Cuba se orgulha de prêmios ambientais enquanto sofre com a contaminação, o desmatamento e o acúmulo de lixo que sufoca suas cidades

A UICN concedeu ao país um prêmio por seu programa de biodiversidade até 2030. O reconhecimento contrasta com a poluição mineradora, a exploração madeireira indiscriminada e o colapso na coleta de resíduos nas cidades cubanas. Ativistas e cidadãos denunciam um deterioramento ambiental generalizado que o Estado ignora ou justifica.

Premiam Cuba por cuidar da natureza: basta olhar para Moa ou Havana para duvidarFoto © CiberCuba

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Cuba recebeu a Medalha “NBSAP Reverse the Red 2025”, concedida pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) em reconhecimento à “excelência” do Programa Nacional de Diversidade Biológica, baseado —segundo o governo— na ciência, na participação cidadã e na conservação.

O prêmio foi entregue em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, ao embaixador cubano Norberto Escalona Carrillo e celebrado pelo governante Miguel Díaz-Canel na rede social X, que parabenizou os ambientalistas cubanos pelo feito.

A Coalizão Internacional Reverse the Red (Revierte el Rojo), liderada pela UICN, concedeu o prêmio aos países que demonstram excelência na formulação e execução de seus Planos de Ação Nacionais de Biodiversidade (NBSAP).

O prêmio distingue o uso de critérios científicos, a inclusão da sociedade civil e o enfoque em ações específicas para a recuperação de espécies ameaçadas, informou a Agência Cubana de Notícias.

Cuba figura entre as 26 nações reconhecidas internacionalmente. O grupo de agraciados é diverso e inclui Argentina, Austrália, Canadá, Colômbia, Dinamarca, Fiji, França, Hungria, Irã, Itália, Jamaica, Japão, Jordânia, Malásia, México, República da Coreia, República da Moldávia, Eslovênia, Estado da Palestina, Togo, Tonga, Tunísia, Uganda e os Estados Federados da Micronésia.

No entanto, a medalha chega em meio a uma crise ambiental interna que atinge todo o país, onde a contaminação, a desmatamento e o colapso dos serviços comunais refletem uma realidade oposta ao discurso oficial.

Em Moa, na província de Holguín, residentes e ativistas denunciaram um “ecocídio prolongado” causado pela mineração de níquel e cobalto.

O pó metálico cobre telhados, ruas e pulmões, e o próprio Ministério de Energia e Minas admitiu emissões de pó acima dos limites legais.

As comunidades vivem, segundo depoimentos, “sob uma nuvem negra que adoece lentamente”, enquanto as autoridades repetem promessas de mitigação que nunca chegam.

A isso se soma o avanço da desflorestação, impulsionado pela crise energética e os cortes de energia de até 20 horas que deixam as pessoas sem outra alternativa para cozinhar.

Milhares de famílias derrubam árvores para cozinhar diante da falta de gás e eletricidade, o que tem provocado a perda da cobertura florestal e um aumento da vulnerabilidade diante de secas e inundações.

Segundo alertas recentes, mais de nove milhões de cubanos cozinham sem acesso estável a gás ou eletricidade, expondo-se diariamente a riscos sanitários e ambientais.

Esta situação impactou especialmente as instituições educativas, onde círculos infantis tiveram que reduzir horários e cozinhar com lenha, improvisando fogões em condições insalubres.

A nível familiar, as estratégias de sobrevivência incluem não apenas a queima de materiais não adequados, mas também cozinhar em plena via pública, sem eletricidade nem gás, como a única opção para alimentar os filhos.

Organizações ambientais alertam que Cuba pode seguir o mesmo caminho de degradação que o Haiti se não adotar medidas urgentes.

Y enquanto o governo se orgulha de prêmios internacionais, as cidades cubanas afundam-se em lixo.

Em La Havana, Santiago de Cuba e em outras cidades, os montes de lixo se acumulam por semanas em frente a hospitais e escolas.

Os serviços comunais carecem de combustível e equipamentos, e o governo tenta transferir a responsabilidade para os cidadãos, apelando à “consciência social”, enquanto o odor, as ratazanas e os mosquitos proliferam.

O contraste entre o reconhecimento internacional e o colapso ambiental interno resume o dilema cubano: um Estado que recebe prêmios em fóruns globais, enquanto milhões de seus cidadãos convivem com contaminação, resíduos e abandono ecológico em sua vida cotidiana.

Perguntas frequentes sobre a crise ambiental e energética em Cuba

Por que Cuba recebeu o prêmio de conservação ambiental?

Cuba recebeu a Medalha “NBSAP Reverse the Red 2025” em reconhecimento à “excelência” do Programa Nacional de Diversidade Biológica, baseado na ciência, na participação cidadã e na conservação. No entanto, esse reconhecimento contrasta com a realidade do país, que enfrenta uma crise ambiental interna com problemas de poluição e desmatamento.

Qual é a situação ambiental e energética atual em Cuba?

Cuba enfrenta uma grave crise ambiental e energética, caracterizada por poluição, desmatamento e um colapso dos serviços comunitários. A falta de gás e eletricidade levou as famílias a cortarem árvores para cozinhar, aumentando a vulnerabilidade a fenômenos meteorológicos. Além disso, as cidades estão imersas em lixo devido à falta de recursos para os serviços de coleta.

Como a crise energética afeta a população cubana?

A crise energética em Cuba levou a apagões prolongados de até 20 horas, obrigando as famílias a recorrer a métodos rudimentares, como a queima de lenha para cozinhar. Isso provocou desmatamento e um deterioramento na qualidade de vida, impactando especialmente as instituições educacionais e aumentando os riscos sanitários e ambientais.

Que medidas o governo cubano tomou para solucionar essas crises?

O governo cubano fez poucas melhorias efetivas para solucionar a crise ambiental e energética. Embora planos de recuperação energética e parcerias internacionais tenham sido anunciados, a realidade é que a infraestrutura continua obsoleta e as soluções propostas não tiveram um impacto significativo na vida cotidiana dos cidadãos.

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Equipe Editorial da CiberCuba

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