"Este arquipélago é meu": Luis Alberto García responde a quem o acusou de “não ter feito nada por Cuba”

Luis Alberto García, ator cubano, defende seu papel social e critica o regime por priorizar apoios estrangeiros em detrimento das crises locais.

Luis Alberto GarcíaFoto © Facebook / Luis Alberto García Novoa

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O reconhecido ator cubano Luis Alberto García respondeu com firmeza a uma internauta que o acusou de “não ter feito nada por Cuba” e de “não ser um homem de ciência ou tecnologia”, após o artista publicar um comentário crítico sobre as marchas políticas convocadas pelo regime em plena crise nacional.

Gaza e Caracas não deveriam estar antes de Matanzas e Cárdenas. Verdade?, havia escrito García dias atrás em seu perfil no Facebook, questionando as mobilizações de apoio a governos estrangeiros enquanto o país enfrenta apagões, surtos epidêmicos e escassez de alimentos e medicamentos.

Publicação no Facebook

Seu comentário gerou dezenas de reações, entre elas a de uma usuária que o recriminou por não ter “critérios de peso” por ser artista e não cientista. “Os artistas têm desenvolvido o hemisfério direito, mas o esquerdo, o da lógica e da inteligência, não. Seus critérios não têm peso”, escreveu a mulher, acrescentando que García “não fez nada pelo país”.

Mas o protagonista de filmes como Clandestinos respondeu com um extenso texto intitulado “God save the ‘Queen’”, no qual defendeu sua trajetória, reivindicou o papel dos artistas na sociedade e recordou sua passagem pela Escola Vocacional Vladimir Ilich Lenin, da qual pediu a saída porque não lhe permitiam estudar arte.

Comentário da usuária do Facebook

"Me perguntaram em várias ocasiões se eu realmente preferia dedicar minha vida a ser PALHAÇO e não CIENTISTA. São preconceitos que estão enraizados, lamentavelmente, em boa parte do nosso povo", escreveu o ator.

García explicou que, após deixar a Lenin, completou seus estudos pré-universitários em El Cerro e, em seguida, ingressou no Instituto Superior de Arte (ISA), onde se formou “com honras” em um curso universitário.

“Desde muito antes de me formar e até o dia de hoje, tem sido uma honra contribuir com a minha pequena dose de talento ao serviço do audiovisual e das artes cênicas do país onde nasci”, afirmou.

En um tom entre irônico e desafiador, o ator zombou da ideia de que os artistas carecem de inteligência lógica: “Já estou agendando uma consulta com um neurologista. E depois, com um psiquiatra. Essa deficiência dos artistas é congênita ou pessoas como você decidem quem se salva de sofrê-la?”.

Finalmente, García encerrou sua mensagem com uma frase que ressoou entre seus seguidores: “Desde meu hemisfério sinistro envio seu parecer às entretelas acima mencionadas. Não é você a rainha do pensamento. Continuarei opinando o que acredito porque este arquipélago é meu.”

García, considerado um dos atores mais respeitados do cinema e do teatro cubanos, tornou-se uma voz crítica do regime nos últimos anos. Através de suas redes sociais, tem questionado a censura, a precariedade dos serviços públicos e o uso político da cultura.

Suas publicações mais recentes, nas quais lamenta a falta de empatia das autoridades diante da crise sanitária e energética, acumulam centenas de comentários de apoio, embora também haja ataques de usuários alinhados ao governo.

"Seria mais patriótico dedicar a tribuna ou a marcha aos enfermos e falecidos pelos vírus em Matanzas", escreveu em outra publicação. "O país está se desmoronando e eles continuam fazendo desfiles."

O comentário foi interpretado como uma crítica direta às recentes “tribunas antimperealistas” organizadas pelo Partido Comunista de Cuba, nas quais milhares de trabalhadores são mobilizados para expressar apoio a governos aliados como Palestina e Venezuela, enquanto grande parte do país sofre com apagões e falta de água.

Pese ao seu tom mordaz, García mantém em suas mensagens uma defesa do direito à livre opinião e uma postura abertamente cubana. “Não fui embora, continuo aqui”, disse em várias entrevistas, insistindo que sua permanência na ilha não significa silêncio nem conivência.

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