Persistem lixeiros nas ruas de Camagüey diante da iminente passagem do furacão Melissa

Em Camagüey, o acúmulo descontrolado de lixo complica a situação diante do furacão Melissa. Os moradores denunciam a inação do governo frente aos riscos sanitários e elétricos iminentes.

Montanha de lixo não recolhido na distribuição de Las Mercedes, na cidade de Camagüey.Foto © Facebook/José Raúl Gallego

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Ante o iminente passo pela zona oriental de Cuba do furacão Melissa, os camagüeyanos enfrentam não só a ameaça do vento e da chuva, mas também o abandono e a sujeira que inundam suas ruas.

Enquanto as autoridades anunciam a Fase de Alerta Ciclônica de Camagüey a Guantánamo, os moradores denunciam que o lixo se acumula sem controle e que o perigo aumenta a cada nuvem que se aproxima.

No Callejón Vásquez, entre as ruas 20 de Maio e San Rafael, os residentes vivem uma situação desesperadora. Montanhas de resíduos se acumulam ao lado das habitações, gerando um foco de infecção em uma área onde, segundo denunciou o jornalista José Luis Tan, circula um vírus que já causou a morte de adultos e idosos.

Captura de Facebook/José Luis Tan Estrada

“Esse lixão antes era grande, agora parece pequeno, mas apenas porque piorou muito”, lamentou uma moradora, apontando que os restos orgânicos e os animais mortos se misturam com os resíduos em decomposição.

Os habitantes asseguram que o governo local não adotou medidas eficazes para conter a crise sanitária, enquanto cresce a indignação diante da falta de respostas.

“Um elenco fantasma” em Las Mercedes

También o jornalista José Raúl Gallego compartilhou imagens impactantes do bairro Las Mercedes, que descreveu como “fantasma”. “Ali as pessoas adoecem dia após dia, os consultórios estão fechados e ninguém passa para recolher o lixo”, denunciou.

Captura de Facebook/José Raúl Gallego

As fotos mostram montanhas de resíduos em plena via pública, sem serem recolhidos há semanas, exatamente em uma área que se inunda toda vez que passa um ciclone. “Se o furacão chegar, todo aquele lixo vai parar nas alcantarillas ou no rio”, alertou Gallego.

Vizinhos relatam febre, diarreia e dores musculares, sintomas associados a doenças transmitidas por vetores, agravadas pela falta de fumigação.

Árvores sobre cabos e risco elétrico

Na área dos Oficiais de Ferrovia, Tan também alertou sobre o crescimento descontrolado de árvores que já ultrapassam os fios de alta tensão, o que representa um risco iminente para as residências e a vida dos moradores.

Pedimos que sejam tomadas medidas imediatas antes que ocorra uma tragédia, reclamaram os residentes, cansados de esperar uma resposta que não chega.

Captura de Facebook/José Luis Tan Estrada

Um furacão que chega a uma província vulnerável

Camagüey é hoje uma das províncias mais expostas ao avanço do já furacão Melissa. Segundo reportou CiberCuba, as províncias orientais se preparam “em meio a apagões e escassez”, com milhares de pessoas sem acesso a alimentos, água ou eletricidade.

Incluso, a primeira secretária do Partido Comunista em Granma admitiu publicamente a falta de prevenção nos preparativos para enfrentar o ciclone: “Não estão sendo adotadas medidas”.

Enquanto isso, em Camagüey, os lixões continuam crescendo, o odor se torna insuportável e as pessoas sentem que o verdadeiro desastre chegou muito antes de Melissa.

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