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O regime cubano reconheceu sua preocupação com o impacto da migração interna antes do censo de população e habitações de 2026, um fenômeno que, segundo as próprias autoridades, ameaça a sustentabilidade econômica e social dos territórios rurais.
A oficialista Prensa Latina reportou que durante uma reunião da Comissão Governamental para a Atenção Demográfica, o primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz destacou a urgência de contar com dados precisos e atualizados para enfrentar o que qualificou como “tendências demográficas complexas”.
Segundo Marrero, o próximo censo será fundamental para a "tomada de decisões" e já se encontra em fase preparatória.
A agência destacou que o Escritório Nacional de Estatísticas e Informação (ONEI) está desenvolvendo seminários e um ensaio censitário no município de Santa Cruz del Norte, província de Mayabeque, com o objetivo de aprimorar a metodologia e a logística antes do lançamento nacional.
Um dos temas que mais inquieta as autoridades é a migração interna em massa, uma tendência que se acentuou com a crise econômica e o deterioro do nível de vida.
A cada ano, milhares de cubanos deixam o campo ou as províncias orientais em busca de melhores oportunidades em Havana, polos turísticos ou áreas onde circula moeda estrangeira.
O diretor do Centro de Estudos Demográficos da Universidade de Havana, Antonio Aja, admitiu que quase 30% das pessoas que se deslocaram do campo em 2024 eram jovens entre 15 e 34 anos, o que agrava a despovoação rural e coloca em risco a produção de alimentos.
“Representa uma ameaça para a sustentabilidade econômica e social dos territórios”, alertou.
O regime, no entanto, evita abordar as causas reais do problema —a falta de oportunidades, os baixos salários, o abandono estatal do campo e a centralização econômica—, limitando-se a descrevê-lo como um “desafio demográfico”.
A Comissão também abordou outros temas, como o programa materno-infantil, a cooperação internacional e as doações recebidas, mas o foco central da reunião foi o êxodo interno de jovens cubanos, reflexo de um país onde cada vez menos pessoas veem futuro em seu lugar de origem.
O censo de 2026 se apresenta como um teste desconfortável para o regime: um espelho que pode refletir, com números oficiais, a extensão do esvaziamento humano que a crise, a pobreza e a falta de esperança provocaram dentro da ilha.
O Governo de Cuba informou no ano passado que adiaria a realização do censo populacional para 2025, alegando que a situação econômica não permitia levar adiante a tarefa.
O Censo da População em Cuba estava inicialmente previsto para 2022, mas a profunda crise econômica que atravessa a ilha impediu sua realização nessa data, segundo justificou o governo.
Fontes oficiais reconheceram à imprensa internacional o impacto negativo da situação econômica na ONEI, mas garantiram que o Estado cubano possui "registros muito sólidos".
No obstante, apesar de não ter sido realizado o censo, o regime assegurou que o país enfrenta uma crise demográfica sem precedentes: em 2024 Cuba perdeu mais de 300.000 habitantes e registrou sua menor taxa de nascimentos em décadas.
Estes dados confirmam um processo acelerado de declínio populacional que vem se formando há anos e que se agravou com a crise econômica, o êxodo em massa de cubanos e o envelhecimento da população.
Por outro lado, segundo um estudo demográfico independente, a população residente em Cuba tem diminuído de forma alarmante nos últimos anos e já se encontra abaixo de oito milhões de pessoas.
Este dado representa uma queda de 24% em apenas quatro anos, um número que o autor compara a cenários de guerra.
O estudo, realizado pelo renomado economista e demógrafo cubano Juan Carlos Albizu-Campos, e ao qual a EFE teve acesso, estima que, no final de 2024, viviam na ilha 8.025.624 pessoas, muito abaixo dos 9.748.532 que refletem as estatísticas oficiais cubanas.
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