Auditoria revela que o México pagou milhões ao INDER durante a gestão de López Obrador

A ASF descobriu pagamentos irregulares da CONADE ao INDER de Cuba durante o governo de López Obrador. Foram contratados treinadores sem comprovantes de seu trabalho e realizados pagamentos sem evidências de serviços prestados.

Comissão Nacional de Cultura Física e Desporto (CONADE), imagem de referênciaFoto © Governo do México

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A Auditoria Superior da Federação (ASF) do México detectou irregularidades milionárias em pagamentos realizados pela Comissão Nacional de Cultura Física e Esporte (CONADE) ao Instituto Nacional de Esportes, Educação Física e Recreação de Cuba (INDER) durante o governo de Andrés Manuel López Obrador.

Segundo um relatório investigativo realizado pela Azteca Notícias Sinaloa, o esquema incluiu a contratação de 29 treinadores cubanos e a terceirização de mais de 1.200 testes antidoping em um laboratório da ilha sem evidências de cumprimento.

A ASF pediu investigar e sancionar servidores públicos por uma “simulação de contrato” sob a direção de Ana Gabriela Guevara na CONADE.

O convênio com o INDER foi assinado pelo subdiretor de Qualidade para o Esporte, sem poderes para fazê-lo. Não há registro de que os treinadores desempenhassem funções no México.

O acordo contemplou mais de 1.200 testes antidoping em Cuba, mas não existem relatos que atestem sua realização. 

Se efetuaram cinco transferências à Embaixada de Cuba no México por mais de 15 milhões de pesos, consideradas pela ASF como dano ao erário. 

Segundo a pesquisa citada pela Azteca Noticias, a contratação de treinadores cubanos em 2019 carece de registros migratórios que confirmem sua entrada e permanência no México, perfis profissionais que comprovem sua adequação e relatórios de atividades que demonstrem sua participação em processos de capacitação de atletas nacionais.

A ASF também observou que a Secretaria de Relações Exteriores (SRE) não foi notificada para avaliar a viabilidade do convênio internacional, conforme estipulado pela normativa.

As anomalias

O pagamento à Embaixada de Cuba —e não a fornecedores ou prestadores com evidência de serviço— faz parte das anomalias documentadas.

De acordo com a auditoria, os recursos públicos acabaram financiando serviços não credenciados, enquanto não há registros de entregáveis nem de que o INDER cumpriu com o contratado.

Azteca Noticias destaca os achados em um período de tensão pelos convênios México–Cuba para serviços profissionais (médicos e esportivos).

Neste caso, os auditores afirmam que a CONADE—sob a gestão de Ana Gabriela Guevara—pagou milhões por treinadores "fantasmas" e por testes antidoping sem evidência, o que ativa o caminho das responsabilidades administrativas e ressarcitórias.

Com base nas observações da ASF, cabe às instâncias de controle interno, à Secretaria da Função Pública e, se for o caso, às autoridades ministeriais, determinar responsabilidades, recuperar os recursos públicos e definir sanções aos funcionários envolvidos.

Em paralelo, a CONADE deverá credenciar os serviços ou apresentar contra-argumentos técnicos e documentais perante a auditoria.

Financiando o governo?

O empresário Ricardo Salinas Pliego, dono da TV Azteca, criticou duramente o governo do México após a revelação de que a Petróleos Mexicanos (Pemex), por meio de sua filial Gasolinas Bienestar, exportou milhares de barris de petróleo e combustíveis para Cuba sem transparentear os pagamentos recebidos por essas operações.

Além disso, insinuou que parte desses recursos poderia acabar financiando o partido oficialista Morena.

As declarações de Salinas Pliego surgem após uma reportagem do El Universal que documenta como a Gasolinas Bienestar se negou a entregar os comprovantes dos pagamentos a Cuba, argumentando que, por estar constituída como uma sociedade mercantil privada, não está obrigada a se submeter às leis de transparência.

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