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O governante Miguel Díaz-Canel posou com esponjas marinhas destinadas à exportação durante uma visita à Unidade Empresarial de Base CAIMAR, em Caibarién, durante uma visita governamental a Villa Clara.
Enquanto Cuba afunda na crise, o representante do governo "mostrou interesse" pelos salários, pelas utilidades da entidade e por alternativas para melhorar a eficiência energética nos níveis de captura do setor pesqueiro.
En el periplo, a delegação oficial incluiu uma parada na mipyme REMpeZ, dedicada à elaboração de alimentos, com uma mensagem insistente de que seus produtos “cheguem ao povo”.
En CAIMAR, Díaz-Canel —acompanhado por Roberto Morales Ojeda e autoridades provinciais e municipais— solicitou informações sobre salários e resultados da empresa e ouviu dos diretores "possíveis alternativas" para aumentar a eficiência energética na captura.
Durante o percurso, foram mostradas esponjas "de excelente qualidade para exportação" pertencentes à embarcação Plástico 317 da UEB CAIMAR, em uma cena protagonizada pelo mandatário.
Em diálogo com Michel Leiva Pérez, patrão do Plástico 19, foram destacadas iniciativas da tripulação que a colocaram como “o coletivo mais produtivo do país na captura de espécies de escama” até o momento.
Nesse mesmo dia, o governante visitou o Centro de elaboração cooperada mipyme REMpeZ–Comércio e Gastronomia de Caibarién, onde trocou ideias com os trabalhadores sobre linhas de produção, metas de diversificação, salários, condições de trabalho e aquisição de matérias-primas.
A mipyme REMpeZ, fundada em 2021 em Remedios, elabora pães, pizzas e biscoitos em vários formatos, doces finos, hambúrgueres e embutidos, além de processar e embalar produtos cárneos, agrícolas e do mar.
No dia 13 de agosto, foi "encadeado" o Centro de elaboração da Empresa de Comércio e Gastronomia de Caibarién para "abastecer a população" com alimentos básicos e seguros a preços acessíveis por meio de armazéns e açougues, informou seu titular, Lázaro Morilla Quintana.
A comunicação local sobre a visita enfatiza “qualidade nas produções” e classifica a iniciativa como “excelente ideia em favor do desenvolvimento local”, em um passeio apresentado como parte da visita governamental a Villa Clara.
O despliegue mediático incluiu a cena do mandatário com esponjas de exportação, enquanto o discurso institucional reiterou a meta de aumentar as capturas e estender modelos produtivos que garantam alimentos a preços acessíveis.
O discurso oficial está muito distante da realidade vivida pelos cubanos, onde a precariedade alimentar está aumentando a exposição a doenças carenciais, afetando o desenvolvimento físico e cognitivo e enfraquecendo as defesas do organismo.
A organização Food Monitor Program (FMP) alertou que a dieta da maioria dos lares é altamente repetitiva, pobre em micronutrientes e fibra, e dependente de alimentos ultraprocessados como picadinho e salsichas, em vez de proteínas frescas como peixe ou carne bovina.
Esta alimentação deficiente, alerta o FMP, mantém uma “fome oculta” que impacta diretamente na saúde e na qualidade de vida.
Para ilustrar a magnitude do problema, o observatório revelou que dois adultos em Havana precisariam de pelo menos 41.735 pesos mensais para custear uma dieta apenas suficiente, valor equivalente a quase 20 salários mínimos ou dois anos de pensões mínimas em Cuba.
O monitoramento, realizado ao longo de seis meses, avaliou 29 produtos de oito grupos alimentares em redes estatais e privadas, buscando atender às necessidades básicas de duas pessoas adultas jovens e saudáveis.
Ainda priorizando alimentos mais baratos e menos nutritivos, a cesta básica de alimentos continua sendo inacessível para a maioria das famílias.
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