação de mosquitos na área.
Holguín, que há apenas alguns anos era considerada uma das cidades mais limpas e bem cuidadas de Cuba, sofre hoje um retrocesso visível em suas condições higiênicas e sanitárias, especialmente em bairros periféricos como o reparto Lenin —antigo Hechavarría—, onde a coleta de resíduos sólidos é irregular ou inexistente.
Os comentários de outros usuários refletem tanto nostalgia quanto preocupação.
“Por Deus, continuarão a surgir mais vírus e doenças estranhas devido à quantidade de lixo que existe por todo o país. Devem queimar todo esse lixo por segurança”, advertiu Ana Almira, enquanto outros relembravam o antigo nome do bairro e a época em que as ruas se mantinham limpas e transitáveis.
A crise de saneamento urbano, agravada pela falta de transporte e combustível para os serviços comunais, se soma à propagação de dengue, chikungunya e outras doenças infecciosas, que os moradores já consideram um problema de saúde pública.
Em Havana, por exemplo, a coleta de lixo continua sendo problemática porque as campanhas de saneamento não são sustentáveis a longo prazo.
Apesar dos esforços temporários, a falta de um plano estrutural e sustentável, a escassez de recursos como contêineres e caminhões, e o deterioro da infraestrutura impedem a resolução do problema de maneira eficaz.
Em dias recentes, moradores do bairro Mariana de la Torre, na cidade de Santiago de Cuba, decidiram fechar completamente a rua Cristina com montes de lixo em sinal de protesto contra a inação dos serviços estatais de Comunais e da Empresa Eléctrica.
Os lixeiros também se multiplicam nas ruas e espaços públicos de Las Tunas, Camagüey, Ciego de Ávila, Sancti Spíritus, Cienfuegos e Matanzas.
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