Os Estados Unidos ampliarão sua ofensiva militar contra as supostas organizações de narcotráfico e não descartam realizar ataques terrestres em território estrangeiro, confirmou nesta quarta-feira o presidente Donald Trump durante uma coletiva de imprensa em Washington.
“Vamos a golpeá-los duro. Temos que fazê-lo para salvar vidas. É um problema de segurança nacional”, afirmou o mandatário após receber o presidente da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Casa Branca, explicando que as drogas que entram no país causaram a morte de mais de 300.000 americanos no último ano.
“Essas drogas estão chegando e matando nossa gente. Se não agirmos agora, perderemos centenas de milhares a mais”, justificou-se.
Trump afirmou que notificará o Congresso sobre os novos ataques militares e sustentou que os Estados Unidos possuem a autoridade legal para tomar ações contra os cartéis fora de suas fronteiras.
“Temos uma crise de segurança nacional. Sabemos quem eles são, de onde vêm e o que transportam. Eles já não vêm apenas pelo mar, também o fazem por terra, e os atingiremos lá também”, enfatizou.
O secretário de Estado, Marco Rubio, apoiou a decisão do presidente e garantiu que os grupos criminosos “navegam em águas internacionais com hostilidade em mente, inundando os Estados Unidos com drogas mortais e perigosas”.
“Na semana passada, interceptamos um submersível —um ‘dragão’, como chamam— utilizado para transportar toneladas de narcóticos em direção às nossas costas. Sabemos quem está por trás, de onde vem e o que está transportando”, explicou Rubio, que confirmou que a inteligência americana tem rastreado as organizações responsáveis desde sua origem.
O funcionário destacou que o consumo de drogas no país atingiu "níveis alarmantes", apesar dos esforços de controle nas fronteiras, e descreveu as chamadas ‘drogas do oceano’ como um novo desafio para a segurança hemisférica.
Trump assegurou que o governo está preparando uma ofensiva coordenada para atacar “células do narcotráfico” em áreas identificadas fora dos Estados Unidos.
“Precisamos destruir a vida dessas pessoas que estão por trás das drogas. Este é o fim de uma célula. Algo muito sério vai acontecer. O que fizemos no mar, agora faremos por terra”, declarou, sem mencionar se há acordos com alguns países para isso.
Nas últimas semanas, Washington intensificou sua campanha de ataques aéreos e marítimos contra embarcações dedicadas ao narcotráfico no Caribe e no Pacífico oriental, que já deixaram vários mortos e uma dúzia de operações classificadas como cinéticas pelo Departamento de Guerra.
Nesta mesma quarta-feira, foi relatado o ataque mortal a uma embarcação no Pacífico, no qual pelo menos duas pessoas morreram.
A nova fase anunciada por Trump marcaria a primeira incursão terrestre conhecida sob o marco da doutrina de segurança nacional antidrogas que sua administração promove desde setembro e que mantém em alerta os países da região, especialmente a Colômbia e a Venezuela.
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